21/11 - 14:47 , atualizada às 19:34 21/11 - Mauricio Stycer, repórter especial do iG
Agarrada a um pinheiro de 1,5 metro, Luciana grita para a amiga: “chama o vendedor!”. Estamos dentro dos Armarinhos Fernando, uma das potências da Rua 25 de Março, o centro de comércio popular de São Paulo. A loja está lotada e Luciana tem medo de perder o pinheiro para algum outro cliente. “O preço tá bom”, ela explica. Custa R$ 31. “Mais barato só se for de graça”, diz o slogan da loja.
| Mauricio Stycer/iG |
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| Movimento na Ladeira Porto Geral, que dá acesso à Rua 25 de Março |
Outro pinheiro, com neve, mas de 1 metro de altura, sai por R$ 21. Os menores, por R$ 8,50. De que material são feitos esses pinheiros? “Infelizmente, não sei dizer”, responde uma vendedora. “É feito com aquelas escovas de lavar mamadeira”, diz outra cliente da loja, ao lado de Luciana, também escolhendo o seu. “Ano passado levei um que estava quebrado. Ficou torto no Natal.”
| Mauricio Stycer/iG |
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| Luciana agarrada ao pinheiro no Armarinhos Fernando |
A loja passará por uma reforma, então, está liquidando tudo. Há várias “ofertas relâmpago do dia”, como cordões de Natal por R$ 1,50 e faixas natalinas emborrachadas por R$ 4,50. Papai Noel a R$ 6,80, sacos de enfeites de R$ 0,50 a R$ 1,50, luzinhas pisca-pisca de R$ 15,99 por R$ 8,90. Mas a grande atração mesmo, além do casal de renas, é o pinheiro em fibra ótica (com luzes coloridas). Está saindo por R$ 130 (o de 1,20 metro) e R$ 280 (o de 2,10 metros).
Espremidos
São 11h30 e a Rua 25 de Março (ou simplesmente “a 25”, como dizem os paulistanos) está fervendo. Estima-se que 700 mil pessoas passem por lá em dias normais – número que salta para 1,2 milhão em temporada de festas.
Espremidos entre a calçada e os camelôs, que tomam todos os espaços disponíveis, as pessoas andam com dificuldade. As mulheres agarram as suas bolsas junto ao peito, com medo de assaltos.
| Mauricio Stycer/iG |
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| Camelô vende flor de personagem de novela |
Um garoto vende um Papai Noel inflável, em dois tamanhos. Quanto é? “R$ 100 e R$ 50”, ele responde. O quê? “Brincadeira. É R$ 50 e R$ 25. Você é policia civil?”, o ambulante indaga ao repórter. Diante da negativa, o camelô abaixa os infláveis para R$ 45 e R$ 20. É o seu melhor preço? “Não”, ele responde. “Posso fazer por R$ 35 e R$ 12”.
Outro camelô esfrega um massageador nas costas do repórter. “Custa R$ 30. No shopping é R$ 90”. Em segundos, diante da falta de interesse do cliente, o preço cai para R$ 25. E logo depois para R$ 20. “É varejo ou atacado? Faço preço especial”, ele explica.
No pé da Ladeira Porto Geral, esquina com a 25, outra loja, a Brilho´s, enfrenta congestionamento de clientes em busca de bugigangas natalinas. Lá, todos os produtos têm dois preços: varejo e atacado (compras acima de 20 unidades). O popular gorro de cetim, do Papai Noel, sai por R$ 1,50 ou R$ 1,15. O boné vermelho de lamê por R$ 6,50, ou R$ 6. Os colares piscantes saem por R$ 1,30 a unidade. A loja pede, encarecidamente, aos clientes “o favor de desligar o pisca depois de testá-los”. Imagine se alguém desliga.
Outro ponto tradicional da 25 é a Casa Costa. A loja é especializada em Carnaval e festas. Vende máscaras variadas, contas marmorizadas (“Cuidado!!! Embalagem frágil. Estourou, pagou!!”), miçangas etc. “O Natal não é o nosso forte”, explica o gerente Nildo. Ainda assim, a vitrine da loja exibe uma fantasia completa de Papai Noel por R$ 80. “Somente GG”, explica o cartaz. O kit inclui calça, camisa, cinto, saco de presentes, barba, sobrancelhas, polaina e gorro. “Temos também uma opção de Extra G, para gordinhos, mas o que vende mesmo é o GG”, explica Nildo.
É Natal na 25 de Março.
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