Imagem do Chile sai fortalecida após resgate, dizem analistas

História de sucesso reforçará imagem de Chile como país competitivo que se levanta rápido diante da adversidade

BBC Brasil |

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A imagem do Chile e do presidente do país, Sebastián Piñera, deve sair fortalecida após o resgate dos 33 mineiros que passaram mais de dois meses soterrados numa mina, segundo analistas chilenos e de outros países da América do Sul ouvidos pela BBC Brasil.

"Mais de 1 bilhão de pessoas viram, no mundo inteiro, o resgate, que é uma história de sucesso. Acho que o fato reforçará a imagem do Chile como um país competitivo e que se levanta rápido diante da adversidade", disse o analista chileno Ricardo Israel, professor de ciências políticas da Universidade Autônoma do Chile. Mas, em sua opinião, o poder de influência do Chile é "limitado" pelo seu tamanho e "localização geográfica".

O Chile tem cerca de 15 milhões de habitantes e registrou um terremoto histórico, em fevereiro passado, pouco antes da posse de Piñera. Atualmente, a expansão da economia chilena supera as expectativas para este ano. O Chile é o único país da América do Sul a fazer parte da OCDE, clube dos países ricos. "Dificilmente o Chile terá maior influência do que já tem na região e no mundo. Na América Latina, não é o Chile, mas o Brasil que tem o maior peso no cenário mundial", disse Israel.

Final feliz

Para analistas chilenos, argentinos, bolivianos e paraguaios, o sucesso do resgate fortaleceu a imagem do Chile como um país competente. "Acho que o Chile aproveitou bem o desafio que viveu para intensificar sua imagem de país sério, capaz de enfrentar grandes problemas", disse o analista paraguaio Francisco Capli, da consultoria First Análisis y Estudios, de Assunção.

Na visão do argentino Vicente Palermo, pesquisador do Conicet (Conselho Nacional de Pesquisas Cientificas e Técnicas), os chilenos souberam "descolar" a imagem do país da que foi deixada pelas empresas do setor de minério, após o desastre. "Foram as empresas que ficaram com a imagem negativa, ligada à falta de segurança para os trabalhadores. O Chile apareceu como país capaz de resgatar os mineiros de forma brilhante", disse. Para ele, o Chile deixou a imagem de "união, solidariedade e alta competitividade".

Na opinião de outro analista argentino Rosendo Fraga, do Centro de Estudos Nova Maioria, o resultado do resgate fortalece a imagem do Chile no mundo. "Até agora, o Chile tinha demonstrado ao mundo seu sucesso econômico. Para o PNUD, este é o país da América Latina com maior desenvolvimento humano (IDH). Para as classificadoras de risco, o mais confiável da região. E agora prova sua capacidade para enfrentar e superar suas desgraças com eficiência e rapidez", disse Rosendo.

Na opinião do analista boliviano José Luis Galvez, da Equipos Mori, o resgate representou o "renascimento de 33 mineiros e a excelente administração da opinião pública". "Essa história de sucesso deverá fortalecer ainda mais a imagem do Chile no exterior e aumentar imagem positiva do presidente Piñera", afirmou Galvez. A Bolívia, como o Chile, é um país com forte produção de minério.

Para Galvez, o Chile vai exportar a tecnologia de resgate que inventou para outros países mineiros. "A realidade daqueles 33 mobilizou muitos bolivianos. Mobilizou o mundo inteiro. E mostrou a excelente relação entre Chile e Bolívia na era de Piñera", disse. O presidente Evo Morales (convidado por Piñera) esteve na saída da mina São José, onde um dos mineiros era boliviano.

Piñera

A trajetória do presidente Piñera é de um empresário bem-sucedido e com a imagem ligada, segundo analistas locais, à de administrador. Mas ele não é definido, pelos especialistas, como um presidente popular. Piñera assumiu a presidência em março e registra popularidade similar aos votos que recebeu, quando eleito, como recordou Ricardo Israel. A expectativa é que sua popularidade suba após esse episódio.

null"Piñera se envolveu pessoalmente nesse resgate. Quando o acidente ocorreu este não era um problema do Chile, mas de uma empresa, dona da mina. Se tivesse dado errado, ele seria responsabilizado pelos mortos. Mas deu certo", afirmou Israel.

Desde que a odisseia dos mineiros começou, há mais de dois meses, o ministro de Mineração, Laurence Golborne, registrou maior popularidade que Piñera. Num artigo publicado no jornal La Tercera, o analista Patrício Navia disse que Piñera deve transformar esse "capital de alegria" do resgate em "poderoso impulso para sua agenda de governo".

Navia recordou que, em setembro, Piñera contava com 53% de aprovação, segundo pesquisas da Adimark. Mas que 67% deste total eram do setor ABC e 48% das classes D e E. Para o analista, o novo "capital político", a partir do resgate dos mineiros, deverá ajudá-lo a melhorar essas características de imagem. "Mas desde que a celebração (caso exagerada) não ofusque o gol magistral feito por seu governo", escreveu.

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