Domingos de Oliveira recebe prêmio na Mostra de São Paulo

"Cinema brasileiro não está tão bem como dizem os industrialistas", disse o cineasta carioca, agraciado com o prêmio Leon Cakoff

Marco Tomazzoni - iG São Paulo |

Com dois filmes na Mostra Internacional de São Paulo , o diretor Domingos Oliveira recebeu na noite desta quinta-feira (25), no Cinesesc, o prêmio Leon Cakoff, homenagem máxima do evento. Até o ano passado chamado Humanidade, o troféu, agora com o nome do fundador da Mostra, foi entregue ao cineasta, que usava gravata branca e paletó brilhoso, pela atriz portuguesa Maria de Medeiros.

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Aline Arruda/Agência Foto
Domingos Oliveira recebe o Prêmio Leon Cakoff de Renata de Almeira e da atriz portuguesa Maria de Medeiros

"Sempre fico encabulado de receber palmas de um público que ainda não viu o filme", comentou Domingos, já que a cerimônia antecedeu a exibição do inédito "Paixão e Acaso". Mas era só modo de dizer: na sessão anterior, "Primeiro Dia de um Ano Qualquer" , seu outro filme na programação, ganhou aplausos efusivos.

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Mario Miranda/Agência Foto
Domingos Oliveira no projeto Filmes da Minha Vida, no dia anterior: "cinema não é um negócio"

"Domingos tem o verdadeiro espírito do cinema independente, uma lição para jovens e velhos cineastas. Ele tem seu universo próprio desde o Cinema Novo, é admirável", afirmou a diretora-geral da Mostra, Renata de Almeida.

Cria do teatro , Domingos Oliveira estreou no cinema com "Todas as Mulheres do Mundo" (1967), longa-metragem mais importante de sua carreira. Nele, através do alterego interpretado por Paulo José, ilustra seu romance com Leila Diniz, com quem foi casado durante anos. "Edu Coração de Ouro", "Separações", "Feminices" e "Todo Mundo Tem Problemas Sexuais" são só exemplos de uma filmografia extensa – "É Simonal!", de 1970, será exibido no Vão Livre do Masp .

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Aos 76 anos, o diretor nos últimos tempos só faz filmes de baixo orçamento. "Está muito difícil fazer cinema, de conseguir dinheiro", disse ele. "Primeiro Dia de um Ano Qualquer", por exemplo, foi feito com R$ 30 mil e gravado na casa da atriz Maitê Proença, uma das protagonistas.

"Não acho que o cinema brasileiro está tão bem como dizem os industrialistas", defendeu o diretor ao ler seu discurso de agradecimento. "O cinema não é basicamente uma indústria, nem um negócio: é um instrumento poderoso para criar um mundo melhor com a arte."

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