Moscou, 27 dez (EFE).- A Rússia lançou hoje um foguete Soyuz-2
para colocar em órbita o satélite astronômico europeu Corot,
destinado à detecção de planetas fora do Sistema Solar e à
exploração da composição interior das estrelas.
A missão Corot, calculada para um prazo de dois anos e meio, é de
responsabilidade da Agência Espacial Francesa (CNES), e conta com
participação da Agência Espacial Européia (ESA), Brasil, Espanha,
Alemanha, Áustria e Bélgica.
A Agência Espacial Brasileira (AEB) informou que "é a primeira
vez que astrônomos brasileiros participam da construção de um
satélite científico, com os mesmos direitos de seus parceiros
europeus de explorar os dados científicos a serem obtidos".
Segundo a mesma fonte, cerca de 70 astrônomos e estudantes dos
principais centros de pesquisa astronômica do país (UFRN, INPE,
UNESP, Universidade Mackenzie, Laboratório Nacional de Astrofísica,
UFMG, UFRJ, ON/MCT, UFSC e UFRGS) participarão das observações do
satélite.
O lançamento do foguete portador Soyuz, dotado de um bloco de
aceleração Fregat, aconteceu às 12h23 de Brasília, da base de
Baikonur (Cazaquistão, Ásia Central), informou a agência espacial
russa Roscosmos.
Nove minutos após a decolagem, o satélite se separou do foguete
para ser levado à órbita pelo bloco de aceleração, informou um
porta-voz da Roscosmos à agência "Interfax".
Para isso, acrescentou, o Fregat pôs seus propulsores em
funcionamento por duas vezes, e separou-se do satélite 50 minutos
após o lançamento.
Inicialmente, o lançamento estava programado para o dia 21 deste
mês, mas um vazamento detectado em uma membrana de um depósito no
foguete Soyuz motivou o adiamento da decolagem para hoje.
O satélite, fabricado pela companhia Alcatel Alenia Spase, tem
uma massa de 630 quilos e foi colocado em uma órbita com uma
inclinação de 90 graus em relação à Terra, a uma altura de 896
quilômetros em perigeu (ponto da órbita mais próximo do centro da
Terra) e 915 quilômetros em apogeu (ponto mais distante).
Corot é o acrônimo de "Convecção, Rotação e Trânsitos
planetários", pois o satélite é capaz de explorar o interior estelar
estudando as ondas acústicas que atravessam a superfície das
estrelas, uma técnica chamada astrossismologia.
A palavra "Trânsito" deve-se à utilização de uma técnica que
permite deduzir a presença de um planeta a partir do enfraquecimento
na luz da estrela produzida quando este passa em frente ao astro.
Para cumprir seu duplo objetivo científico, o Corot, que inaugura
uma nova etapa na busca de planetas em torno de estrelas que não o
Sol, vigiará cerca de 120 mil estrelas com seu telescópio de 30
centímetros.
Na década transcorrida desde a primeira descoberta de um planeta
extra-solar ou exoplaneta, em 1995, foram identificados mais de 200
desses corpos celestes fora do sistema solar, embora a busca tenha
sido feita principalmente com telescópios baseados na Terra, segundo
a ESA.
Muitos dos planetas a serem descobertos pelo Corot provavelmente
serão dos chamados "Júpiter quentes", ou seja, gigantes gasosos,
embora também haja expectativas de que sejam encontrados planetas
rochosos, talvez um pouco maiores que a Terra ou até mesmo menores.
Quando o Corot, que será colocado em uma órbita polar, observar
uma estrela, também será capaz de detectar "terremotos estelares",
ondas acústicas geradas no interior profundo da estrela e que são
transmitidas ao longo da superfície desta, alterando seu brilho.
Este é o 25º lançamento de um foguete espacial realizado pela
Rússia este ano e o 17º feito em Baikonur, a principal base da
antiga União Soviética e que Moscou aluga do Cazaquistão. EFE
se pk/ep