Adeus a Michael Jackson reúne milhares de pessoas em Los Angeles

LOS ANGELES ¿ Mesmo com performances de estrelas como Mariah Carey, Stevie Wonder e Usher, o grande momento da cerimônia de despedida do cantor Michael Jackson foi a fala de sua filha Paris. Papai, você é o melhor, afirmou a garota, bastante emocionada, já no final do funeral. O evento aconteceu na tarde desta terça-feira no ginásio Staples Center, em Los Angeles. A cerimônia foi aberta pelo cantor Smokey Robinson. Poucos minutos depois, o caixão com o corpo de Jackson entrou no local, ao som do hino gospel Soon and Very Soon. A primeira artista a se apresentar foi Mariah Carey. Junto com o cantor Trey Lorenz, ela interpretou Ill Be There, um dos primeiros sucessos do Jackson 5.

Adrianna Lobo, correspondente em Los Angeles |


Getty Images

Mariah Carey canta em funeral de Michael Jackson

Após Carey e Lorenz terminarem seu número, foi a vez da atriz e cantora Queen Latifah falar sobre a importância de Jackson. Depois, Lionel Ritchie (co-autor, com Michael, da música "We Are the World") subiu ao palco para cantar "Jesus Is Love". Barry Gordy, diretor da Motown, gravadora que revelou o Jackson 5, falou em seguida. Segundo ele, Michael já mostrava um talento incomum desde criança, e também relembrou a primeira vez que viu o lendário 'moonwalk'. "Ele é simplesmente o maior showman que já viveu", afirmou, sob aplausos.

A próxima atração musical foi Stevie Wonder. Após falar que "nós sempre sentiremos sua falta, Michael", o veterano cantor e pianista interpretou um medley de "I Never Dreamed You'd Leave in Summer" e "They Won't Go When I Go", duas composições suas. Em seguida, falaram dois jogadores de basquete do Los Angeles Lakers, Kobe Bryant e Earvin Magic Johnson. Johnson lembrou da época em que gravou o clipe de "Remember the Time" com Jackson.

AFP

Stevie Wonder se apresenta no Staples Center

A cantora e atriz Jennifer Hudson, vencedora do Oscar de atriz coadjuvante pelo filme "Dreamgirls", foi a próxima a se apresentar. Ela cantou "Will You be There", música tema do filme "Free Willy". Assim que ela deixou o palco, o reverendo Al Sharpton destacou o papel de Jackson no combate ao racismo nos Estados Unidos. Segundo ele, o sucesso do cantor possibilitou, por exemplo, a eleição de Barack Obama à presidência dos Estados Unidos. Ele encerrou seu discurso com uma mensagem para os filhos de Michael. "Seu pai não era estranho. Estranhas eram as coisas com as quais ele tinha que lidar", disse.

A homenagem prosseguiu com "Human Nature", interpretada por John Mayer numa versão praticamente instrumental, e com uma fala da atriz Brooke Shields. Emocionada, ela lembrou da amizade com Jackson quando os dois eram adolescentes, e falou sobre a canção favorita do cantor, "Smile", composta por Charles Chaplin. Logo em seguida, a música foi interpretada por Jermaine Jackson, irmão de Michael.

Ainda houve discursos de Martin Luther King III e da congressista Sharon Jackson Lee, e uma performance do cantor Usher, cantando "Gone Too Soon", do próprio Michael, ao lado do caixão do cantor. Após o número, Smokey Robinson voltou ao palco. Chamou Michael de "irmão", e lembrou de quando o conheceu quando ele tinha apenas dez anos. A atração seguinte foi o jovem Shaheen Jafargholi, de apenas doze anos. Ele cantou "Who's Loving You".

A cerimônia foi encerrada com as músicas "We Are the World" e "Heal the World", com todos os convidados reunidos no palco, e um discurso da família Jackson. "Ele foi o melhor pai que poderia existir. Só queria dizer que eu te amo muito", disse a filha de Jackson, Paris, antes do caixão ser retirado do Staples Center. Uma oração encerrou a cerimônia.


Multidão no centro de Los Angeles

Do lado de fora do portão principal do Staples Center, pessoas se aglomeravam dentro e em frente a um restautante, que transmitia ao vivo a cerimônia em um pequeno televisor. Entre eles, um grupo de brasileiros, que viajou a noite inteira desde São Francisco para participar da despedida do ídolo. "Era impossível não vir. Viajamos mesmo sem ingresso para garantir esses últimos minutos com o Michael", disse Deny Silva, 24 anos.

Logo após o fim da cerimônia, os fãs se dispersaram rapidamente para as ruas nas imediações e a impressão do tributo ao cantor não poderia ser melhor. "Não tenho palavras para explicar. Encontraram o tom exato, um meio termo entre tristeza e felicidade. Todos ficaram impressionados", afirmou Naomi Belaiyng, 24, que veio de Seattle. "Fiquei boquiaberta, não esperava que fosse tão bom e a organização, irretocável", completou Naomi Nox, de Alhambra, na Califórnia.

O público começou cedo a entrar no ginásio, para acompanhar a cerimônia de despedida pública ao popstar Michael Jackson. Mesmo depois do início do evento, ainda havia gente tentando chegar aos portões. Apesar da quantidade de pessoas, o clima permaneceu tranquilo nas imediações da arena esportiva, e a organização do evento surpreendeu pela eficiência: os fãs do astro entraram sem confusão no local, em filas de 100 pessoas, e não houve qualquer sinal de tumulto, graças aos diversos portões de entrada no estádio.

A polícia norte-americana reuniu cerca de 3,2 mil agentes para realizar a segurança nos arredores do ginário. Um dos oficiais chegou a afirmar que, em mais de 20 anos de serviço, nunca viu tantos policiais destacados para um único evento. O subdiretor da polícia local, Earl Paysinger, confirmou que o contingente ultrapassa até o esquema especial montado para as Olimpíadas de 1984. Qualquer pessoa não autorizada que tentasse atravessar a rua que dá acesso ao Staples Center era repreendida e levada de volta.

Os organizadores da despedida do "rei do pop" distribuíram 17,5 mil ingressos, sendo 11 mil para a cerimônia no estádio e os demais para o Nokia Theatre, onde o evento foi exibido em telões. Mais de 1,6 milhão de pessoas haviam se inscrito para a cerimônia na Internet.

Em volta do ginásio, centenas de pessoas se reuniram para cantar e dançar as músicas do cantor. Sósias viraram entrelas por 15 minutos para conceder entrevistas para jornalistas do mundo inteiro. Sucesso entre os ambulantes, réplicas das luvas brancas de Jackson, repletas de brilhantes, eram vendidas a US$ 15, mas balões e "certificados" de participação entregues de graça.

Alan Anitt, 34 anos, veio do município de Ventura para participar da despedida. Vestida dos pés à cabeça de Michael Jackson, disse até se sentir "negra" hoje. "A alma de Jackson está aqui. Estou muito feliz, inesquecível. Estar aqui já é o suficiente."

AP

Observados pela polícia, fãs ganham pulseiras e entram no ginásio Staples Center

Distribuídos gratuitamente pela internet, os ingressos para a cerimônia foram proibidos de serem vendidos. A polícia, inclusive, foi orientada a prender possíveis cambistas. Mesmo assim, de maneira discreta, havia quem tentasse ganhar dinheiro com a situação. Observando a polícia, uma mulher ofereceu à reportagem do iG um par de ingressos por US$ 2 mil. Outra disse que já havia vendido 10 entradas, cada uma a US$ 250. Pelo menos uma pessoa foi presa.

O desespero tomou conta de quem não tem dinheiro e ficou de fora do sorteio. Nos arredores do Staples Center, viam-se pessoas chorando por não ter conseguido um ingresso. Mas havia quem estivesse à procura de candidatos para doar um. Foi o caso de Jennifer Herick ¿ como uma amiga que viria de Denver não conseguiria chegar em tempo a Los Angeles, ela estava procurando alguém que "morreria" por um ingresso. "Sei da importância disso para algumas pessoas, por isso preciso selecionar bem."

AP

Réplicas das luvas brancas do cantor foram sucesso de fãs que chegavam ao ginásio

Cerimônia repleta de estrelas

Cerca de 18 mil fãs e amigos se reuniram no Staples Center e num teatro próximo a ele para quase três horas de cerimônia em homenagem a Michael Jackson, que morreu no dia 25 de junho após ter sofrido um ataque cardíaco em sua mansão em Los Angeles.

AP

Multidão assina painel em homenagem a Jackson em frente ao ginásio Staples Center

"O impacto que ele teve na música americana e na música mundial cruzou todos os limites", disse Howard, que aguarda a cerimônia para assistir as performances de amigos de Jackson e companheiros cantores, além de tributos ao popstar.

Duas pessoas que não estiveram na homenagem foram a ex-mulher de Michael Jackson, Debbie Rowe, que disse na segunda-feira que sua presença poderia ser uma distração, e a amiga de muito tempo de Jackson, a atriz Elizabeth Taylor, que disse que foi solicitada para discursar, mas que estava muito abatida pelo luto.

* Com agências internacionais

Coro recepciona caixão de Jackson no Staples Center

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