23/10 - 17:28 - Mauricio Stycer, repórter especial do iG
A falta de recursos para montar uma mega-exposição, a idéia de discutir o excesso de bienais no mundo – 213, segundo o curador – e a proposta de avaliar o próprio papel da Bienal de São Paulo levaram os organizadores da 28ª edição a propor que todo o segundo andar do prédio da instituição ficasse vazio durante a mostra.
O anúncio dessa decisão, alguns meses atrás, levou a 28ª edição a ser apelidada de a “Bienal do Vazio”. Isso até esta quinta-feira, quando os curadores reescreveram o discurso e anunciaram a decisão de renomear o protesto: agora, a idéia de deixar o segundo andar absolutamente pelado diz respeito à proposta de exibir a exuberância do projeto arquitetônico do prédio da Bienal, obra de Oscar Niemeyer. O vazio tornou-se assim a “planta livre”, uma exposição do espaço monumental.
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Se na 27ª Bienal houve 117 artistas convidados, desta vez, em tempos de rediscussão do papel do evento, serão apenas 42. “Você não precisa de 150 artistas para fazer uma Bienal. Você pode fazer com dois, com dez... Com poucos artistas o seu argumento conceitual fica mais forte”, defende Mesquita.
A proposta de redimensionar a Bienal havia sido entendida até então como uma resposta às dificuldades no processo de captação de recursos para realizar a mostra. O total obtido, na casa de R$ 8,5 milhões, seria insuficiente para montar uma exposição com mais de uma centena de artistas.
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Obra da artista sérvia Marina Abramovic, um dos destaques da 28ª Bienal / Divulgação |
Mesquita e Ana Paula Cohen, a outra curadora do evento, rejeitam a idéia que a proposta do “vazio” tenha sido elaborada a posteriori, como uma solução conceitual para dar conta de limitações orçamentárias. “Nós não aceitamos fazer o projeto porque havia uma crise. Aceitamos por acreditar que a Bienal tem algumas funções”, diz Ana Paula.
Questionado sobre o desinteresse internacional a respeito da 28ª Bienal, Mesquita reagiu: “Precisamos deixar de ser provincianos e achar que precisamos de aprovação externa”. Vale lembrar que a Bienal de São Paulo, a segunda mais antiga do mundo, depois da de Veneza, sempre atraiu a atenção de artistas, críticos e gente do mercado de arte internacional. Talvez pensando nisso, Mesquita completou a sua resposta anterior com uma segunda observação: “Não estou nem um pouco preocupado com isso. Se as pessoas não estão interessadas, não há nada que eu possa fazer”.
Se as últimas duas edições estabeleceram a meta de receber um milhão de visitantes, a 28ª Bienal também não está preocupada com índices de audiência – apesar de a entrada ser gratuita, o que ajuda muito. “Esta não é uma preocupação deste projeto”, diz Mesquita.
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Atraso vai impedir que todas as obras sejam |
O título que acompanha a Bienal, “em vivo contato”, reforça a idéia de interação das obras com o público. Um dos maiores atrativos será o escorregador gigante do artista belga Carsten Holler, já exibido em Londres, montado ao longo dos três andares do prédio.
A 28ª Bienal oferecerá, ainda, um vasto programa de conferências para discutir o seu próprio papel e exibirá, num “vídeo lounge”, uma programação com debates realizados nos últimos meses, com a presença de especialistas, para debater a crise deste modelo de exposições.
Serão, enfim, 42 dias de possibilidades para muita polêmica e alguma diversão.
Serviço - 28ª Bienal de São Paulo
Pavilhão Ciccillo Matarazzo, Parque do Ibirapuera
De 26 de outubro a 6 de dezembro
Terça a domingo, das 10h às 22h
Entrada gratuita
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