A busca do novo Michael Jackson

Quem são os principais candidatos ao trono deixado pelo rei do pop?

Lúcio Ribeiro, colunista do iG |

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Apesar de dominar efeitos visuais e de palco, Lady Gaga precisa provar que tem fôlego para manter-se no topo
A associação pode parecer funesta, porém é válida. Há um ano da tragédia pessoal do astro pop planetário Michael Jackson, fica claro enxergar seu auge e sua morte como um paralelo do apogeu e do fim da indústria da música como a conhecíamos (ou como Michael a conhecia).

Ainda se ressentindo do passamento de um de seus grandes ídolos e tentando se ajustar à nova ordem musical ao mesmo tempo que insiste em andar no estilo moonwalk, para trás, as grandes companhias do disco querem muito entender o que pode ainda acontecer na música, na dança, no videoclipe, no entretenimento. E, muito por isso, procuram desesperadamente descobrir um novo Michael Jackson, um ídolo que unia, vendia, inspirava.

Mas se em um governo monárquico o negócio é rei morto, rei posto, na música nem sempre é assim: entre o fim dos Beatles, antigos reis do pop, e Off the Wall , disco que consagrou Michael Jackson, foram nove anos de trono vago, ainda que Pink Floyd, David Bowie e os Rolling Stones tenham se apresentado como herdeiros da coroa. E embora o criador do moonwalk, à época de sua morte, já não exercesse tanta influência direta no dia-a-dia do pop, pode ser que levemos um tempo bem grande para absorver melhor sua falta e para que um talento tão múltiplo tome seu lugar.

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Michael Jackson e Justin Timberlake juntos em 2001: será que o jovem aguenta o peso da coroa?
Numa era em que caiu a barreira do meio físico para o business e em que nunca foi tão fácil despontar para o estrelato - e na mesma medida para o anonimato, de tão curtas as carreiras passaram a ser -, existem hoje alguns candidatos à realeza dispostos a dar o "grande golpe" na mídia e assumir o trono de Rei do Pop. Arriscaríamos a dizer que, se alguém vai poder chegar perto do que foi Michael Jackson para o pop, esse alguém está no grupo abaixo:

Justin Timberlake: é a referência mais óbvia e talvez a que guarde mais semelhanças com Jackson, apesar de branco e com senso de humor (veja "Dick In a Box" e tente imaginar Michael fazendo isso). Embora a sensação seja de que, agora com os olhos de 2010, Timberlake já não consiga ir além do que já foi, ele é o que mais se assemelha com Jacko, na trajetória. Como Michael Jackson, JT teve um passado de líder de uma banda pop, transita entre os melhores produtores de seu tempo, toca instrumentos, dança e compõe - e a intimidade com as câmeras é ajudada pelo rostinho bonito. Contra si, pesa uma certa demora no lançamento dos discos: grava-os a cada quatro anos, em média, como Jackson fazia. Mas nos anos 1970 e 80, com a oferta bem menor, cada lançamento do então rei do pop era um acontecimento muito mais retumbante.

Lady Gaga : um ano e meio atrás ela não era ninguém. Hoje é recordista de exibições de vídeos na internet, de figurinos estranhos, de declarações controversas. Se assemelha a Michael na composição de "personagem estranho". Ajuda ainda que Lady Gaga domina o formato pop com destreza impressionante para uma moça de 24 anos e que surgiu há tão pouco tempo. Sabe explorar os efeitos visuais e de palco como ninguém, e se tiver repertório para mais três ou quatro discos superará Madonna, a "rainha" da corte, com facilidade. Contra Steffani Germanotta, seu nome de batismo, há a impressão, por parte de alguns, de que ela não está falando sério, e de que a personagem que representa não terá muito fôlego com o tempo. A conferir.

Britney Spears: já tem mais de uma década que a rebelde sem causa bate ponto no expediente do pop, tentando levar a coroa. Depois de um começo arrasador, indo de “Baby One More Time” a “Toxic”, a loirinha perdeu o foco ao passar por duas gravidezes seguidas, imbróglios financeiros e discos mais apagados - apesar de “Womanizer” ser um hit e tanto. Continua tendo um fã-clube fiel, mas ninguém sabe com quantos quilos ou com quantas músicas boas ela aparecerá no próximo disco - assunto que ela trata com bem menos profissionalismo que os dois candidatos à coroa já citados.

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Apesar das credenciais de magnata do rap, filantropo e produtor de discos, falta a Jay-Z uma ¿Billie Jean¿
Justin Bieber: quem? Como? Pois é, tem o Bieber, um garoto canadense de 16 anos que, enquanto esse texto foi escrito, era a nova sensação da música pop. E que talvez seja o primeiro a já ter conhecido o panorama do mundo pós-Napster sem ter precisado comprar um CD na vida. Concentrando-se apenas em músicas isoladas, sem ter que lançar um álbum com dez ou 12 canções. Se estamos falando de Bieber aqui, entenda: poderia ser qualquer um dos novos fenômenos que a internet bomba e que depois são esquecidos em pouco tempo. Mas um garoto que anda com o Usher e que escreveu uma música chamada “One Less Lonely Girl”... é bom manter pelo menos um olho nele.

Jay-Z: magnata do rap, filantropo, produtor de discos e eventos, artista multimídia envolvido em superproduções do R&B, o quarentão do Brooklyn tem credibilidade das ruas, tem repertório, tem até um time de basquete (é co-proprietário do New Jersey Nets), e poderia muito bem entrar nessa lista de candidatos a novo rei do pop. Mas, apesar de não ser estranho em nenhuma parada de sucessos ao redor do mundo, fala uma língua musical bem menos global, com poucas concessões a elementos de fora do mundo black. Falta-lhe, ainda, uma “Billie Jean” ou uma “Bad”, que até sua avó reconhece a cem metros de distância... e gosta.

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