Por valor simbólico e potencial turístico, moradores de Copiapó se mobilizam para ficar com Fênix 2, usada para salvar 33 mineiros

O destino da cápsula Fênix 2, usada para levar os 33 homens presos na mina San José até a superfície, já é motivo de disputa entre pelo menos três cidades chilenas: Santiago, a capital, Copiapó, a mais próxima à mina, e Talcahuano, onde o aparelho foi fabricado. Não importa que três cápsulas iguais tenham sido fabricadas: apenas uma foi utilizada no resgate e é com esta que todos querem ficar.

Assinaturas são coletadas em Copiapó
Luísa Pécora
Assinaturas são coletadas em Copiapó
O presidente do Chile, Sebástian Piñera, disse que ainda não decidiu o que fazer com os objetos simbólicos do resgate, como a Fênix 2 e o bilhete enviado pelos mineiros no qual diziam que estavam vivos. No entanto, os rumores já começaram a circular.

Ao jornal “Las Últimas Notícias”, a direção da empresa Asmar, fabricante das três cápsulas, manifestou o desejo de exibir a Fênix 2 em seu museu naval e marítimo localizado na cidade de Talcahuano, sul do Chile.

Já o vice-presidente chileno, Rodrigo Hinzpeter, disse que a cápsula seria colocada na Praça da Cidadania, em Santiago, até que seu destino definitivo fosse seja definido. A declaração provocou protestos do prefeito de Copiapó, Maglio Cicardini, e de outras autoridades de cidades da região do Atacama. Nesta segunda-feira, a Fênix 2 chegou ao Palácio de La Moneda, sede da presidência chilena.

A população não ficou de fora dos protestos. Moradora de Copiapó, Ximena Fontealba disse que seria “um orgulho” ter a cápsula na cidade. “Tanto o acidente quanto o milagre aconteceram aqui”, afirmou ao iG . “Temos de ficar com a Fênix para lembrar de tudo que vivemos”.

Ela não nega que, além do valor simbólico, a cápsula também poderia impulsionar o turismo em Copiapó. “Gente do mundo todo poderia vir ver a Fênix, e a cidade precisa muito desse dinheiro”, opinou.

Abaixo-assinado

No sábado, um grupo de voluntários se instalou na Praça de Armas, a principal de Copiapó, para recolher assinaturas em um documento que será enviado ao ministro chileno da Mineração, Laurence Golborne. Segundo os organizadores, em um dia foram obtidas 1.500 assinaturas a favor de que a cápsula fique na cidade - a meta é conseguir 15 mil.

No domingo, Bernardo Cordoba, 69 anos, foi recolher assinaturas no acampamento Esperança, onde os familiares dos mineiros viveram por mais de dois meses à espera do resgate. Em entrevista ao iG , ele afirmou que se a cápsula for levada a uma base naval, não será de fácil acesso ao público.

“Queremos deixá-la em Copiapó para que seja vista pelas pessoas comuns todos os dias do ano”, afirmou. “Além disso, o resgate foi um sucesso mundial e turistas de todo o mundo vão querer vir até aqui para tirar uma foto da cápsula.”

Curiosamente, Bernardo Cordoba não é morador de Copiapó e sim de Rancagua, 87 km ao sul de Santiago. Questionado sobre o motivo de lutar para que a cápsula fique em uma cidade que não é a sua, ele responde: “Eu gosto do que é justo”, afirmou. “E é justo que a Fênix 2 fique aqui”.

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