Mineiros ainda se mantêm em silêncio sobre muitos detalhes da provação que passaram nos 69 dias

Os 33 mineradores chilenos iniciaram seu primeiro fim de semana na superfície depois de um resgate que fascinou o mundo, mas ainda se mantêm em silêncio sobre muitos dos tenebrosos detalhes da incrível provação que passaram nos 69 dias em que ficaram sob a terra.

"Não vamos falar sobre isso", afirmou Mario Gómez, de 63 anos, o mais velho dos trabalhadores que ficaram presos por mais de dois meses em uma mina de ouro e cobre no norte do Chile, quando perguntado por repórteres sobre a experiência que vivenciou.

"Isso é reservado" foi a resposta de Ariel Ticona, de 29 anos, para a mesma pergunta, depois que o mineiro deixou o hospital onde ele e o restante dos trabalhadores resgatados foram tratados até esta sexta-feira, quando a maioria deles recebeu alta.

Os mineradores se tornaram estrelas da imprensa mundial desde o resgate, que foi assistido em escala global na quarta-feira. Livros e acordos para a produção de filmes são esperados, o que pode ser uma explicação para a relutância deles em revelar muitos detalhes sobre a experiência.

Os mineiros também receberam ofertas de emprego e presentes, incluindo convites para visitar as ilhas gregas e a Graceland, além de assistir a partidas de futebol na Europa.

Mas, até o momento, eles não estão falando muita coisa sobre como foi a reclusão depois do desmoronamento ocorrido no dia 5 de agosto, que os deixou presos em uma úmida caverna 625 metros sob a superfície.

Repórteres terão outra tentativa de extrair informações dos 33 no domingo, quando muitos deles planejam retornar ao local da mina para uma cerimônia.

A terceira filha de Ticona, batizada de "Esperanza", nasceu enquanto o pai estava preso na mina. Ele e outros mineiros foram recebidos com festa ao chegar em casa na quinta e sexta-feira, com grandes festas cheias de familiares e amigos.

Quando a mina desmoronou, a expectativa era de que os homens tivessem morrido, em apenas mais um dos muitos acidentes desse tipo na América Latina. As equipes de resgate os encontraram duas semanas e meia depois, por meio de uma perfuração da largura de uma laranja.

O pequeno buraco se tornou uma espécie de cordão umbilical usado para passar a eles hidratantes, água e alimentos, que os mantiveram vivos até que uma escavação mais larga pudesse ser feita para trazê-los de volta à superfície.

Em uma complexa porém infalível operação sob o deserto do Atacama, os mineiros foram içados um a um em uma cápsula de metal um pouco mais larga do que os ombros de um homem, batizada de Fênix, como o mítico pássaro que ressurgiu das cinzas.

Os homens queimaram pneus nos primeiros dias após o acidente, na esperança de que a fumaça pudesse chegar à superfície e alertar as equipes de resgate, além de detonar explosivos com a expectativa de que alguém os ouvisse.

Quando as reservas de água caíram a apenas dez litros, eles começaram a beber a partir de cilindros de metal sujos com óleo de motor.

"O bom de estar livre é que, quando você tem um pesadelo, você acorda e se dá conta de que era um sonho", afirmou o minerador Victor Segovia. "Mas lá dentro (da mina), acordaríamos no pesadelo."

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