Passada a euforia, mineiros podem enfrentar tempos difíceis

Angústia, depressão e trauma podem acometer alguns. Mais otimistas, no entanto, pensam em continuar trabalhando em minas

iG São Paulo |

Depois de passar mais de dois meses sob a terra, os 33 mineiros resgatados no Chile enfrentarão tempos difíceis nos próximos dias com angústia, pesadelos e temores, devido ao impacto emocional que lhes deixou o acidente, disse na sexta-feira o ministro da Saúde do país.

Após o sucesso da operação de resgate e dos festejos, os dias pela frente podem ser muito duros para os trabalhadores resgatados.

"Eles ainda estão metidos em uma verdadeira montanha-russa de emoções. Muitos deles terão momentos extraordinariamente difíceis e necessitarão de muita ajuda", disse o ministro da Saúde do Chile, Jaime Mañalich, em uma entrevista coletiva no hospital de Copiapó.

Segundo o ministro, um deles lhe disse que, quando despertou no hospital, não sabia onde estava."Vai ser difícil ainda obter um relato coerente deles. Eles têm de sedimentar, têm de ter angústias, têm de ter pesadelos", ressaltou Mañalich.

Persistência
Mais de dois meses presos a cerca de 700 metros de profundidade, no entanto, não foram suficientes para fazer os 33 mineiros desistirem de trabalhar com mineração. Apenas três dias depois de terem sido resgatados, alguns trabalhadores do grupo disseram que querem voltar a trabalhar na mineração.
"Eu quero voltar à mina. Sou mineiro de coração. Isso se traz no sangue", disse Alex Vega, um dos trabalhadores que fez parte da maior façanha de sobrevivência debaixo da terra no mundo.

Já o mineiro Osmán Araya disse não ter dúvidas sobre seu futuro profissional. "Não temos nada a temer. Temos de continuar trabalhando, é isso. É parte de nosso ofício", disse ao reforçar que deve voltar a trabalhar em minas assim que possível.

Condições

Segundo relatos das equipes de socorro que os libertaram, que desceram 622 metros em uma cápsula, as condições em que viviam os mineiros eram desumanas. Eles conviveram 69 dias em uma situação de extrema umidade e temperaturas de 40 graus centígrados.

O episódio levou o governo a estudar reformas nas normas de segurança para exploração de minas. Mas as autoridades admitem que obviamente não podem garantir que não ocorram mais acidentes.

Para o ministro da Saúde, não é recomendável que os trabalhadores voltem a trabalhar em uma mina. "Para alguns o retorno é totalmente imprudente", disse Mañalich em entrevista à imprensa diante do hospital.

Ele acrescentou também que é provável alguns que decidirem regressar à mineração, tenham algum tipo de crise de pânico.

*Com Reuters

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