Resgate de mineiros tira Copiapó do anonimato

Enquanto cidade próxima à mina San José é colocada no centro das atenções, população comemora saída do esquecimento

Luísa Pécora, enviada a Copiapó, Chile |

Sempre que um tremor de forte intensidade atinge a pequena cidade chilena de Copiapó, 800 km ao norte de Santiago, o taxista Daniel Rivadera procura alguma informação no noticiário, mas nunca encontra. Quando lê sobre as turnês de seus cantores preferidos, se decepciona ao saber que os shows vão acontecer apenas mais ao norte, em Antofagasta, ou ao sul, em La Serena. “Todo mundo ‘pula’ Copiapó", afirmou ao iG . “Somos o ‘patinho feio’ do Atacama, sempre deixados de lado”.

Há dos meses, porém, Copiapó é a cidade chilena que mais aparece na imprensa nacional e mundial. Localizado a 45 km da mina San José, onde 33 homens estão presos desde 5 de agosto, o município recebe uma multidão de jornalistas que, por incrível que pareça, não incomodam os cerca de 130 mil habitantes. “Muito pelo contrário. Para nós é ótimo que falem de Copiapó e mostrem que é um bom lugar para se visitar”, disse Rivadera.
Sem vagas

Encontrar um quarto vago em um hotel ou pousada da cidade é tarefa difícil, principalmente nas duas últimas semanas, quando se antecipou a data prevista para o resgate dos mineiros. Empresas de aluguel de carro também não conseguem atender a demanda, por isso grande parte dos jornalistas faz o trajeto até a mina contratando um motorista, ao custo médio de 30 mil pesos (R$ 100).

nullNos supermercados e restaurantes, porém, os preços continuam os mesmos, e vendedores ouvidos pela reportagem do iG garantem que o faturamento não se alterou.

O pipoqueiro Osman Gonzales, 47 anos, segue vendendo saquinhos de pipoca a 200 pesos (cerca de R$ 0,70) na Plaza de Armas, a principal de Copiapó. No carrinho, ele guarda uma pequena estátua de um mineiro, que mostra com orgulho e que não permite que seja fotografada. “Meu pai trabalhava em mina, então estou muito comovido com o acidente dos 33”, afirmou. “Não quero me aproveitar dessa história para ganhar dinheiro, e não gosto de quem faz isso”.

Comoção

Como muitos dos mineiros presos vivem em Copiapó, o acidente de 5 de agosto provocou grande comoção na cidade, onde são vistas bandeiras chilenas e cartazes com mensagens de apoio. Além disso, há um grande respeito por quem trabalha na mineração, a principal atividade econômica local. “Não há um copiapino que não tenha derramado uma lágrima, se emocionado ou ido a uma igreja depois do acidente”, garantiu a garçonete Juana Martinez.

A dona de casa Paulina Caceres, 27 anos, acredita que o acidente provocou uma mudança muito maior nos moradores de Copiapó do que na própria cidade. “As pessoas estão mais agradáveis”, contou, enquanto passeava com os três filhos pelo parque municipal, lugar onde os mineiros costumam ir com a família aos domingos. “Todo mundo anda mais feliz, mais unido e disposto a ajudar”.

Ela espera que o clima de união entre todos os chilenos, não apenas os de Copiapó, não acabe com o resgate dos mineiros. “Muita gente pensava que Santiago era o país inteiro”, afirmou. “Agora estão se dando conta de que aqui, um pouquinho mais longe, também é Chile”.

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