31/12 - 03:46, atualizada às 09:48 31/12 - Redação com agências internacionais
Tikrit (Iraque), 31 dez - O ex-presidente iraquiano Saddam Hussein foi enterrado esta madrugada em Awja, sua aldeia natal, em um túmulo próximo ao de seus dois filhos homens, Uday e Qusay, disseram à Efe fontes de seu clã, al-Bunaser.
O corpo de Saddam foi levado durante a noite de sábado por umhelicóptero militar americano à cidade de Tikrit, capital daprovíncia sunita de Salahaddin, onde fica Awja, cerca de 170quilômetros a norte de Bagdá.
O corpo foi acompanhado pelo governador de Salahaddin, HamadHammoud, e o xeque Ali Yassin al-Nada, chefe do clã, acrescentaramas fontes.
Execução
Saddam foi enforcado neste sábado, entre 5h30 e 5h45 (0h30 e 0h45 de Brasília), em Bagdá, quatro dias após o Tribunal de Cassação ratificar a sentença de morte.
Derrubado em abril de 2003 por uma invasão comandada pelos Estados Unidos, Saddam foi condenado em novembro por crimes contra a humanidade pelas mortes de 148 xiitas de Dujail após uma tentativa de assassinato em 1982.
Julgamento
O ex-presidente iraquiano Saddam Hussein manteve uma postura desafiadora até o final do julgamento que terminou por condená-lo à morte.
Sempre deixando claro que não reconhecia a autoridade do tribunal, o réu chegou a qualificar o processo judicial como uma "comédia" e como um show montado pela coalizão de governo xiita e curda, apoiada pelos Estados Unidos.
Atentados
Horas após o anúncio da morte de Saddam, uma série de atentados deixou 74 mortos e pelo menos 88 pessoas feridas.
A maior parte das vítimas está no bairro de Hurriya, no noroeste da capital, onde a explosão de três veículos deixou 36 mortos e 77 feridos.
Repercussão internacional
O diretor da Anistia Internacional (AI) na Espanha, Esteban Beltrán, afirmou que a execução de Saddam Hussein demonstra que "um julgamento injusto não faz justiça", e demonstrou sua preocupação com as vítimas do regime do ex-presidente iraquiano que não terão "direito à verdade".
O presidente norte-americano George W. Bush, afirmou que a execução de Saddam aconteceu após "um julgamento justo, do tipo que ele negou às vítimas de seu brutal regime".
O presidente Luiz Inácio Lula da Silva condenou o enforcamento do ex-presidente iraquiano e afirmou que o ato não vai resolver os problemas no Iraque, agravados pela influência sobre o governo local das forças de ocupação.
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