"Tio Boonmee" é radicalmente original

Ganhador da Palma de Ouro, tailandês Apichatpong Weerasethakul fascina

Ricardo Calil, colunista do iG |

Divulgação
O sobrenatural em "Tio Boonmee, que pode recordar suas vidas passadas": diferente de tudo
No última mostra Indie , houve uma retrospectiva abrangente dedicada ao tailandês Apichatpong Weerasethakul, um nome tão essencial quanto impronunciável do cinema contemporâneo. Mas faltou justamente o filme que representou sua consagração internacional: “Tio Boonmee, que pode recordar suas vidas passadas”, ganhador da Palma de Ouro no Festival de Cannes 2010. Agora os cinéfilos paulistas poderão preencher essa lacuna graças à Mostra de Cinema de São Paulo. “Tio Boonmee” deixa aquela transcendente – e cada vez mais rara - sensação de se deparar com uma obra de arte radicalmente original.

A sinopse não dá conta de toda a liberdade narrativa do filme, mas fornece algumas pistas: “Sofrendo de insuficiência renal, Tio Boonmee resolve passar os últimos dias de sua vida recolhido em uma casa perto da floresta e ao lado de entes queridos. Durante um jantar com a família, o espírito de sua esposa falecida aparece para ajudá-lo em sua jornada final. A eles se junta Boonsong, filho de Boonmee que retorna após muito tempo metamorfoseado em uma espécie de macaco de olhos vermelhos. Juntos, eles percorrerão o interior de uma caverna misteriosa, onde Boonmee nasceu em sua primeira vida.” Em meio a espíritos e macacos, há ainda cenas como a de um bagre fazendo sexo com uma princesa.

Mas o mais interessante de “Tio Boonmee”, e da obra de Weerasethakul (também conhecido como Joe no Ocidente) como um todo, é o que o cineasta tailandês nunca busca o inusitado pelo inusitado, o efeito pelo efeito, o artístico pelo artístico. Ao contrário, um tom de serenidade, graça e despretensão – tão distante do “cinema de arte” consagrado em festivais - percorre seus filmes. Graças a essa sabedoria, Joe pode unir em “Tio Boonmee” espíritos e macacos, passado e presente, sagrado e mundano, real e fantástico. Todos convivem na mesma narrativa harmoniosamente, sem maiores pompas e sobressaltos.

É um cinema baseado na imagem, com longos e sofisticados planos-sequência (tomadas sem cortes). Mas com alguns dos melhores diálogos que vi em algum tempo no cinema. Como na cena em que a esposa morta diz a Boonmee: “O céu é superestimado”. O mesmo não pode ser dito de Joe.

Serviço – "Tio Boonmee" na Mostra de São Paulo
Direção de Apichatpong Weerasethakul(Tailândia), 113 minutos
Reserva Cultural 1, 28/10 (quinta), 22h00, sessão 656
Unibanco Arteplex 3, 29/10 (sexta), 23h10, sessão 719
Unibanco Arteplex 1, 30/10 (sábado), 17h50, sessão 819
Reserva Cultural 1, 31/10 (domingo), 19h20, sessão 988
Unibanco Arteplex 2, 02/11 (terça), 21h00, sessão 1120

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