Obras-primas restauradas são destaques da Mostra de SP

"Taxi Driver", de Martin Scorsese, e "Laranja Mecânica", de Stanley Kubrick, estão entre os clássicos exibidos nesta edição do evento

Ricardo Calil, colunista do iG |

A novidade, a aposta e o risco continuam sendo as principais características da seleção da Mostra de Cinema de São Paulo . Mas, para quem busca o prazer do clássico consagrado, a satisfação garantida da obra-prima, a edição deste ano traz várias alternativas essenciais.

Além das retrospectivas dedicadas aos cineastas Elia Kazan, Sergei Paradjanov e Aleksei German, há um pequeno, mas fortíssimo recorte de filmes monumentais em cópias restauradas. São eles: “Taxi Driver” (1976), de Martin Scorsese, “Laranja Mecânica” (1971), de Stanley Kubrick, “1900” (1976), de Bernardo Bertolucci, “A Doce Vida” (1960), de Federico Fellini, e “O Leopardo” (1963), de Luchino Visconti – estes dois últimos em comemoração ao centenário de Nino Rota, autor de suas trilhas sonoras.

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Em resumo, é o melhor dos melhores. Todos os filmes selecionados representam pontos altos das carreiras de alguns dos maiores nomes da história do cinema. É possível argumentar que “Touro Indomável” é um Scorsese da mesma estatura de “Taxi Driver”. Que “2001” está no nível de “Laranja Mecânica”. Que “A Estrada da Vida” não é menos interessante que “A Doce Vida” e assim por diante. Mas ninguém, em são consciência, poderá negar que sejam filmes incontornáveis para qualquer cinéfilo que se preze.

Ainda que tenham sido feitos em três países diferentes (EUA, Inglaterra e Itália), com uma distância de 16 anos entre o mais antigo e o mais recente, dá para afirmar que os cincos ocupam o mesmo espaço no imaginário coletivo do amante do cinema: a era de ouro dos grandes autores. Um tempo em que cineastas de vários cantos do planeta – influenciados pelos rebeldes de Hollywood, pelos neorrealistas italianos e pelos nouvellevaguistas franceses, entre outras fontes – decidiram fazer obras pessoais e arriscadas, com narrativas pouco convencionais e experimentações de linguagem, e ainda assim conseguiram conjugar o sucesso de crítica e de público.

Alguém poderá lembrar que esses cinco filmes circulam pela TV, pelo DVD e pelos sites de compartilhamento. É verdade. Mas ainda não inventaram um substituto à altura para a experiência de vê-los no cinema, em cópias restauradas, de 35 mm, na presença de pessoas desconhecidas que se sentem igualmente abençoadas por aquela oportunidade.

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