Camila Pitanga se entrega em novo filme de Beto Brant

"Eu Receberia as Piores Notícias dos Seus Lindos Lábios" marca auge da parceria do diretor com Renato Ciasca

Marco Tomazzoni, iG São Paulo |

A parceria de Beto Brant e Renato Ciasca atingiu seu auge. Antes, a dupla só dirigiu junta o belíssimo "Cão Sem Dono" (2007), mas há mais de 20 anos Ciasca acompanha Brant, seja como produtor ou roteirista.

Agora, com "Eu Receberia as Piores Notícias dos Seus Lindos Lábios", baseado no livro de mesmo nome de Marçal Aquino (outro colaborador frequente dessa turma), criaram um espetáculo audiovisual de tirar o fôlego. À linha de frente, uma estrela desnuda: Camila Pitanga, premiada no Festival do Rio .

Divulgação
Camila Pitanga em "Eu Receberia as Piores Notícias dos seus Lindos Lábios"
Na pele de Lavínia, a atriz é o vértice de um triângulo amoroso explosivo. No interior do Pará, a ex-prostituta está casada com o pastor Ernani (Zecarlos Machado), influente figura local, mas cede à sedução do fotógrafo Cauby (Gustavo Machado), forasteiro que trabalha para a imprensa da cidade.

Veja outros destaques desta segunda-feira na Mostra de Cinema de São Paulo

O conflito de Lavínia, dividida entre o marido, que a tirou das ruas, e a paixão por Cauby pontua toda a história – a tensão e o drama são palpitantes. Curioso é que Zecarlos e Gustavo interpretaram há pouco tempo um casal gay nas telas, em "As Melhores Coisas do Mundo" (2010).

"Eu Receberia" depura a estética do agreste iniciada pelo próprio Brant em "Os Matadores" (1997) e replicada recentemente em "Cabeça a Prêmio" e "A Festa da Menina Morta". Os personagens são ricos, complexos, e glamorizados por um verniz intelectual, caboclos literatos – o pastor possui fala erudita, o fotógrafo tem um olhar artístico apurado e o jornalista Viktor Laurence, coadjuvante de luxo vivido por Gero Camilo, declama poesias como se estivesse num palco.

Divulgação
Gustavo Machado, o sedutor fotógrafo forasteiro
O teatro funciona mesmo como uma referência para o filme, em especial pelo uso extenso de planos-sequência (longas cenas sem cortes) e por tudo ter sido gravado com steadicam, tecnologia celebrizada por Hollywood em que não há qualquer tremor na câmera, mesmo com ela em movimento – cortesia do diretor de fotografia Lula Araújo, experiente no formato.

Fica difícil segurar o queixo com o balé coordenado por Brant e Ciasca. Os personagens parecem dançar enquanto desfiam seus dramas e o resto do mundo fica ali, imerso e inebriado naquele universo.

A opção por marcar a passagem de tempo e a mudança de sequências sempre com o fade-out (a tela escurece, vai e vem toda hora) soa como um solavanco nessa viagem à Amazônia. Um pequeno desconforto que se releva. Afinal, "Eu Receberia" é tão intenso, tão palpável, que não seria isso a atrapalhar.

A heroína de toda essa jornada, mesmo em meio a um elenco expecional, é Camila Pitanga, com aquela voz rouca e sorriso para desarmar qualquer um. A atriz se submete a tudo e se expõe completamente, corpo e sentimentos: nudez frequente, cenas suadas de sexo e até vômito diante das câmeras. Comprometimento impressionante e de aplaudir com vontade.

null

    Leia tudo sobre: Mostra de são pauloCinemaCamila PitangaBeto Brant

    Notícias Relacionadas


      Mais destaques

      Destaques da home iG