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Governo de SP flexibiliza lei e permite fumo em cena, nos teatros

03/08 - 13:54 - Mauricio Stycer

Vinte e quatro horas depois de o ator Antonio Fagundes anunciar na primeira página da “Folha de S.Paulo” que iria “peitar a lei”, o governo do Estado de São Paulo anunciou uma flexibilização da legislação antifumo, que entra em vigor no próximo dia 7, autorizando atores a fumarem em cena, durante um espetáculo teatral.

 

Ag News
Antônio Fagundes
Antônio Fagundes
Fagundes estreia em São Paulo, no próximo dia 20, o monólogo “Restos”, de Neil Labute, no qual interpreta um fumante, doente, às voltas com a morte da mulher, de câncer. “Guardem seus panfletos ou qualquer outra merda sobre o assunto, ok? A vida é minha, pelo menos o que resta dela”, diz o texto da peça, reproduzido pela “Folha”.

Segundo a Secretaria de Justiça do Estado, a medida já vinha sendo estudada há algumas semanas. “O fumo em cena, quando necessário para uma peça de teatro, é irrelevante do ponto de vista de prejudicar as outras pessoas”, informa a secretaria, em nota divulgada no fim da manhã desta segunda-feira (3).

A campanha contra a proibição do fumo em cena foi liderada pela atriz Mika Lins, que vem protestando sobre o assunto desde maio. Em cartaz com a peça “Memórias do Subsolo”, a atriz fuma dois cigarros no palco. Na semana passada, Mika colocou o tema em discussão no Twitter.

“Vocês sabiam que a lei antifumo permite fumar em cultos religiosos, mas não permite um personagem fumar em cena?”, perguntou ela, ao tomar conhecimento que teria que pedir autorização judicial para continuar fumando durante a peça. Ainda no Twitter, Mika ouviu de Andrea Matarazzo, secretário da Subprefeituras de São Paulo, que o governador José Serra concordava com o pleito da atriz.

“Eles alegam que é uma questão de ter um papel educacional. Mas na arte, não pode haver essa obrigação”, diz Mika Lins. “Cigarro é uma desgraça, mas essa proibição era um absurdo”.
 
Ao anunciar a liberação para atores fumarem em cena, a Secretaria de Justiça argumenta: “na ponderação de valores entre a finalidade de proteger a saúde pública e a de garantir a liberdade artística, aplica-se o princípio da insignificância e, por isso, o uso de cigarro por atores em peças de teatro não será proibido”, informa, antes de lembrar: “A proibição do fumo se aplica, no entanto, às demais dependências de teatros e casas de espetáculo em geral”.

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