Ao menos dez mineiros devem deixar hospital nesta sexta no Chile

Como previsão inicial era de que os mineiros tivessem de ficar internados 48 horas, havia expectativa de que todos saíssem hoje

iG São Paulo |

Pelo menos outros dez mineiros devem receber alta nesta sexta-feira do Hospital de Copiapó, somando-se aos três que já voltaram para a casa na noite de quinta-feira. "Acreditamos que o número de altas não será menor que dez mineiros", disse Jorge Montes, subdiretor médico do hospital, para onde os 33 mineiros resgatados foram enviados para exames médicos.

Como a previsão inicial era de que os mineiros tivessem de ficar internados 48 horas após resgate, havia expectativa de que todos recebessem alta ainda nesta sexta-feira .

O médico não mencionou nomes ou a hora da saída, como aconteceu na véspera. "A situação hoje é bastante satisfatória", afirmou o ministro chileno da Saúde, Jaime Mañalich.

AFP
Parentes do mineiro Claudio Yañez esperam por sua saída no Hospital de Copiapó
Montes explicou que o paciente que sofre de uma infecção pulmonar está bem e não deve ter uma estada prolongada no no hospital. Segundo ele, todos os mineiros devem ser liberados até domingo, incluindo os com estado de saúde mais debilitado, e que alguns só terão de continuar usando óculos de sol quando expostos à luz intensa.

Montes não mencionou seu nome, mas Jean Romagnoli, um dos médicos encarregados do resgate, indicou à AFP dias antes que Mario Gómez , de 63 anos e o mais velho do grupo, apresentava "um forte quadro de dificuldades respiratórias característicos de uma pneumonia".

Em função disso, as autoridades médicas decidiram dar antibióticos três dias antes da data prevista para o resgate. Romagnoli também disse que Gómez padece de silicose, uma doença típica de mineiros e de caráter irreversível.

Condições psicológicas

Do ponto de vista psicológico, porém, as autoridades acreditam que a situação deve continuar complicada para os mineiros. "Estamos entregando pessoas frágeis às famílias", disse nesta sexta-feira Mañalich. "Prevemos que cada um dos mineiros vai sofrer, do ponto de vista psicológico. Terão de se adaptar a uma nova vida. Estamos preparados para estar com eles por pelo menos seis meses, apoiando-os."

Segundo a rádio chilena ADN, um dos mineiros, por exemplo, teve pesadelos durante a noite no hospital e pensou que ainda estava preso na mina. E o mineiro Mario Sepúlveda, que sofre de males respiratórios, está também sendo diagnosticado pela equipe de saúde mental do hospital.

O psicólogo que tratou os mineiros, Alberto Iturra, disse nesta sexta-feira que os homens “necessitam de um período de descanso e adaptação”. Alguns, informou, estão "muito esgotados, caso em que a sensibilidade aumenta quase ao máximo e a tolerância cai quase ao mínimo".

Iturra ressaltou, no entanto, que acha que "em geral eles terão êxito" em superar os problemas psicológicos.

Recebidos como heróis

Os três primeiros mineiros a receber alta do hospital tiveram uma recepção calorosa de seus familiares e vizinhos na madrugada desta sexta-feira, em seus bairros humildes em Copiapó, cidade de 150 mil habitantes que fica a 800 km ao norte de Santiago.

Juan Illanes , Carlos Mamani e Edison Peña foram os três primeiros do grupo de 33 mineiros a entrar no hospital de Copiapó e foram os primeiros a voltar para suas casas, onde foram recebidos por suas famílias emocionadas, seus vizinhos e por uma montanha de jornalistas.

Um carro da Associação Chilena de Segurança levou Illanes, de 52 anos, e o boliviano Mamani, de 23 anos, para suas casas no bairro de João Paulo 2º, na parte alta da cidade, um dos setores mais pobres de Copiapó.

No trajeto para casa, Illanes compartilhou seu sonho futuro: "A verdade é que quero ir para Miami." "O confinamento foi horrível. Os primeiros 17 dias foram um pesadelo. Depois, tudo mudou", contou.

"Pouco a pouco fomos nos organizando, e sentíamos o apoio vindo de fora. E, perto do final, tudo que queríamos era sair", disse a caminho de casa.

Illanes, mineiro de profissão, casado e com um filho, saiu da mina às 2h06, logo depois de seus companheiros Florencio Ávalos e Mario Sepúlveda . "A experiência na mina foi muito proveitosa. Tudo isso tem sido incrível", declarou.

Illanes, um eletromecânico que celebrou seu aniversário dentro da mina, foi, segundo testemunhos, quem mais injetou otimismo e bom humor a seus companheiros. "Tínhamos de passar por algo assim para mostrar como trabalham os mineiros", observou, num momento de reflexão.

"Se não tiver remédio, continuarei trabalhando como mineiro. Se tiver de sobreviver, farei isso. Mas se puder viver de outra coisa qualquer, deixarei as minas. É muito duro", contou.

AP
Mineiro boliviano Carlos Mamani é cercado pela imprensa ao chegar à sua casa em Copiapó após receber alta de hospital (14/10/2010)
Também morador de João Paulo 2º, Mamani foi recebido quase como um herói. "Bem-vindo ao nosso humilde lar", dizia um cartaz na simples casa de barro, onde ele mora como outros imigrantes. 

Quando seu carro chegou, o mineiro, ainda usando os óculos escuros recomendados pelos médicos, ficou surpreso com a recepção. "Estou bem, estou bem", repetiu aos que o cercavam. Mamani foi obrigado a forçar a passagem para entrar em casa, onde era esperado pela esposa e a filha de um ano, além dos familiares vindos da Bolívia.

O terceiro a deixar o hospital foi Edison Peña, igualmente recebido por um mar de amigos e jornalistas ao chegar em casa. "Estou bem, estou super saudável, por isso fui um dos três a sair primeiro", explicou. "Passamos bem mal, não acreditava que voltaríamos. Obrigado por acreditarem que estávamos vivos", completou.

*Com AFP e BBC

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