"Cyrus" é drama incômodo e sem grandes surpresas

Filme retrata difícil relação de divorciado com o filho adolescente da namorada

Guss de Lucca, iG São Paulo |

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John (John C. Reilly) e Cyrus (Jonah Hill) em cena de "Cyrus": relação permeada por dúvida e incômodo
"Cyrus" é um filme incômodo. E quanto mais seu personagem principal, o editor divorciado John, entra na vida de seu novo interesse romântico, a mãe solteira Molly, mais o incomodo aumenta – tanto para ele quanto para a plateia, que passa mais da metade da projeção sem entender quais são as reais intenções de Cyrus, o peculiar filho da moça.

No início do filme, a vida de John parece deveras vazia. Enquanto sua ex-esposa, de quem se divorciou há sete anos, prepara um novo casamento, ele se afunda em solidão e parece não acreditar que sua vida possa melhorar. Estimulado por alguns drinques, o solteirão tenta interagir com mulheres em uma festa e, sem perceber, atrai a atenção de Molly, que não perde o interesse mesmo depois de ouvir o próprio se definir como o ogro Shrek.

O problema é que Molly tem um filho de 21 anos, Cyrus, um jovem de difícil leitura com quem mora até hoje e que, desde o princípio, não deixa clara sua opinião sobre a relação da mãe com John – o ator Jonah Hill, mais conhecido pelas comédias "Superbad - É Hoje" e "O Pior Trabalho do Mundo", se supera ao causar desconforto no papel do estranho adolescente, fazendo uso de seu tamanho avantajado e um olhar vazio.

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Após o sucesso "O Lutador", Marisa Tomei retorna às telas em mais um papel dramático em "Cyrus"
Além dele, John C. Reilly se encaixa perfeitamente no papel do receoso John, enquanto Marisa Tomei continua provando ser merecedora do Oscar recebido em 1992 por "Meu Primo Vinny" – depois de "O Lutador", a atriz volta em outra boa atuação dramática.

O erro é comprar o filme como uma comédia – e o trailer pode colaborar com esse engano. "Cyrus" é na verdade um drama com momentos curiosos e muito incômodos – em parte auxiliados pela câmera dirigida pelos irmãos Jay e Mark Duplass, que parece colaborar para que o desconforto exista e em diversos momentos revela-se indecisa quanto ao seu papel, alternando closes e parecendo tentar ajustar-se às situações em tempo real.

Mas não há com o que se preocupar. Mesmo sem surpresas, a dupla de diretores não custa para acabar com o mistério da relação entre Molly e Cyrus, entregando ao público – e ao incomodado John – o que está acontecendo.

Serviço – "Cyrus" na Mostra Internacional de São Paulo
Direção de Jay Duplass (EUA), 91 minutos
Cinemark Shopping Eldorado 7, 22/10 (sexta), 21h00, sessão 86
Cinemark Cidade Jardim 5, 24/10 (domingo), 21h00, sessão 290
Unibanco Arteplex 3, 27/10 (quarta), 16h30, sessão 510
Espaço Unibanco Pompeia 1, 29/10 (sexta), 22h10, sessão 796

Assista abaixo ao trailer de "Cyrus":

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