Piñera visita mineiros e marca encontro no palácio presidencial

No hospital, mineiros demonstram estar em boas condições de saúde e alguns já não usam óculos de proteção contra claridade

Luísa Pécora, enviada a Copiapó, Chile |

AP
Presidente do Chile, Sebastián Piñera (3º, a partir da esq.), senta-se entre os 33 mineiros resgatados da jazida San José
O presidente do Chile, Sebástian Piñera, visitou nesta quinta-feira os 33 homens resgatados da mina San José no hospital de Copiapó, no sul do país, onde estão em observação. O líder cumprimentou cada um dos trabalhadores e os convidou a visitar o palácio presidencial em Santiago em 25 de outubro. Em retribuição, os mineiros convidaram Piñera para uma partida de futebol.

No encontro com o presidente, alguns dos mineiros já não usavam os óculos escuros entregues a eles para que se protegessem da claridade, após passarem mais de dois meses sem contato com a luz.

Mário Sepúlveda, o segundo trabalhador a ser resgatado e que saiu da mina fazendo brincadeiras com as autoridades, tirou muitas fotos do encontro. A imprensa chilena já chama o mineiro de "Super Mario", em referência ao personagem de videogame Mario Bros.

78 viagens de resgate

A cápsula Fênix 2, a "Apolo 11" do resgate chileno, realizou 78 viagens de subida e descida para trazer de volta à superfície os 33 mineiros presos e os seis socorristas que desceram para ajudar os trabalhadores.

Com quatro metros de comprimento e 53 centímetros de diâmetro, pintada com as cores da bandeira chilena, a cápsula foi para o resgate dos mineiros o que a nave Apolo 11 foi para a chegada do homem à Lua.

O compartimento metálico - projetado pela Nasa, a agência espacial americana - foi o veículo usado para transportar o grupo de mineiros, que estava preso desde 5 de agosto. Uma grua foi usada para descer e içar a Fênix através do estreito duto de 622 metros de profundidade escavado para o resgate.

Com alguns amassados e o revestimento sujo e arranhado pelo atrito com a rocha escavada, a cápsula desceu ao fundo da mina e subiu de volta à superfície 78 vezes, um trajeto de ida e volta para cada mineiro e outros seis para os socorristas que foram prepará-los para sair, depois de 70 dias sob a terra.

Assim como aconteceu com a nave espacial Apolo 11 quando chegou à Lua em 1969, a descida da Fênix 2 ao fundo da mina foi acompanhada ao vivo por milhões de espectadores em todo o mundo. "A cápsula teve um comportamento extraordinário, sem rotação", indicou Jaime Mañalich, ministro da Saúde chileno.

Entre os primeiros resgates, uma pequena manutenção era realizada na cápsula, com a troca de algumas das rodas laterais instaladas para aumentar a estabilidade. "Assim como ocorre com os automóveis quando atingem uma certa quilometragem, a cápsula tem manutenção preventiva", explicou o ministro, tentando acalmar as pessoas que indagavam se havia algo de errado quando viam os técnicos realizando a manutenção.

A Fênix 2 foi construída pela Marinha chilena a pedido especial do governo. Foram fabricados três exemplares iguais da cápsula. Os primeiros testes de rolamento no interior do duto, dias antes do início do resgate, foram feitos com a Fênix 1. O salvamento em si, no entanto, foi operado com sua irmã, a Fênix 2.

O nome da cápsula foi escolhido pelas autoridades chilenas em alusão ao mito da ave Fênix, que renasceu das cinzas.

Em seu interior, os mineiros contavam com balões de oxigênio, um sistema de monitoramento de seus sinais vitais e outro para medir a saturação de oxigênio, além de um rádio para comunicação. Antes de embarcar, eles vestiram um macacão especial, luvas, capacete, óculos escuros (para se readaptar lentamente à claridade) e protetores de ouvido.

*Com AFP

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