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15:23
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Mauricio Stycer, repórter especial do iG
A ACERJ (Associação de Cronistas Esportivos do Rio de Janeiro) transmitiu esta semana a seus quase 1.000 associados um comunicado com instruções sobre como devem comportar-se na Tribuna de Imprensa do Maracanã.
A decisão de dar um puxão de orelhas nos colegas deu-se depois um incidente ocorrido no domingo, 24 de maio, durante a partida entre Fluminense e Santos (vencida pelos visitantes por 4 a 1). Mariano marcou para o tricolor carioca logo aos 9 minutos do primeiro tempo, levando um jornalista ao delírio. “Ele saiu pela tribuna correndo e gritando”, conta Eraldo Leite, coordenador de esportes da Rádio Globo e presidente da associação há um ano.
Um funcionário da ACERJ advertiu o jornalista que aquele comportamento era impróprio, mas foi destratado pelo colega. “Ele fez um escândalo”, diz Eraldo. Em função do ocorrido, a associação divulgou um comunicado, que diz:
“A direção da ACERJ vem comunicar que a Entidade está sendo advertida devido ao fato de alguns colegas estarem comemorando os gols de seus times na área descoberta da nossa tribuna de imprensa. Não é proibido frequentar a tribuna, por exemplo, em dias de folga no trabalho. Trata-se de uma área privativa nossa, porém, com observação pública e nela há associados em serviço e em franca produção profissional. (...) Ressaltamos que os nossos funcionários e colaboradores estão orientados a, educadamente, zelar pelo comportamento justo que garanta a boa imagem da classe e a tranqüilidade que os colegas precisam para realizar o seu trabalho.”
O comunicado (a íntegra pode ser lida aqui) também informa que o jornalista foi suspenso por 30 dias, mas Eraldo diz que a pena foi convertida para advertência.
Conversei com Eraldo Leite nesta sexta-feira. Ele está fazendo um trabalho de renovação e reestruturação na entidade. “Primeiro, proibimos a presença na Tribuna de atores, ex-Big Brother, esposa e namorada de jornalista. Era uma farra”, conta. Depois, promoveu um recenseamento, descobrindo que havia advogados, empresários e bancários, entre os associados com direito a assistir os jogos no Maracanã.
Um dos programas que Eraldo implementou é o “Cronista do Futuro”, que permite a associados levarem filhos de 7 a 12 anos para assistirem jogos juntos. Eraldo respondeu a algumas perguntas do Último Segundo:
Jornalista não pode torcer?
Todo jornalista que está no esporte tem um time. Eu sou botafoguense. Torço pelo meu time enquanto não estou trabalhando. Mas misturar torcida com o trabalho não funciona: distorce o trabalho. A emoção não pode falar mais alto na hora de dizer se foi pênalti ou não, se o time jogou bem ou não.
Isso é básico?
Isso é condição “sine qua non”: saber separar a paixão do trabalho.
Ainda mais na tribuna.
A tribuna não é palco de torcedores. Jornalista tem que ter comportamento de jornalista. Claro, fica feliz na hora que seu time fez um gol, abraça o colega que está do lado. Tudo bem. Mas daí a saltar feito um louco, comemorando, não dá!
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