Família de mineiro preso 'não permitirá' volta à profissão

Conhecida como 'prefeita' do acampamento Esperança, María Segovia já decidiu pelo fim da carreira de 30 anos do irmão

Luísa Pécora, enviada a Copiapó, Chile |

Se depender de sua família, o mineiro Darío Rojas, um dos 33 homens presos em uma jazida no Chile, encerrará seus 30 anos de carreira no mesmo dia em que for resgatado da mina San José. “Se ele quiser continuar na profissão, nós não vamos deixar”, afirmou ao iG a irmã de Darío, María Segovia, conhecida como “prefeita” do acampamento Esperança, onde familiares vivem desde o acidente, em 5 de agosto.
María desempenha um papel de liderança e atua como espécie de representante dos familiares dos 33 homens, que já passaram 64 dias acampados na região da mina de San José.

Seu irmão, que é perfurador, tem 48 anos e desde os 18 trabalha como mineiro, profissão que também era de seu pai. Os três filhos de Darío não quiseram seguir a tradição familiar, decisão que, agora, serve como alívio para María.

Neste sábado, quando recebeu a notícia de que a perfuradora chegou ao local onde os homens estão presos, ela andava pelo acampamento emocionada, carregando uma bandeira do Chile e um caderno com mensagens de apoio escritas pelos integrantes da equipe de resgate.

“É uma alegria e uma emoção enorme, porque agora falta pouco”, afirmou, em entrevista ao iG . “Passamos dias muito difíceis, angustiantes, desesperadores, principalmente quando não sabíamos se eles estavam vivos”, contou María, em referência aos 17 dias que se passaram entre o acidente e a descoberta de um bilhete enviado pelos mineiros. “Graças a Deus pudemos chegar ao dia de hoje, e agora vamos para o resgate”.

María diz ter recebido “com bom humor” o título de prefeita do acampamento. “Ouço me chamarem assim com muita humildade”, afirma. “Minha intenção não é ser uma autoridade, mas, sim, ajudar as pessoas”.

Ela não esconde, porém, que se emociona ao saber que Darío aprova seu papel no acampamento. “Ele me escreve coisas lindas e sempre diz que se orgulha de ter uma irmã como eu”, afirma. “O fato de ele ter orgulho de mim faz com que me sinta a mulher mais feliz do mundo.”

María escreve para o irmão todos os dias, sempre dizendo “que não vai sair do acampamento até que ele seja resgatado”. Ela também já sabe qual será a primeira coisa que dirá a ele assim que o encontrar: “Vou dizer que o amo, que o adoro, e que se ele precisar de mim outra vez, vou estar aqui para ajudar”.

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