Dançarinas burlescas estrelam "Turnê"

Premiado em Cannes, francês Mathieu Almaric prova ser grande ator e diretor

Ricardo Calil, colunista do iG |

Divulgação
Uma das atrizes-dançarinas de "Turnê", de Mathieu Almaric, no palco: atitude punk e feminista
Já consagrado como um dos maiores atores franceses de sua geração, em filmes como “O Escafandro e a Borboleta”, “Reis e Rainha” e “A Questão Humana”, Mathieu Almaric se tornou um dos cineastas mais promissores de seu país.

Depois de dirigir alguns curtas e longas bem-recebidos, como “Tome sua Sopa” (1997) e “La Chose Publique” (2003), Almaric apresentou este ano em Cannes seu novo trabalho, “Turnê” (“Tournée”, no original), e saiu de lá com os os prêmios de melhor direção e da associação de críticos Fipresci. Merecidos. “Tournée” revela um cineasta maduro, esteticamente refinado e – essa era de se esperar – um excelente diretor de atores.

Almaric é também o protagonista de “Turnê”. Ele interpreta Joachim, um produtor francês que contrata um grupo de artistas americanas para um tour pela França. Não artistas quaisquer: elas são integrantes do movimento americano chamado de “novo burlesco”, que mistura os velhos shows de strip tease e números musicais com uma atitude mais punk e feminista.

No filme, artistas burlescas interpretam a si mesmas, com seus nomes “reais”, como Dirty Martini, Mimi le Meaux e Roky Roulette. E Almaric consegue extrair delas – que não são exatamente atrizes completas – interpretações bastante convincentes.

A turnê do título é a última cartada de Joachim para dar a volta por cima, depois de ter se separado da mulher e brigado com seus ex-parceiros. Mas, ao chegar à França, ele descobre que não tem nenhuma casa para se apresentar em Paris e que sua grana está acabando. Ainda assim, ele não perde a pose diante de suas artistas e continua a tratá-las com todos os luxos.

“Turnê” intercala os dramas de Joachim com as desventuras das garotas – marcadas por farras, mas também por muita solidão –, contrapõe um macho alquebrado e franzino com fêmeas altivas e voluptuosas. Ele tenta manter o controle da situação, elas sempre dão a palavra final. Mas este é um filme pós-feminista, em que um empresário falido e artistas desgarradas se unem para formar uma nova família, em substituição às antigas e em torno do show business.

Almaric faz um obra de arte sofisticada que não deixa de ser uma ode ao entretenimento vulgar. De quebra, consegue provar, num mesmo filme, que é grande como ator e também como cineasta. Não é para qualquer um.

Serviço – "Turnê" na Mostra de São Paulo
Direção de Mathieu Amalric (França), 111 minutos

Reserva Cultural 1, 22/10 (sexta), 19h40, sessão 69
Reserva Cultural 1, 23/10 (sábado), 22h00, sessão 174
Espaço Unibanco 3, 24/10 (domingo), 22h00, sessão 268
Unibanco Arteplex 3, 25/10 (segunda), 21h50, sessão 325

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