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O irônico Kassab e a penitente Marta fazem debate insosso

20/10 - 01:08 - Mauricio Stycer, repórter especial do iG

Quem comparar o debate deste domingo na Record ao evento de sete dias atrás na Band pode pensar que há alguma verdade tanto na propaganda de Gilberto Kassab quanto na de Marta Suplicy quando um acusa o outro de ter dupla personalidade. O Kassab acuado da semana passada deu lugar a um Kassab irônico, performático, de gestos teatrais, enquanto a Marta agressiva do primeiro debate foi substituída por uma Marta humilde, penitente, capaz de pedir desculpas em três blocos do programa pelos “erros cometidos” no passado.

 

Só as pesquisas poderão dizer qual estratégia funcionou melhor e quem venceu o debate. O que se pode afirmar com certeza, a esta altura do campeonato, a uma semana das eleições, é que a larga vantagem do prefeito sobre a ex-prefeita nas pesquisas já se reflete no ânimo das militâncias dos dois candidatos. Falta ânimo de ambos os lados, num sinal de que não há muito mais a fazer. Foi como se estivessem disputando uma partida que não terá mais efeito na classificação final do campeonato.

Futura Press
Marta e Kassab se cumprimentam
Marta e Kassab se cumprimentam
Na área reservada à coligação de Marta – desta vez, sem ironia, colocada à esquerda do palco, e não à direita, como na Band – havia vários lugares não ocupados. Pouquíssimas estrelas do PT estiveram presentes: Arlindo Chinaglia, presidente da Câmara, o senador Eduardo Suplicy e só. O candidato a vice, deputado Aldo Rebelo (PCB-SP), naturalmente, compareceu. E alguns vereadores e deputados estaduais.

No lado oposto, a festa foi mais prestigiada. Orestes Quércia (PMDB), fazendo companhia a Alda Marco Antônio, candidata a vice de Kassab, chegou mais de uma hora antes do debate. O senador Heráclito Fortes (DEM-PI) associou-se ao ninho tucano, representado por secretários do governo Kassab, como Clovis Carvalho (Governo) e Andrea Matarazzo (Subprefeituras), além do deputado federal Arnaldo Madeira.

“Madeirinha”, saudou Fortes, ao encontrar o colega. Na conversa animada entre o senador e o deputado antes do debate, sobraram especulações sobre as disputas ainda indefinidas no Rio de Janeiro e em Belo Horizonte. Ambos deixaram escapar que não ficarão tristes se Leonardo Quintão, candidato do PMDB, vencer Marcio Lacerda, do PSB, apoiado pelo governador tucano Aécio Neves e pelo prefeito de Belo Horizonte, o petista Fernando Pimentel. “Se o Aécio vencer, vai ficar com um salto desse tamanho”, disse Madeira, fazendo um gesto com as mãos para sinalizar o tamanho do salto alto do governador mineiro.

A rivalidade entre as equipes de Marta e Kassab é tanta que houve

AE
Marta com assessores no intervalo
uma curiosa disputa entre eles nos bastidores da Record. Quem daria a primeira entrevista ao repórter Lúcio Sturm, ao vivo, após o debate? Não houve acordo. A direção da emissora, então, foi obrigada a resolver a pendência da forma mais científica possível naquelas circunstâncias: uma disputa de par ou ímpar entre os assessores dos candidatos. Nessa, venceu Marta.

As claques, diferentemente do que ocorreu no debate da Band, até que tentaram tumultuar o evento, mas Celso de Freitas, o apresentador, foi bem mais enérgico que Boris Casoy: se as manifestações do público continuarem, vamos retirar parte dos convidados, ameaçou o bedel da escolinha. E funcionou!

É óbvio que houve uma pergunta sobre a propaganda de Marta que questionava Kassab: “é casado?”, “tem filhos?” A resposta do prefeito foi engraçada: “Sou solteiro, sou feliz”. Em outros momentos, mais

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Kassab e Marta durante o debate
Kassab e Marta durante o debate
irônico, o prefeito fez graça com a ex-prefeita: “A candidata é traumatizada com taxas”, disse, para tirar Marta do sério: “Mais respeito, candidato”, ela respondeu. Em outro momento, em resposta a uma questão sobre remédios, Kassab bateu na madeira e disse: “Quem precisa de remédio está torcendo para a Marta não voltar”.

Ao final do debate, Marta deixou escapar a surpresa com o tom irônico adotado por Kassab no confronto: “Houve uma tentativa de me desqualificar. Foram sugestões de alguém que não respeita a mulher”, disse. Kassab já tinha ido embora quando Marta ainda falava. Foi o penúltimo round  (ainda falta um debate na Globo) de uma disputa que não parece mais emocionar ninguém – a rigor, nem mesmo os candidatos.





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