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Mauricio Stycer, repórter especial do iG
Dois meses depois de “Salve Geral”, um segundo filme, um documentário da rede norte-americana Discovery Channel, tenta entender e explicar os violentos ataques da organização criminosa PCC contra autoridades policiais ocorridos durante três dias de maio de 2006. O programa, que estreia no próximo dia 29, também mostra o pânico que parou São Paulo e a polêmica reação policial que se seguiu aos ataques criminosos.
Entre os dias 12 e 14 de maio ocorreram 280 ataques do PCC, que causaram 46 mortes (entre policiais e agentes penitenciários), 78 feridos e 82 ônibus incendiados. Na sequência destes ataques, 493 pessoas foram mortas por armas de fogo; 122 eram criminosos ou suspeitos que a polícia afirma terem reagido à prisão.
| Divulgação |
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| Programa do Discovery Channel produziu reencenações dos ataques em São Paulo |
Dirigido por Rodrigo Astiz, “São Paulo Sob Ataque” acusa o Estado de ter conhecimento dos planos do PCC com dez dias de antecedência e não ter feito nada para preveni-los. A tese é da jornalista Fátima Souza, da Rede Record, que deu consultoria à produção do filme.
Autora do livro “PCC, a Facção”, Fátima acompanha os passos do PCC desde a criação da organização, em meados dos anos 90. “Tive a informação de duas fontes diferentes, ambas da Polícia, uma do Deic (Departamento de Investigações sobre o Crime Organizado), outra do Denarc (Departamento de Investigações contra Narcóticos)”, disse.
Como mostra “São Paulo Sob Ataque”, vários dos policiais mortos foram atacados fora do horário do serviço. O filme entrevista a mulher de um policial morto e um ex-policial que sobreviveu a 11 tiros. Ambos os depoimentos lamentam o fato de que a tropa não tinha a informação que a cúpula da polícia dispunha sobre a iminência dos ataques do PCC. Em seu depoimento, o ex-PM Carlos Alberto Oliveira diz: “A finalidade era atingir o Estado. Acertaram a minha carcaça. Do Estado, não recebi nada”.
Segundo Fátima Souza, depois de encerradas as rebeliões nos presídios e os ataques nas ruas de São Paulo, a reação da polícia foi desproporcional. “A polícia cometeu excessos. Trabalho nessa área há 25 anos e há 25 anos tenho medo da Rota [Ronda Ostensiva Tobias de Aguiar, um braço da PM de São Paulo].”
“São Paulo sob Ataque” explicita a existência de um conflito entre duas das principais autoridades do Estado na ocasião, o secretário de Segurança Saulo de Castro Abreu e o secretário da Administração Penitenciária Nagashi Furukawa. Segundo o filme, Castro defendia o atendimento das reivindicações dos presos, como forma de encerrar os ataques nas ruas, contra a opinião de Furukawa. Ambos deixaram seus cargos ao longo de 2006.
O documentário também mostra que os ataques só pararam depois que uma representante dos presos, a advogada Iracema Vasciaveo, visitou o líder do PCC, Marco Herbas Camacho, o Marcola, na penitenciária e pediu que ele intercedesse junto aos membros da organização. O Estado nega ter feito qualquer acordo com os presos.
A advogada não quis dar depoimento para o programa, da mesma forma que o delegado Godofredo Bittencourt, então diretor do Deic. Segundo depoimento de Marcola à CPI do Tráfico de Armas, ainda em 2006, ele foi levado à presença de Bittencourt no dia 12 de maio, quando começaram os ataques, apresentou ao delegado as suas reivindicações e ouviu dele que elas seriam encaminhadas ao secretário Furukawa.
Ao final de “São Paulo Sob Ataque”, o atual secretário da Segurança, Antonio Ferreira Pinto, afirma que a polícia desenvolveu instrumentos, na área de investigação e inteligência, que permitem afirmar a impossibilidade de ocorrer um novo ataque do PCC nos moldes dos de 2006. Segundo Ferreira Pinto, os ataques fazem parte de “um passado tenebroso”.
O secretário relata no filme que a Polícia de São Paulo abortou recentemente uma ação do PCC organizada dentro das penitenciárias. Fátima Souza, mais cética, diz que a ação foi apenas adiada.
Além dos depoimentos, "São Paulo Sob Ataque" reencena algumas situações, especialmente os ataques do PCC a diversos ônibus e a reação da polícia. O documentário será exibido no Discovery Channel no domingo, 29 de novembro, às 20h.
Assista ao trailer de "São Paulo Sob Ataque":
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