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Mais escrachado, "Brüno" repete a fórmula de "Borat"

14/07 - 09:59 , atualizada às 14:11 14/07 - Mauricio Stycer, repórter especial do iG

O comediante inglês Sacha Baron Cohen tornou-se uma celebridade mundial depois de realizar o filme “Borat”, lançado em 2006, no qual interpreta um repórter do Cazaquistão em viagem aos Estados Unidos. Cohen extrai graça do filme ao enganar os seus interlocutores, que não sabem estar sendo vítimas de um falso documentário, e falam abertamente sobre os seus preconceitos, expondo ao ridículo a conservadora América da Era Bush.

Getty
Cena do filme

Cena do filme Brüno, sucesso nos Estados Unidos

Ao custo de US$ 18 milhões, “Borat” arrecadou a fabulosa quantia de US$ 248 milhões em cinemas do mundo inteiro – números que transformaram Sacha Baron Cohen instantaneamente em herói da indústria de cinema americana.  

Não foi difícil, por esse motivo, levantar os estimados US$ 42 milhões necessários à realização de “Brüno”, o seu mais recente filme. Desta vez, Cohen interpreta um jornalista de moda austríaco, abertamente homossexual, que parte em direção aos Estados Unidos depois de arruinar a sua reputação na Europa ao assistir uma Semana de Moda vestindo uma roupa de velcro.

“Brüno” não tem um subtítulo, como “Borat”, que anunciava: “O Segundo Melhor Repórter do Glorioso País Cazaquistão Viaja à América”. Mas a premissa é exatamente a mesma e, recriando uma piada que o próprio filme faz, poderia ter como subtítulo a seguinte frase: “O Segundo Austríaco Mais Famoso Depois de Hitler Viaja à América”. 

Como já havia feito em “Borat”, Sacha Baron Cohen concentra-se em rir e ao mesmo tempo explorar lugares comuns e preconceitos contra judeus, negros e homossexuais ao longo dos 82 minutos de “Bruno”. Não calculei, mas deve dar uma piada por minuto. 

Como em “Borat”, Cohen extrai humor do desconhecimento de muitos de seus interlocutores que estão sendo alvo, no fundo, de “pegadinhas”. Com sangue-frio, contorna situações surreais, como na cena em que participa de um talk-show numa tevê em Dallas, cujo público é 100% negro, e faz inúmeras piadas com “afro-americanos”.

Esta cena, a propósito, é um bom exemplo das peripécias de “Brüno”. O espectador nunca sabe exatamente o que é encenado com atores e o que é feito com “pessoas reais” ao longo do filme. Tudo indica, como já apontaram alguns críticos, que o apresentador do talk-show, Richard Bey, estivesse a par da encenação de Cohen, mas não o público, que de fato se revolta quando “Brüno” revela ter trocado o seu iPod por um menino negro na África.

A rigor, há dois filmes em “Brüno”. O primeiro é a boa comédia sobre a maluquice americana – e mundial – em torno da ideia de fama e celebridade. Cohen convence, por exemplo, Paula Abdul a sentar nas costas de um mexicano (ator) para conceder uma entrevista a um suposto “talk show” de Brüno. Janet Jackson, alvo de piada semelhante, acabou ficando fora do filme por conta da morte de seu irmão, Michael.

O outro filme dentro de “Bruno” é a comédia escatológica e agressiva sobre as aventuras de um homossexual desvairado na América. Cohen extrai humor a base de muita grosseria e mal-entendidos.

A produção do filme convenceu, por exemplo, um conhecido político do Partido Republicano, Ron Paul, a dar uma entrevista para “Brüno” em um hotel. A entrevista começa, mas logo é interrompida sob o pretexto de que houve um problema na iluminação. Brüno conduz Paul para um quarto e começa a fazer insinuações enquanto tira a roupa. Paul deixa o lugar xingando “Brüno” de “viado”. É engraçado, mas fica a dúvida: quem não faria a mesma coisa ao ver que foi enganado?

Divulgação
Cena do filme Bruno

Cena do filme Bruno

Como bem observou o crítico Matthew De Abaitua, do britânico Channel 4, Sacha Baron Cohen extrai boa parte de seu humor, tanto em “Borat” quanto em “Brüno”, de uma América profunda, conservadora e obtusa, mas a esta altura já bem conhecida do público.

Para ficar apenas em um exemplo, o crítico lembra os geniais documentários do apresentador Louis Theroux, realizados na década de 90. Tanto no “TV Nation”, programa apresentado por Michael Moore, quanto nos especiais que fez para a BBC, todos exibidos no Brasil, na tevê paga, Theroux mostrou os mesmos personagens agora ironizados por Cohen – os machões que odeiam homossexuais, os racistas, os casais de swingers, os caçadores, enfim toda essa fauna que leva o espectador de “Brüno” às gargalhadas.

“Brüno” estreou no último final de semana nos Estados Unidos com relativo sucesso. O filme arrecadou US$ 30,4 milhões entre 10 e 12 de julho. Mas perdeu 39% de seu público entre sexta e sábado, uma queda notável, especialmente porque a tendência da maioria dos filmes é apresentar crescimento nesse período. Pode ser um sinal que a audiência tenha notado algo de velho na comédia.

"Brüno" estreia no Brasil no próximo dia 14 de agosto.

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