"Sentimento de Culpa" mistura morte, velhice e adolescência

Longa-metragem traz à tona temas incômodos de forma leve e até cômica

Camila de Lira, iG São Paulo |

Divulgação
Catherine Keener e Oliver Platt em "Sentimento de Culpa": título nacional faz jus ao filme
Enquanto alguns lamentam a morte dos parentes, Kate (Catherine Keener) e Alex (Oliver Platt) comemoram. Donos de uma loja de antiguidades, eles têm um trabalho bem simples, apesar de mórbido: compram móveis antigos de pessoas, principalmente velhinhas, que já morreram. É por aí que inicia a trama de “Sentimento de Culpa”, incluído na programação da Mostra de São Paulo, com estreia no Rio de Janeiro nesta sexta-feira (29).

Não felizes em explorar a morte em âmbito pessoal, Kate e Alex a levam para dentro de casa. Os dois compraram um apartamento ao lado de Andra (Anna Guillbert), avó de Rebecca (Rebecca Hall) e Mary (Amanda Peet). Por isso, ficam na espera de que a senhora de 98 anos morra. Nesse ínterim, temos também a filha do casal, Abby (Sarah Steele), na clássica luta que é entrar na adolescência.

É dessa forma, com uma mistura de morte, velhice e questionamentos adolescentes, que “Sentimento de Culpa” se tece. Tudo que as personagens fazem é perfeitamente justificado durante o filme, o que não quer dizer que essas explicações sejam convincentes. A velhice de Andra justifica as palavras e atitudes rudes em relação à neta e aos outros. A pouca idade de Abby justifica suas preocupações excessivas com as espinhas. O trabalho de Kate justifica sua necessidade quase doentia de dar dinheiro aos menos afortunados.

O título original, "Please Give" (por favor, doe) não diz tanto quanto o traduzido. A culpa é um sentimento constante, seja de forma pesada, como no desejo de Kate de melhorar o mundo através das doações que faz, seja de maneira subentendida, como na relação entre Mary, Rebecca e Andra. Ou até mesmo de um jeito punitivo, personificado pela figura de Alex.

Em “Sentimento de Culpa”, é difícil precisar quem é, exatamente, a protagonista. A única certeza é que se trata de uma figura feminina. Keener assume a liderança nos momentos dramáticos, enquanto Amanda Peet leva a melhor quando o filme pende para a comédia. Já Rebecca Hall e Anna Guillbert conseguem roubar qualquer cena em que aparecem – a primeira com uma atuação melancólica e doce, a segunda com grandes momentos da famosa "vergonha alheia".

Difícil também é rotular o filme em comédia ou drama. Pela temática, ele seria dramático. Mas a maneira leve com que Nicole Holofcener o dirige e roteiriza faz com que não se tenha uma sensação de "nó no estômago" no final. Um detalhe a ser notado é a trilha sonora, feita pelo brasileiro Marcelo Zarvos: composta de folks moderninhos (parecida com a de “Juno”) e pops melódicos, dá ao filme um ar calmo, quase juvenil.

Serviço – “Sentimento de Culpa” na 34ª Mostra de São Paulo
Direção de Nicole Holofcener (EUA), 91 minutos
Cinemark Cidade Jardim 5, 30/10 (sábado), 21h00, sessão 903

Assista ao trailer de “Sentimento de Culpa”:

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