`Deus só pode ser chileno¿, diz moradora de Copiapó

Cidade próxima à mina San José comemora resgate de 33 mineiros com grande festa na praça principal

Luísa Pécora, enviada a Copiapó, Chile |

Mais de três mil pessoas se reuniram na principal praça da cidade chilena de Copiapó na noite desta quarta-feira em uma emocionante festa em comemoração ao resgate dos 33 homens presos na mina San José, a cerca de 45 km do município.

“Deus só pode ser chileno”, afirmou a educadora Mabel Zuñiga, 28 anos, que chorou muito ao ver no telão o resgate do último mineiro, Luis Urzúa.

nullEla e as amigas Massiel, 28 anos, e María Fernanda, 27, pediram para sair mais cedo do trabalho e chegaram às 19h na Plaza de Armas. Enquanto assistiam às imagens, elas se abraçavam e se diziam orgulhosas de viver em uma região que tem a mineração como principal atividade econômica. “Ser chileno é bom, mas ser mineiro é muito melhor”, disse Massiel.

Na festa em Copiapó, poucos conseguiram conter as lágrimas quando, no telão, Urzúa apareceu cantando o hino nacional chileno ao lado do presidente do país, Sebástian Piñera. Na Plaza de Armas, um forte coro se somou ao da mina San José, enquanto bandeiras do Chile e outras que estampavam os rostos dos 33 mineiros se agitavam sem parar. Cornetas e buzinas animavam a festa, que depois se tornou uma carreata pelas ruas da cidade.

nullVendedores ambulantes passavam pela multidão oferecendo bandeiras, chapéus, canetas, doces, amendoins, chaveiros, entre outros souvernirs da história que comoveu o mundo. Em um palco, apresentações musicais não prendiam muito a atenção dos presentes, que tinham os olhos fixados no telão com imagens da mina San José.

A secretária Patricia , 38 anos, levou o filho de três anos, Nicolas, para “celebrar os mineiros”. Emocionada, ela disse que sempre acreditou que os 33 homens fossem ser resgatados com vida, mas se surpreendeu com a rapidez e tranquilidade do processo. “Deus elegeu o Chile para dar uma boa notícia ao mundo”, afirmou.

A mãe de Patricia, Francisca, 62 anos, também comemorou muito o final feliz para o acidente na mina San José. “No sul do mundo ocorreu um milagre”, disse ela, que aproveitou para fazer da festa dos mineiros uma reunião familiar. Ao lado de dois filhos e do neto, ela justificou. “Não dá para ver algo assim de casa. Seria muito egoísmo”, explicou. “Nessas horas, é preciso estar com toda a cidade”.

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