Túmulo de Michael Jackson não poderá ser visitado; conheça o histórico do cemitério

GLENDALE, Califórnia ¿ A vida de Michael Jackson foi encenada no palco mundial, com manchetes gritando cada um de seus movimentos e frenesi seguindo seus passos. Sua morte, seu memorial comemorativo e a investigação que se seguiu ampliaram o delírio e prolongaram a angústia da família e dos fãs. Nesta quinta-feira (03), ele será enterrado no cemitério Forest Lawn Glendale em um monumento escondido dentro de um enorme mausoléu feito de mármore.

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Haverá apenas silêncio. Nenhuma marquise, nenhum refletor, nenhum paparazzo. Ele será envolvido pela grandeza do local, a majestade dos edifícios e a simbologia da história.

No Grande Mausoléu, ele se unirá a lendas de Hollywood como Clark Gable, Jean Harlow, W.C. Fields e Red Skelton, bem como à recriação em vitral da pintura "A Última Ceia", de Leonardo da Vinci, e "Moisés", uma reprodução da escultura de Michelangelo que adorna a tumba do Papa Julius II em Roma.  No topo de um morro perto dali, estão as duas maiores pinturas do mundo, "A Crucificação" e "Ressurreição."

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Entrada do Parque Forest Lawn, conhecido como o "cemitério das celebridades"

Como muitas das pessoas enterradas no local, o parque também se tornou uma lenda. Fundado em 1906 por um grupo de executivos em 55 acres de ladeiras na cidade de Tropico (depois Glendale), não havia floresta ou gramado no local, apenas um pardo cemitério tradicional com lápides de granito e mensagens elaboradas.

Até que Hubert Eaton chegou em 1912 aos 31 anos, de acordo com documentos do Forest Lawn. Ele havia se formado na faculdade em Missouri, cuidado de gado em Montana e perdido uma pequena fortuna em uma mina de prata em Nevada. Então, assumiu o trabalho como gerente de vendas do cemitério para poder pagar os financiadores de sua mina.

Eaton convenceu as pessoas a comprarem terrenos antes de sua morte. Depois de apenas um ano, ele tinha aumentado as vendas em 250%. Depois de três anos, elas haviam multiplicado tanto que ele pode comprar parte da companhia e foi nomeado seu gerente geral.

Apesar da resistência do conselho administrativo, de fabricantes de monumentos, da comunidade e de clientes, Eaton eliminou lápides para que grama pudesse ser plantada e gramados ceifados; ele renunciou ao nome "cemitério", mudando-o para "parque memorial"; começou a colecionar obras de arte de primeira classe ou reproduções detalhadas; e acrescentou mausoléus, acres, árvores, floristas, loja de presentes e capelas que são usadas para funerais e casamentos.

Em 1933, Eaton foi o primeiro a combinar um necrotério com um cemitério, superando a oposição de agentes funerários, fabricantes de caixões e o Estado. Hoje, o parque Glendale cobre 300 acres e emprega 150 pessoas.

O parque foi dividido em seções como Slumberland (Terra do Repouso), Babyland (Terra dos Bebês), Graceland (Terra da Graça) e Inspiration Slope (Declive da Inspiração). Você pode achar lugares para imortalidade, afeto, tranquilidade, clemência, harmonia, fidelidade e devoção.

Um tema patriótico foi incorporado nos anos 1950 com o Court of Freedom (Tribunal da Liberdade), o Freedom Mausoleum (Mausoléu da Liberdade) e seções com nomes como liberdade e vitória.

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Polícia monta guarda na porta do cemitério para evitar entrada de estranhos nesta quinta

Durante décadas, Forest Lawn, como tantos outros cemitérios, teve uma política de exclusividade para brancos, mas seu porta-voz William Martin disse não sabe em que ano isso terminou.  O número de localidades incluídas no Forest Lawn cresceu para 10 - Hollywood Hills, Glendale e Covina Hills são as três maiores.

"Eles têm uma reputação por excelência. São altamente respeitados em todos os aspectos. Tomam excelente cuidado com suas instalações, controlam um alto volume de famílias. A maioria de seus empregados são de longo prazo e dedicados ao seu trabalho. Essas coisas dizem muito sobre uma companhia", disse Ron Hast, editor executivo da Mortuary Management with Funeral Monitor, com base no norte da Califórnia, e uma das pessoas que carregaram o caixão de Marilyn Monroe em seu enterro em 1962 no cemitério Hollywood Forever.

Cemitério é "perfeito para Jackson"

Martin, que é gerente de comunicações do Forest Lawn Glendale há quase quatro anos, evita a maioria das perguntas, inclusive sobre os nomes de seus habitantes famosos, quantas pessoas estão enterradas lá ou quanto espaço ainda existe no local. Ele é ainda mais reservado sobre Jackson.

Quando questionado se houve aumento no interesse em Forest Lawn desde que a família de Jackson anunciou seus planos, ele disse: "O interesse público aumentou, para dizer pouco".

Hast operou um sistema de transporte em Forest Lawn durante 25 anos. Ele não sabe exatamente quantas pessoas estão enterradas lá, mas são "milhares". A lista de celebridades é longa e inclui George Burns, Gracie Allen, Walt Disney e Nat King Cole, ele disse.

Hast disse também que o parque é perfeito para Jackson, porque eles são peritos em controlar a segurança das celebridades "e farão isso com elegância e bom gosto".

Scott Michaels, dono da Dearly Departed Tours de Los Angeles, acredita que o Forest Lawn Glendale tem um padrão dúbio quando o assunto é celebridades. "Eles protegem suas celebridades, mas se exibem por isso", afirmou.

"Há não muito tempo, eles tiveram uma exposição em seu museu sobre as celebridades enterradas no cemitério", prosseguiu. "Estas pessoas quiseram ser famosas quando estavam vivas. A fama não terminou com suas mortes. Nós ainda assistimos seus filmes. É frustrante para os fãs que não se possa prestar uma homenagem".

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Michael Jackson deve intensificar ainda
mais a segurança de Forest Lawn

Martin reconheceu que houve um tempo no qual o Forest Lawn ostentava sua multidão de celebridades, mas não mais.  "Nós não anunciamos isso e não comercializamos isso", ele disse. "Simplesmente não seria certo".

Mais de 70 mil pessoas se casaram nos parques de Forest Lawn. Ronald Reagan e Jane Wyman e Regis Philbin e sua esposa Joy se casaram na Igreja Wee Kirk em Glendale.

Túmulo impossível de visitar

Websites de cemitérios e blogs têm fervilhado desde que a família de Jackson anunciou o plano de enterrar o popstar em Forest Lawn. O acesso ao blog de Lisa Burk aumentou exponencialmente, disse ela. O interesse sobre Michael "tira tudo de proporção porque ele era internacionalmente conhecido".

Burk comentou que se a família Jackson quer privacidade, eles conseguirão isso no mausoléu. "É impossível entrar lá. Era antes e será pior agora".

Embora os visitantes vejam uma parte do mausoléu quando fazem uma visita ao vitral da "Última Ceia" (com uma apresentação de 10 minutos sobre a janela de vidro colorido, vista regularmente 365 dias por ano) a maioria do edifício de múltiplos andares é restringida. Ele é bem monitorado e algumas áreas só são acessíveis com chaves de passagem.

O autor Mark Masek foi ao Forest Lawn em agosto para tirar fotos do mausoléu para seu website sobre sepulturas de celebridades. Dois furgões pretos bloquearam sua saída do local, contou Masek, e dois seguranças esperaram enquanto ele apagava todas as fotografias que havia feito. "Eu cooperei completamente e fiz tudo o que me pediram", ele disse.

Em seu livro "Hollywood Remains to be Seen", um olhar sobre 14 cemitérios da área, "tenho imagens de todos os cemitérios da área menos dos dois em Forest Lawn", ele disse, "porque eles proíbem fotografias comerciais".

Encontrar as celebridades e seus monumentos em Forest Lawn manteve muitas pessoas ocupadas durante os anos. Surgem cada vez mais mapas online com listas detalhadas, direções e fotografias. Dezenas de livros foram publicados guiando os fãs ao local de descanso final das estrelas.

Isso não mudará. Na verdade, a presença de Jackson em Forest Lawn será um novo desafio para todos os envolvidos.

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