Promotores de Cuiabá pedem apuração de responsabilidade de senador eleito em superfaturamento de R$ 44 milhões

Cinco promotores de Cuiabá protocolaram um pedido junto ao Ministério Público de Mato Grosso para que o ex-governador e senador eleito Blairo Maggi (PR) seja investigado por suposto envolvimento na compra superfaturada em R$ 44 milhões de maquinários pelo Governo.

O ofício foi encaminhado ao procurador-geral de Justiça, Marcelo Ferra, que, conforme a Constituição tem a prerrogativa para investigar um ex-governador.

O documento foi assinado pelos promotores Mauro Zaques, Gilberto Gomes, Célio Fúrio, Clóvis de Almeida Júnior e Gustavo Dantas Ferraz.

As 705 máquinas e caminhões foram adquiridos pelo programa “MT 100% Equipado” ainda na gestão de Maggi. 

Por ser a maior compra já realizada pelo Executivo estadual, os promotores argumentam que somente seria passível de ser fraudado com a conivência e participação direta da “alta cúpula do Governo”.

Nesse caso, os representantes do MP afirmam no ofício, que é necessário avaliar qual “o envolvimento, ou não, de Blairo Maggi nesses fatos, resta transparente a conduta ímproba de seus secretários de Estado”.

Os ex-secretários de Infraestrutura e de Administração do Estado, Vilceu Marchetti e Geraldo De Vitto, respectivamente, são apontados como os mentores das fraudes nas licitações 87 e 88/2009.
Eles deixaram os cargos logo após o escândalo.

O promotor de Defesa do Patrimônio Público e da Probidade Administrativa, Mauro Zaque, chegou a ingressar com duas ações civis públicas contra os ex-secretários e também pediu a prisão de ambos.

No documento, os promotores apontam ainda que o fato de Blairo Maggi ter denunciado o caso de superfaturamento, em março deste ano, não afasta uma possível participação dele no esquema. 

“Isso não constitui elemento capaz de afastar uma possível investigação sobre a forma como conduziu (na condição de governador do Estado) a viciada aquisição”, destaca.

O sobrepreço na compra foi confirmado pela própria Auditoria Geral do Estado (AGE) ao emitir um relatório da compra.

O procurador-geral, Marcelo Ferra, declarou que não tomou conhecimento do teor do ofício.

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