Chileno viaja 22 horas para levar 'bandeira do terremoto' à mina

Principal símbolo da tragédia que atingiu o país em fevereiro está no acampamento Esperança para levar 'mensagem de fé' a famílias

Luísa Pécora, enviada a Copiapó, Chile |

A bandeira chilena que se transformou na imagem mais simbólica do terremoto e do tsunami que atingiram o país em fevereiro é vista agora no acampamento Esperança, onde familiares esperam pelo resgate dos 33 homens presos na mina San José. O dono da bandeira Daniel Marin Lizana, 47 anos, viajou 22 horas de ônibus para levá-la ao acampamento, junto com uma “mensagem de esperança”. “Minha missão é estar onde se precisa de fé”, contou ao iG .

Luísa Pécora
Marin perdeu quase tudo no terremoto seguido por tsunami que destruiu sua casa em Pelluhue e lhe deixou com lesões
Casado e pai de três filhos, ele já não consegue exercer a função de pintor e vive em uma residência sem energia elétrica, que foi cortada por falta de pagamento.

Após a passagem do tsunami, ele conseguiu resgatar apenas algumas roupas e a famosa bandeira chilena, que um conhecido é visto segurando na simbólica imagem que rodou o mundo.

AP
Chileno segura bandeira do país em Pelluhue, ao sudoeste de Santiago, área que sofreu com tsunami e terremoto em fevereiro (28/02/2010)
“Nunca pensei que esta bandeira seria tão histórica, mas senti que Deus queria que eu passasse por isso”, contou Marin. “Sobrevivi ao tsunami para fazer um chamado à humanidade para que seja mais amável, menos egoísta, e que não esqueça de que precisamos uns dos outros”.

Marin, que já havia visitado o acampamento Esperança dias depois do acidente, em 5 de agosto, tira muitas fotos com parentes dos trabalhadores presos e até com os policiais que cuidam da segurança do local. Em suas conversas com os parentes, ele costuma dizer que há 34 mineiros na jazida. “O 34º se encarregou de cuidar dos demais”, afirma.

Solidariedade

Para ele, o ano de 2010 mostrou a enorme solidariedade do povo chileno, que se mobilizou para ajudar as vítimas do terremoto, do tsunami e do acidente na mina San José. “Lamentavelmente, Deus teve de usar estes recursos. Eles elegeu os Chile para passar uma mensagem ao mundo”, opinou.

Ele garante que vai guardar a bandeira para sempre, mas manda um recado: “Eu a tenho comigo”, afirma, “mas nesses momento ela é de todos nós”.

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