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Mauricio Stycer, repórter especial do iG
Esqueça “Tropa de Elite”, “Ônibus 174” e “Cidade de Deus”. O estreante Eduardo Valente apresenta ao público, a partir desta sexta-feira (13), um filme sobre a violência no Rio sem as cenas que estamos acostumados a ver. “No Meu Lugar” não propõe soluções, não aponta culpados, não oferece respostas prontas e ainda deixa o espectador intrigado.
Na cena inicial, vemos um policial militar atender aos apelos de uma mulher, que pede socorro na rua, e entrar numa casa luxuosa. Parece uma situação de assalto. Ouvimos dois tiros, mas não enxergamos o que ocorreu. A partir deste ponto, “No Meu Lugar” vai contar três histórias, passadas em três momentos diferentes, todas relacionadas de alguma forma à casa onde ocorreu a cena inicial.
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Raphael Sil e Luciana Bezerra em "No Meu Lugar", longa de estreia de Eduardo Valente |
No tempo em que ocorre a ação vista na cena inicial, acompanhamos o cotidiano do policial militar, suspenso por sua atuação no caso, com seus amigos e sua filha. No passado recente, somos apresentados a um entregador de compras de supermercado, que mora numa favela próxima. Num tempo que se passa cinco anos depois da cena de abertura, uma mulher volta com seus dois filhos e o novo marido para esvaziar e vender a casa onde morou até ficar viúva.
“No Meu Lugar”, diz Eduardo Valente, propõe ao espectador acompanhar de perto essas histórias, esses pequenos dramas, com todas as incertezas e ambiguidades que apresentam. “O que me interessa são as pequenas cenas, as histórias”, afirma o cineasta. “Estou menos preocupado com ‘o que’ vai acontecer e mais com ‘como’ vai acontecer.”
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"O filme ão deixa o espectador adotar |
Nesta busca, “No Meu Lugar” se recusa a utilizar artifícios para chocar ou emocionar o espectador, e vai contra a corrente da maioria dos filmes que enfrenta o tema da violência.
“O filme nasce da vontade de pensar sobre como o fenômeno da violência é tratado de forma geral. Mais do que ir contra, é o desejo de ver algo que não consigo enxergar no cinema, no jornalismo, na ficção. Todos se aproveitam da catarse, mas não se aprofundam, dão respostas óbvias”, aponta Valente.
“Numa sociedade em que os números (ibope, audiência, tiragem) regem às coisas, é normal esse caminho. Mas não me interessa. Nem sempre o caminho mais fácil, mais catártico, é o melhor”, diz.
No seu esforço de evitar o clichê, “No Meu Lugar” mostra um Rio de Janeiro menos conhecido (a ação se passa na rua Alice, em Laranjeiras), o que inclui uma visão incomum da favela, atores com pouca ou nenhuma exposição na televisão e uma montagem que exige atenção e paciência.
Aos 34 anos, Valente adverte: “Não fiz um filme experimental, nem impossível de se relacionar, mas ele não deixa o espectador adotar uma postura fácil. O espectador precisa estar disposto a trabalhar junto com o filme”. Em outras palavras: “Não tem uma bengala dizendo: agora você tem que sentir isso”.
“No Meu Lugar” estreia nesta sexta-feira no Rio de Janeiro (seis cópias), São Paulo (três), Santos e Salvador (uma em cada). Até fevereiro, terá sido exibido em todo o País.
Assista ao trailer de "No Meu Lugar":
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