'Queimamos pneus em mina para ver se viam fumaça', diz mineiro

Richard Villaroel, 28º a ser resgatado, disse que previsão de nascimento de filho em novembro lhe deu forças na mina San José

iG São Paulo |

Richard Villaroel, o 28º mineiro resgatado na quarta-feira no Chile , disse na quinta-feira ter convivido com o temor de não ver seu filho, cujo nascimento está previsto para novembro, durante os 70 dias em que ficou preso com outros 32 mineiros na jazida San José a quase 700 metros de profundidade.

Em sua lembrança, o 5 de agosto - data do acidente na mina - ficou marcado pelo alvoroço, a poeira e a tentativa de fazer algo. "Pensamos que estavam nos procurando. Tentamos inventar algo a partir de dentro, subir pela chaminé, mas não teve jeito, porque as escadas só chegavam até certo ponto", explicou o chileno de 27 anos.

EFE
Mineiro Richard Vilarroel após resgate
À medida que avançavam os dias e a poeira assentava, eles decidiram tentar novas estratégias para que alguém do lado de fora percebesse que estavam vivos. "Queimamos pneus para ver se viam a fumaça", contou.

O mineiro, cuja mãe só soube que ele estava trabalhando na mineração quando ouviu seu nome entre os das 33 vítimas, também relatou que a vontade de ver o nascimento do primeiro filho lhe deu ânimo para lutar pela sobrevivência.

Ele disse que todos os dias rezava para afastar o pesadelo de não conhecê-lo, uma sensação que era ainda mais desesperadora nos primeiros 17 dias, quando o mundo não sabia se os mineiros haviam sobrevivido ao desabamento dentro da mina no deserto do Atacama. "O pior momento foi quando caiu o segundo bloco (de rochas), e aí a mina ficou fechada por completo. Pensei que não voltaria a ver minha esposa, que não veria nascer meu filho", disse ele ao canal estatal TVN.

O grupo continuou sobrevivendo como podia no refúgio subterrâneo, até que, passados 17 dias do acidente, uma perfuradora chegou até eles, levando esperança e trazendo de volta a mensagem que ficou famosa, escrita com tinta vermelha: " Estamos bem no refúgio, os 33 ".

Segundo Villaroel, a solidariedade entre os homens foi crucial. "Nós nos dávamos apoio em tudo. Não pensávamos em um, e sim na equipe. As decisões eram por democracia, a maioria mais um", acrescentou.

Mecânico de profissão, foi considerado um dos mineiros "fortes" do grupo, razão pela qual ficou entre os últimos a ser resgatados. No claustrofóbico e caloroso túnel até a superfície, ele disse que se sentiu relaxado e com esperanças. "A viagem foi tranquila... sem desespero, sem problema. Estava tudo bem preparado. Subi escutando música", comentou, entre risos.

Na quinta-feira, horas depois de ser retirado da diminuta cápsula Fênix 2, Villaroel viveu como se fosse o primeiro dia de uma nova vida, ao lado da mulher grávida.

*Com Reuters

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