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Missão de paz da ONU deixará o Burundi amanhã

30/12 - 10:56 - EFE

Nairóbi, 30 dez (EFE).- A missão de manutenção da paz que a ONU manteve nos últimos dois anos e meio no Burundi diz adeus amanhã ao país africano, onde as armas foram depostas mas a situação política, segundo organizações de direitos humanos, se deteriorou.

No dia 20 de dezembro, as operações de todas as unidades militares foram encerradas e começou a retirada gradual dos 3.200 homens com os quais a missão ainda contava, entre eles militares do Nepal, da Tailândia e da África do Sul, que serão os últimos a deixar o país.

"Os níveis de violência diminuíram muito. Já não ouvimos disparos, ao passo que, antes, todas as noites eram ouvidas trocas de tiros", disse na capital, Bujumbura, o comandante da missão, o general sul-africano Derrick Mgwebi.

Conhecida pela sigla ONUB, a missão, que tomou o lugar da que havia sido enviada anteriormente pela União Africana, foi autorizada em 21 de maio de 2004 pelo Conselho de Segurança da ONU.

O órgão das Nações Unidas determinou que a força apoiasse o processo de paz no país, que tentava de sair de uma guerra civil responsável pela morte de mais de 200 mil pessaos em dez anos.

Meses antes, em dezembro de 2003, as Forças para a Defesa da Democracia (FDD), o maior grupo rebelde envolvido no conflito, havia selado um acordo com o Governo, dentro do qual abandonou as armas e se integrou ao Executivo e ao Exército.

Posteriormente, se tornou o partido político Conselho Nacional pela Defesa da Democracia (CNDD) e venceu as eleições legislativas de julho de 2005, primeiras realizadas de maneira democrática em mais de uma década.

O líder do CNDD, o hutu Pierre Nkurunziza, se tornou o oitavo presidente desta antiga colônia belga cuja história, desde sua independência, em 1962, foi marcada pela violência recorrente entre os hutus (84% da população) e os minoritários tutsis, que dominaram o poder político e econômico, assim como o Exército.

Atualmente, apenas um grupo rebelde permanece ativo, as Forças Nacionais de Libertação (FNL), que também assinaram um cessar-fogo com o Governo.

"Entre as conquistas (da missão) está a realização bem-sucedida das eleições, o cessar-fogo com as FNL e a desmobilização de muitos soldados e a destruição de suas armas", afirmou Mgwebi.

Com a situação da segurança relativamente estável, o Governo do Burundi considerou que a presença da ONUB já não era necessária e o Conselho de Segurança determinou que a mesma fosse extinta em 31 de dezembro de 2006.

"A situação é melhor do que nos últimos anos, mas há muitos temas pendentes, sobretudo em relação à prática democrática e o tratamento dos dissidentes políticos, e até agora o Governo mostrou uma linha bastante dura", opinou Caty Clément, diretora para a África Central da organização International Crisis Group (ICG). EFE ic tc/sc




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