Paris, 4 jan (EFE).- As famílias, a educação, a economia e a
Europa são, nessa ordem de prioridade, as quatro principais "frentes
de batalha" que a candidata socialista ao Governo francês, Ségolène
Royal, anunciou hoje, ao pedir o voto de seus compatriotas.
Em discurso de Ano Novo, pronunciado na sede do Partido
Socialista (PS) francês, Royal, que, segundo uma pesquisa da CSA
publicada hoje, venceria o conservador Nicolas Sarkozy com 52% dos
votos, falou sobre suas prioridades, caso chegue à Presidência.
Royal ressaltou sua confiança no potencial da França, e disse que
não fará "nenhum ataque pessoal" na campanha, mas afirmou que
exigirá que "aqueles que estão no poder sejam julgados por seus
atos, e não por suas promessas tardias ou precipitadas demais".
Ela se referia ao compromisso assumido ontem pelo Governo
conservador de aprovar, antes do fim da legislatura corrente, o
direito de todo cidadão a exigir do Estado, na Justiça, uma casa,
tema extremamente controverso na França atual.
"Se a França vai mal, não é pela falta de recursos, mas sim
porque eles são desperdiçados por seus governantes", assegurou
Royal, ao defender "um exercício simples, direto e autêntico do
poder".
A candidata presidencial fez seu discurso em uma sala lotada de
jornalistas na sede do PS, aonde chegou atrasada, e foi embora
imediatamente após o fim de seu pronunciamento.
Sobre a Europa, a última de suas quatro "frentes de batalha"
prioritárias caso chegue ao Palácio do Eliseu, Royal disse que quer
"um continente que proteja das desordens da globalização, que tenha
força e se faça ouvir no mundo e que se mobilize pelo emprego, pelos
direitos sociais e ambientais".
Royal defendeu a reforma das instituições, para que funcionem de
maneira "mais democrática e eficaz".
Ela também anunciou que, nesta quinta-feira, se reunirá em Paris
com os embaixadores dos 27 países-membros da União Européia (UE).
O objetivo é "preparar a Presidência francesa de 2008" da UE.
Royal ressaltou que quer "uma França que volte à mesa de negociações
de uma Europa que proteja, e que prepare o futuro investindo na
pesquisa e na energia".
Ela ressaltou que, em um mundo incerto, e com a emergência de
novas potências, seu país necessita do bloco. Royal quer, no
entanto, que "França e Europa dêem um exemplo, assegurando o
bem-estar das gerações futuras e superando o desafio do
desenvolvimento sustentável".
Porém, a primeira prioridade de Royal, que tem quatro filhos,
"será a das famílias". A candidata socialista disse também que dará
ênfase à solução da crise de habitação vivida atualmente no país.
Ela prometeu a construção de 120 mil casas populares por ano, a
autorização para requisitar moradias vazias, sobretaxar as casas
desocupadas durante mais de dois anos e criar um serviço público de
financiamento para evitar a inadimplência e os despejos, assim como
"empréstimos gratuitos" para facilitar o acesso à propriedade.
Sua segunda frente de batalha será a educação, garantindo que
toda criança menor de três anos tenha vaga em uma creche, para que
as mães possam conciliar a vida profissional e familiar, até a
formação no sistema escolar.
"Nenhum jovem deve permanecer mais de seis meses desempregado,
sem que lhe seja proposta uma formação ou um contrato. Além disso, o
Estado dará um empréstimo de € 10 mil a cada cidadão que atingir a
maioridade, para permitir que construa seu primeiro projeto de
vida", disse.
Sua terceira frente é o desenvolvimento econômico, social e
ambiental da França, que, segundo ela, tem um "potencial
extraordinário". EFE
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