29/12 - 19:08 - Nahum Sirotsky, correspondente iG em Israel
Saddam Hussein foi julgado por tribunal iraquiano. Mas estava em detenção sob responsabilidade americana. Consta que terá sido entregue ao governo al- Maliki que já teria assinado a sentença de morte. Haveria a decisão de enforcá-lo nas próximas horas.
“Saddam será executado hoje, sexta, ou amanha, sábado” afirmou um dos juizes do Tribunal de Apelação do Iraque, Munir Haddad. Ele será o representante do Judiciário no enforcamento. E que, se acontecer, pode resultar em mais violência sectária no Iraque. Pior, provocar manifestações de protesto por todo o mundo árabe e muçulmano com probabilidades de serem violentas. Na mesa de Bush existem inúmeros apelos de altos dirigentes islâmicos para que ainda não se cumpra a sentença que, por lei, tem de ser até 30 dias depois de adotada.
Não há duvidas de que o Iraque, o mundo árabe do Oriente \Médio, o muçulmano em todos os cantos, atravessam momento que tem tudo para escalar para mais violência. Bush e seus conselheiros devem estar em duvidas.
Inúmeros livros sobre a guerra que derrubou Saddam foram publicados nos últimos tempos. O mais interessante, parece ser “State of Denial: Bush at War”, de Bob Woodward, o mais conhecido repórter do “Washington Post” que, junto com o “N. Y. Times” são os dois jornais de maior influencia na vida americana. Woodward fez seu nome quando, junto com um colega, ambos jovens e pouco experientes, realizaram serie de reportagens que derrubaram o governo Nixon, que foram republicados em livro com o titulo de “Os Homens do Presidente” do qual resultou um filme com o mesmo titulo. Ele é dos mais bem informados jornalistas da capital americana. Tem excelentes fontes que lhe contam tudo. Sabe realizar suas pesquisas. Tem um estilo invejável. Da obra dele, como de outros, e de inúmeros artigos e entrevistas escritos por outros jornalistas, conclui-se que a Guerra do Iraque deu no que deu por ter sido realizada com insuficientes conhecimentos americanos sobre o país. Houve erros militares e de ignorância que, revelados, parecem inacreditáveis. .
Os americanos começaram subestimando o inimigo e se superestimando. A liderança civil, fechando os ouvidos ao que diziam militares, considerou que a vitória seria possível com o emprego intensivo de meios aéreos. Em poucos dias Bush anunciou a vitória que resultou, sem duvida, na queda e prisão de Saddam e o começo de operação que ainda continua sem sinal de terminar bem. Houve despreparo de todos os meios. O primeiro governador civil americano no país, não tinha experiência previa de administrador nem compreensão da complexidade da sociedade iraquiana. Não sabia palavra de árabe. Poucos americanos sabiam a língua local e daí se comunicava por meio de interpretes que, como é natural, não eram fieis no seu trabalho. E a primeira grande besteira que o administrador cometeu foi desmontar forças armadas, policiais, as políticas, convencido de que seria possível criar infra-estrutura alternativa de nova gente. Deveria tê-las mantido afastando apenas os oficiais mais graduados, leais a Saddam. Nem por milagre seria possível realizar o que imaginara. E fracassou. Os infantes, que são a tropa que decide guerras, aqueles que ocupam e assumem, vieram em numero insuficiente e igualmente carentes de informação. Assim se entende, e procuro sintetizar o mais possível, o que vem sendo dito. (Também se atribui á guerra de Israel contra o Hizballah à hipótese de ganha-la com o uso da força aérea).
A guerra já teria custado cerca de 360 bilhões de dólares (Word News Links). Os americanos não podem se retirar antes de alcançados alguns de seus objetivos como um governo iraquiano estável e amigo. Não é só a questão de o Iraque ter as segundas maiores reservas petrolíferas conhecidas. Sair do Iraque de rabo entre as pernas é se conformar com a probabilidade do país se transformar em Base dos grupos islamitas radicais. Um modelo para todas elas que operam em seus paises contra os governos existentes. . Exemplo irresistível de táticas a serem empregadas E, devido á composição demográfica do Iraque, viabilizar o aparente plano iraniano de se impor como a potencia dominante no Oriente Médio. Os xiitas são a maiorias no Iraque, exatamente a seita muçulmana do Irã. Os Estados Unidos passariam a viver sob ameaça constante de ataques. O acesso a armas de destruição maciça aos grupos ditos terroristas passaria a ser mais provável no curto prazo.
E não se pode esquecer que Saddam Hussein, sanguinário ditador, é sunita, a seita muçulmana, majoritária por todo o mundo árabe. E do Baath, partido árabe dito socialista. Saddam protegia os sunitas, aos quais dava os apoios governamentais e os cargos. Sacrificou os xiitas. Sunitas e xiitas estão em confronto armado. . O enforcamento de Saddam pode precipitar guerra civil e a implosão do Iraque que sempre foi um país improvisado, da união forçada de etnias e seitas incompatíveis. As massas sunitas do mundo árabe muçulmano tenderão a se sentirem ofendidas e, possivelmente, se agitariam contra minorias xiitas em seus paises. O Oriente Médio poderá explodir. E não se pode esquecer que o atual chefe do governo iraquiano é um xiita. Tudo isto estará sendo apreciado por Bush no que terá de decidir nas próximas horas. São hipóteses que tem todas as características de poderem se transformar em fatos.
O tempo é escasso. A se considerar o que se escreveu sobre Bush, o presidente americano tenderá a arriscar. Que se enforque Saddam. Mas talvez ele pense diferente desde a derrota do seu partido, o Republicano, nas ultimas eleições para o Congresso. Não dá para se afirmar coisa alguma alem da inclinação do presidente iraquiano de aplicar a sentença o mais cedo possível.
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