1968: ano mundial de todas as revoltas

1968 foi um ano de revoltas tanto no Leste como no Oeste. A juventude, que queria mudanças e contestava a sociedade exigia mais liberdade num mundo asfixiante rejeitando a ordem estabelecida e a sociedade de consumo.

AFP |

A denúncia da guerra americana no Vietnã era o ponto de convergência dos contestatários que bradavam "US Go Home!".

JANEIRO: a ofensiva do Tet

As forças norte-vietnamitas atacavam centenas de cidades do sul, entre elas Hue e Saigon. Esta ofensiva surpresa, que causa comoção na opinião pública americana e desacredita o governo Lyndon Johnson, mostra que uma guerrilha pode desafiar o até então incontestável poderio bélico dos Estados Unidos.

MARÇO: Nanterre se agita

Em resposta à detenção do comando que atacara a fachada de um prédio da American Express no centro de Paris, queimando uma bandeira norte-americana, os estudantes anarquistas, liderados por Daniel Cohn-Bendit, ocuparam a torre administrativa da Universidade de Nanterre e criaram o "Movimento 22 de Março".

ABRIL: assassinato de Martin Luther King

Militante incansável contra a segregação racial nos Estados Unidos, o pastor negro (Prêmio Nobel da Paz 1964) foi assassinado no dia 4 por um segregacionista branco em Memphis (Tennessee). Os distúrbios abalavam as grandes cidades norte-americanas, incluindo Washington. Pouco depois, o presidente Johnson assinava a lei dos direitos cívicos, exigida por King.

MAIO: a insurreição parisiense

A agitação universitária se transformava em insurreição na noite de 10 para 11 de maio, com barricadas e incêndios de viaturas policiais no Quartier Latin. Uma greve geral lançada no dia 13 paralisava o país. Desconcertado a princípio, o governo se recupera, organiza no dia 30 uma enorme manifestação de apoio ao presidente Charles de Gaulle, que declara: "Não sairei", antes de vencer as eleições legislativas de junho.

Enquanto a agitação causada pelos protestos contra a guerra do Vietnã se instala nos campi norte-americanos, o "maio parisiense" se estende à Itália, Alemanha (onde Rudi Dutschke, representante estudantil mais conhecido, é vítima de uma tentativa de assassinato), ao Brasil, à Turquia e ao Japão.

JUNHO: um segundo Kennedy assassinado

No dia 5 de junho, na noite de sua vitória nas primárias democratas da Califórnia, o senador Robert Kennedy, irmão mais novo de John Kennedy, assassinado em 1963, recebe vários tiros à queima-roupa disparados pelo palestino Sirhan Sirhan, e morre no dia seguinte.

JULHO: fome em Biafra

Tragicamente famosa pelas imagens da fome difundidas pela mídia, a guerra de Biafra, iniciada em 1967 pela luta separatista dessa região do leste da Nigéria, desencadeia um movimento humanitário internacional.

AGOSTO: repressão à "Primavera de Praga"

Nomeado secretário do Partido Comunista tchecoslovaco em janeiro, Alexander Dubcek instaura a experiência original do "socialismo com face humana" e liberaliza o regime, algo inaceitável para Moscou, que no dia 21 envia os tanques do Pacto de Varsóvia para sufocar os anseios por democracia.

OUTUBRO: massacre no México

Entre 200 e 300 estudantes mexicanos que realizavam manifestações desde o início do verão morrem após terem sido atacados pelas forças de ordem no dia 2 de maio na Praça das Três Culturas na capital, dez dias antes da abertura dos Jogos Olímpicos, quando, diante das câmeras de televisão de todo o mundo, dois atletas afro-americanos sobem ao pódio com os punhos erguidos com luvas negras.

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