25/12 - 13:22 - Reuters

Por Jonathan Saul BELÉM (Reuters) - Centenas de peregrinos comemoraram o Natal em Belém nesta segunda-feira, mas moradores palestinos dissram que há pouco motivo para alegria na cidade que os cristãos consideram o local do nascimento de Jesus.
O presidente palestino, Mahmoud Abbas, participou datradicional missa da meia-noite ao lado de algumas centenas defiéis na Igreja da Natividade. Na manhã desta segunda-feira, aPraça da Manjedoura foi tomada pelo som de canções e dos sinosde igrejas.
'Precisamos ainda mais de paz agora', disse Hanna abu Eita,critão de 60 anos. Só queremos uma chance para viver.'
Autoridades locais dizem que entre 8.000 e 10.000peregrinos vão visitar Belém neste Natal, comparados aos 2.000do ano passado.
Mas moradores e comerciantes dizem que as estimativasparecem altas e que árabes israelenses, e não peregrinosestrangeiros, são a maioria dos visitantes.
O Exército de Israel relaxou as restrições de viagens parapermitir que estrangeiros, israelenses e palestinos cristãos daCisjordânia e de Gaza visitem a cidade no Natal.
Mas moradores dizem que os postos militares e a barreiraisraelense que passa por terras onde os palestinos queremformar um estado são lembranças constantes de que há poucomotivo para celebrar.
Um muro de concreto com portão de ferro bloqueia a entradaa Belém na estrada que liga a cidade a Jerusalém.
Israel afirma que a barreira, uma mistura de grades e murosde concreto, evita a entrada de homens-bomba às suas cidades.
Centenas de peregrinos se reuniram na Praça da Manjedoura,decorada com luzes coloridas e árvores de Natal. Também houvereunião de fiéis na gruta da Igreja da Natividade.
Mas seis anos depois do início do levante palestino, equase um ano depois da vitória eleitoral do grupo islâmicoHamas, as dificuldades na Cisjordânia ocupada aumentaram.
A comunidade palestina cristã de Belém está diminuindo evive sob pressão do conflito com Israel e das sançõeseconômicas ocidentais contra o governo palestino liderado peloHamas.
'O Natal tranquilo e as luzes são uma ilusão', disse Khaled Bandak, 39, dono de um hotel na cidade.
'As pessoas não tem dinheiro para gastar. Os cristãos estãosaindo porque a situação está muito ruim. O clima é triste',disse. 'Você vê sorrisos, mas por dentro não estão sorrindo.'
Mais de 3.000 cristãos, cerca de 10 por cento da populaçãocristã de Belém, deixou a cidade desde o ano 2.000, de acordocom estatísticas da ONU.
'Belém fica tão bonita no Natal, comparada ao restante doano', disse Charles Radloss, norte-americano de 78 anosparticipou da missa da meia-noite. 'As pessoas deveriam poderficar alegres o tempo todo, principalmente na Terra Santa.'
Na missa, o líder da Igreja Católica Romana na Terra Santa,o patriarca Michel Sabbah, que é palestino, pediu o fim da lutaentra as facções palestinas e a retomada do processo de pazentre palestinos e israelenses.
O turismo, principal fonte da economia de Belém, caiu muitonos últimos seis anos. O número médio de visitantes caiu de100.000 antes do levante palestino para 20.000 por mês. Odesemprego na cidade é estimado em 65 por cento.
As sanções ocidentais ao governo do Hamas atingiu osfuncionários públicos e muitos estão há meses sem recebersalário. O Ocidente quer que o Hamas, que defende a extinção deIsrael, mude sua posição para retomar a ajuda.
(Colaborou Said Ayyad)
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