29/11 - 06:09 - Mauricio Stycer, repórter especial do iG
São duas e vinte da manhã e uma fila de 200 pessoas dá a volta no terceiro andar da Livraria Cultura, no Conjunto Nacional, em São Paulo. Alguém ainda terá a idéia de promover um lançamento de livro com sessão de autógrafos a essa hora, mas não é o caso na noite desta sexta-feira. A turma na fila aguarda o momento de entrar no Teatro Eva Herz, dentro da livraria, para assistir ao show da banda Vanguart.
Aberta desde às 9h, a Cultura só vai fechar às 22h de sábado, 37 horas depois. É o Vira Cultura, evento inédito na história da livraria – e da cidade. Ao longo da maratona, shows, performances, peças de teatro, DJs, um pouco de tudo, para atrair e manter os visitantes entretidos nos 4,3 mil metros quadrados da livraria.
“Este será um evento anual, a partir de agora”, conta Pedro Herz, à entrada da sua livraria, vestindo a camisa-uniforme do evento, com a marca 37 no peito. “Talvez vire um evento semestral”, prossegue. “Quem sabe trimestral”, completa, ainda em dúvida sobre o tamanho do sucesso do empreendimento.
Herz mobilizou 500 pessoas para a logística do Vira Cultura, entre funcionários da livraria e gente envolvida na produção dos diversos eventos da programação. O simpático café da livraria, lotado até uma e meia da manhã, acrescentou energético ao seu cardápio de bebidas e, a partir da meia-noite, passou a oferecer o café expresso de R$ 2,80 por R$ 0,99.
Clarice Niskier, que vem apresentando com sucesso o monólogo “A Alma Imoral” no Teatro Eva Herz, fez uma apresentação extra às 23h de sexta-feira. Em vez dos R$ 50 e R$ 25 (estudantes) por ingresso cobrou o preço único de R$ 10 na sessão. Lotou. Além dos 166 lugares, foram vendidas 40 cadeiras extras e mesmo assim mais de 50 pessoas ficaram de fora, sem ingresso. “’A Alma Imoral’ tem tudo a ver com uma virada”, disse Clarice, de improviso, no prólogo da peça. Como de hábito, foi aplaudida de pé ao final da apresentação.
Todos os demais eventos do Vira Cultura foram gratuitos. O que atraiu muita gente que nunca tinha entrado na livraria antes. “Tem um público diferente. Gente que nunca vi aqui”, constata Pedro Herz. Na fila para comprar um ingresso para “A Alma Imoral”, a moça à minha frente diz: “Vim de Guarulhos para ver a peça”.
| Mauricio Stycer/iG |
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| Marlon e sua turma de amigos |
Um único evento ocorreu fora da livraria, mas bem ao lado dela, no saguão do Cine Bombril – quase um bunker, no subsolo do Conjunto Nacional. Uma roda de samba, testemunhada por 300 pessoas, sob o comando de Fabiana Cozza, sacudiu o espaço. Herz ficou com medo de atrair a atenção do Psiu – o programa municipal de fiscalização de ruídos – se fizesse o show em alguma área mais aberta, no Conjunto Nacional.
Foi um sucesso. O show começou um pouco depois da meia-noite e foi até as três da manhã. Fabiana levou uma turma de sambistas de primeira para acompanhá-la, além de convidados especiais, como Borba, da velha guarda da escola Pérola Negra.
| Maurício Stycer/ iG |
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| Cristiano e Bianca aproveitaram para ler |
Enquanto aguardavam para assistir ao Vanguart, muitos espectadores aproveitaram para ler um pouco. Os livros ficaram largados assim que a porta do teatro se abriu e a fila andou. Um “O Pequeno Príncipe” restou no chão, próximo a um “Manicomios, Prisões e Conventos”, de Erving Goffman. Coisas de uma madrugada na livraria – tomara que se repita.
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