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13:29
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Mauricio Stycer, repórter especial do iG
O humor deve ter limites? Se tem, quais são? Eis duas questões que frequentemente entram em pauta, especialmente quando a piada aventura-se por terrenos mais delicados, como sexualidade, raça e religião.
Há duas semanas, causou surpresa a notícia que a atriz Juliana Paes acionou judicialmente o humorista José Simão, da “Folha de S.Paulo”, no esforço de impedi-lo de fazer piadas sobre as suas formas físicas. Esta semana, a polêmica foi desencadeada pelo humorista Danilo Gentili, do programa “CQC”, que está sendo acusado de fazer piadas de cunho racista.
Na madrugada de sábado, enquanto o canal de tevê paga Telecine Action exibia o filme “King Kong”, Gentili entrou no Twitter e escreveu: “Agora no TeleCine King Kong, um macaco q depois q vai p/ cidade e fica famoso pega 1 loira. Quem ele acha q é? Jogador de futebol?”
Apesar do horário do comentário (0h21 de domingo), as reações não tardaram. Poucos minutos depois, à 0h32, Gentili postou um segundo comentário, em resposta aos leitores: “Alguém pode me dar 1 explicação razoável pq posso chamar gay de veado, gordo de baleia, branco de lagartixa mas nunca um negro de macaco?”
Como as críticas não diminuíram, muito pelo contrário, à 0h53 Gentili voltou ao Twitter, desta vez numa posição mais defensiva: “Reparem: na piada do King Kong não disse a cor do jogador. Disse q loira saiu c/ cara pq é famoso. A cabeça de vcs q tem preconceito hein”.
O humorista ainda postou outros comentários sobre o assunto no Twitter, mas os apagou posteriormente. Vários blogueiros registraram essas frases de Gentili, mas não vou reproduzi-las aqui. Se os retirou do ar é sinal que se arrependeu do que disse, no que está no seu inteiro direito.
| Reprodução |
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| Foto publicada por Gentili na internet |
Gentili não viu conteúdo racista em sua piada. “Foi uma piada sobre uma loira que só sai com cara que é famoso”, diz ao Último Segundo. “Mas sei que piada é assim mesmo: cada um entende como quer”.
O humorista acha que não deve haver limites para o humor. “Mas com bom senso”, diz, para logo acrescentar: “o problema é que o bom senso também é subjetivo”.
Segundo Gentili, ele foi defendido por mais de 70% dos leitores que escreveram para comentar a piada do King Kong. As críticas negativas, diz, vieram da parte do que ele chama de “uma patrulha superficial no combate do racismo”.
O que isso quer dizer? “Se eu chamar alguém de ‘preto’ vou ser xingado, mas se falar que ‘não tolero a presença de afro-descendentes na minha mesa’, vou ser elogiado pelo tom politicamente correto”, diz. Em outras palavras, desabafa Gentili, “o politicamente correto está deixando as pessoas idiotas”.
Segundo o humorista, “as pessoas fecham os olhos para o verdadeiro racismo e preferem falar do superficial”. Aos 29 anos, Gentili se diz acostumado com polêmicas deste tipo. “Outro dia, conclamei os maranhenses a agirem, por causa da Roseana Sarney, e fui acusado de preconceito contra os nordestinos”.
Apesar das críticas, Gentili segue com seu lema: “Se você quer dizer a verdade sem ser apedrejado, faça a pessoa dar uma risada antes.”
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