Mineiros do Chile dividirão dinheiro arrecadado em entrevistas

Víctor Segovia recebeu propostas de até US$ 50 mil (R$ 83 mil) por direito de diário que escreveu durante os 70 dias na mina

iG São Paulo |

Ainda quando estavam presos na mina San José, os 33 mineiros resgatados na quarta-feira no Chile receberam propostas milionárias, segundo o jornal chileno La Tercera, para conceder entrevistas.

Por causa disso, o grupo resolveu fazer um pacto de igualdade: todo o dinheiro arrecadado depois do resgate para comparecer a programas de televisão ou para entrevistas será dividido igualmente. O acordo, que também incluiria a criação de uma fundação para ajudar mineiros com poucos recursos, foi estabelecido durante os 70 dias que eles passaram a cerca de 700 metros de profundidade e certificado por um tabelião na superfície.

"Decidiram que, se alguém for a um programa de televisão, irá representando todos e, por isso, o dinheiro é de todos", disse ao la Tercera Cristián Ticona, irmão mais velho de Ariel, o penúltimo homem a ser retirado da jazida .

Ariel é um dos personagens que mais atraíram atenção da mídia pelo fato de sua mulher, Elizabeth, ter dado à luz a Esperanza enquanto ele estava preso na mina. Ariel assistiu ao nascimento por um vídeo enviado à jazida por seus parentes .

O pai do mineiro, Mario Ticona, reconheceu que foram feitos contatos com o Canal 13, a TVN e "outros canais internacionais". Ele completou: "Está certo que os meninos cobrem para contar o que viveram. É necessário aproveitar esses momentos, para conseguir tirar algo de bom de tudo que viveram." Outros familiares de Ariel asseguraram ao jornal chileno La Tercera que receberam ofertas de duas emissoras nacionais e outras internacionais que pagariam até US$ 14 mil (R$ 23 mil) por seus testemunhos.

O resgate dos 33 homens atraiu centenas de correspondentes estrangeiros à região, além da atenção de espectadores de todo o planeta. Calcula-se que até 1 bilhão de pessoas acompanharam as imagens captadas pela TV estatal chilena.

Outro personagem que atrai o interesse da mídia é Raúl Bustos , que, nascido em Talcahuano, também sofreu neste ano o terremoto que atingiu o Chile em 27 de setembro. "Nos procuraram de todos os lados, mas disse que a decisão caberá a Raúl", disse sua mulher, Carolina Narváez.

Víctor Segovia que durante os dois meses soterrado escreveu um diário sobre a jornada dos mineiros, também há recebido muitas ofertas para divulgar o documento, disse seu irmão Pedro. "Jornais da Holanda, canais da França e do Brasil e também do Chile fizeram ofertas. Agora as entregarei a Víctor para que ele decida. Ofereceram até US$ 50 mil (R$ 83 mil) pelo direito de seus textos."

O irmão advertiu, no entanto, que Víctor "escreveu tudo sozinho", o que colocaria em dúvida a hipótese de que os valores entrem na partilha comum dos 33.

Em 5 de agosto, um desmoronamento bloqueou a saída da mina San José e fez com que os operários que trabalhavam no local ficassem presos. Eles foram encontrados com vida 17 dias depois , e passaram a receber assistência alimentar, médica e psicológica enquanto prosseguiam as perfurações para retirá-los do refúgio onde estavam abrigados.

Os resgates foram iniciados às 11h08 de terça-feira e prosseguiram até que o último mineiro, o chefe de turno e líder do grupo, Luis Urzúa , deixasse o local. Depois, subiram à tona os seis resgatistas que haviam descido ao refúgio para auxiliar os trajetos.

Essa foi a maior operação de resgate já feita em minas e transcorreu sem incidentes na metade do tempo previsto - inicialmente, 48 horas. Também na quarta-feira foi constatado que alguns dos mineiros estavam com problemas de saúde , mas seus nomes não foram divulgados. O presidente do Chile, Sebastián Piñera, acompanhou pessoalmente as atividades.

*Com Ansa

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