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15:04
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Mauricio Stycer, repórter especial do iG
SÃO PAULO - “Não sei se vou voltar amanhã”, diz o operador da BM&F ao segurança do prédio. São 10h da manhã e a Bolsa de Mercadorias de Futuros, em São Paulo, vai operar pela última vez em sua história com o pregão viva-voz. O segurança não responde nada, apenas pede para o operador passar novamente pelo detector de metais.
O operador volta, retira alguns objetos do bolso, mas o alarme toca novamente. “Hoje está muito sensível”, explica um segurança. O operador se irrita com o rigor na revista eletrônica. Bate boca com o segurança. Retira um punhado de moedas e entrega. “Vê se agora vai”. O segurança não responde nada. Parece treinado para enfrentar a irritação e o mau-humor dos operadores.
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| O pregão de hoje na BM$F, já com número de operadores reduzido |
Com o fim do viva-voz, os negócios na BM&F passam a ser integralmente realizados pelo chamado GTS (Global Trading System) – um sistema eletrônico, que as corretoras acessam de seus escritórios e dispensa a negociação feita pelos operadores em pregão.
No seu auge, a BM&F chegou a ter 1.200 operadores cadastrados, aptos a participar daquela balbúrdia que se tornou a marca registrada das bolsas de valores. Desde que o GTS entrou em operação, em 2000, esse número vinha caindo, chegando hoje a apenas 300 operadores.
| AP |
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| O pregão ainda movimentado na BM&F |
Às 10h15, no aquário reservado à imprensa, onde sempre foram realizadas as fotos e imagens da animação no pregão, os jornalistas assistem a uma cena melancólica. Há cerca de 50 operadores no pregão e nenhum negócio é realizado por viva-voz. De braços cruzados, os operadores conversam ou fazem fotos, em pequenos grupos, para guardar de lembrança.
A morte do pregão viva-voz está anunciada desde dezembro de 2006, quando o GTS foi responsável por 58% dos negócios, superando os que se realizaram na sede da Bolsa. Em 2007, o sistema eletrônico respondeu por 73% e, no fim de 2008, por 93%. Em abril de 2009, o índice chegou a 97%.“É um processo natural de evolução”, diz André Demarco, diretor de Operações da BM&F, em sua sala, três pisos acima do pregão quase fantasma. “Os negócios ganham agilidade e são realizados com menos erros”, diz. Aos 37 anos, o executivo está na Bolsa desde 1991 e chegou a trabalhar no pregão viva-voz.
| Mauricio Stycer/iG |
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| O diretor da BM&F André Damarco |
Alexandre Farinaro de Lacerda é um destes. Ao 37 anos, como Demarco, também entrou na Bolsa aos 19 anos. Foi office-boy, depois funcionário da Bovespa e, a partir de 1993, operador de pregão de corretoras. Há sete anos, com o fim do pregão na Bovespa, veio para a BM&F.
| Mauricio Stycer/iG |
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| O operador Alexandre Lacerda |
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