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Moacyr Luz defende o samba "pra cima" em novo álbum

05/02 - 11:40 - Mauricio Stycer, repórter especial do iG

Ainda estamos em fevereiro, mas, a julgar pela receptividade da crítica, “Batucando”, de Moacyr Luz, vai figurar nas listas dos melhores discos de 2009. Primeiro inédito desde “Samba da Cidade” (2003), o CD traz parcerias de Moacyr com Sereno, Wilson das Neves, Hermínio Bello de Carvalho, Paulo Cesar Pinheiro e Aldir Blanc, seu mais constante parceiro, com quem já fez mais de 100 músicas.

Com produção caprichada, “Batucando” apresenta duos de Moacyr com Zeca Pagodinho, Wilson das Neves, Beth Carvalho, Ivan Lins, Alcione, Tantinho da Mangueira, Luiz Melodia e Mart´Nália. Outra novidade: das 12 canções, cinco têm letra do próprio Moacyr, que normalmente apenas compõe.

Aos 50 anos, o compositor festeja com “Batucando” um momento solar. Quase todos os sambas do CD são “pra cima”, alegres, bem-humorados – uma marca também do seu trabalho como cronista da vida boêmia, já registrado em dois livros, “Manual de Sobrevivência nos Butiquins Mais Vagabundos” (Senac) e “Botequim de Bêbado Tem Dono” (Desiderata).

Esta conversa foi realizada numa troca de e-mails – meio ele usa com gosto, inclusive pontuando algumas frases com sinais gráficos típicos da linguagem online, como “rssss”, para assinalar algo engraçado. Moacyr Luz fala de “Batucando”, de seu trabalho como letrista e da baixa gastronomia:

“Batucando” é o seu melhor disco?
Moacyr Luz: Geralmente, o último trabalho é o preferido, o melhor. São doze músicas inéditas com a pretensão de serem eternas, conhecidas. E pensar assim, aos 50 anos, me mantém sonhador, apaixonado...
 
Há quem defenda que samba bom é samba que canta a tristeza, a melancolia. Você concorda com isso?
Meus primeiros dez anos de compositor foram dedicados a chamada MPB. Gravei com Maria Bethânia, Nana Caymmi, Leila Pinheiro, cantoras maravilhosas. Pode ser loucura essa minha conclusão, mas quem acha que samba bom é o que só canta tristeza quer classificar sua música com uma pseudo-elegância com preconceito de pisar no chão.
 

Divulgação

Você atacou de letrista no disco. Uma novidade, não? O que houve?
Na verdade escrevi cinco!!! As três com o Sereno (“Vida da Minha Vida”, “A Natureza Chora” e “Beleza em Diamante”) a letra pro Wilson das Neves (“Quando Se É Popular”) e o “Delírio da Baixa Gastronomia”. Voltando a falar no início da carreira, uma das músicas minhas gravadas pela Nana se chama “Retrós”, letra minha. Em 1984 a Elba também gravou uma canção chamada “Lembrando de Você”, aonde também assino a letra. Fiz mais de cem músicas com o Aldir Blanc, nem me imaginava pegando uma caneta. Acho que os 50 anos me deram essa isenção (rsrs).
 
Em “Delírio da Baixa Gastronomia” você compõe um samba que é uma espécie de roteiro das suas incursões gastronômicas e presta homenagem a cinco locais: Belmonte, Pirajá, Bar Luiz, Lamas e Adonis. São os seus favoritos?
São bares de respeito. O Bar Luiz tem mais de cem anos, o Lamas chega perto. O Bar Belmonte, hoje polêmico por ter se transformado em rede, pertence ao meu amigo Antônio e eu reconheço a sua luta pra vencer nessa história. O Pirajá fica em São Paulo e eu conversava muito com o João nogueira sobre o lugar:  é a nossa embaixada carioca.
 
E um detalhe: o que quer dizer a palavra “engibaiado”, citada em “Delírio da Baixa Gastronomia”?
Essa é a minha homenagem ao Bar do Giba que também fica em Sampa. Tem um pastel de tirar o chapéu. O termo é um carinho ao meu amigo.

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