17/10 - 10:43 - Mauricio Stycer, repórter especial do iG
Com um atraso de 90 minutos, mas um filme impactante, que compensou a espera, a 32ª Mostra Internacional de Cinema em São Paulo foi aberta na noite desta quinta-feira, para 800 convidados, no Auditório Ibirapuera.
Espécie de filme-manifesto sobre a situação de índios guarani-kaiowá na região de Dourados, no Mato Grosso do Sul, “Terra Vermelha” é uma produção ítalo-brasileira, dirigida por Marco Bechis, cineasta chileno de origem italiana. “Já perguntaram se esse filme é mais brasileiro ou mais italiano”, disse o cineasta. “Eu respondo como o (roteirista) Luiz Bolognesi: esse filme é guarani-kaiowá.”
O cacique Ambrósio Vilhalva, ator no filme, no papel do líder indígena Nádio, compareceu à cerimônia de abertura e deu o seu recado: “Os índios estavam embaixo do tapete. Eles (a equipe de filmagem) vieram e colocaram em cima da mesa. Agora tem que continuar esse trabalho”.
Antes da exibição de “Terra Vermelha”, Leon Cakoff, criador da Mostra, e sua mulher, Renata de Almeida, agradeceram os patrocinadores e apoiadores que conseguiram reunir, nos governos federal, estadual e municipal, além de empresas privadas, entre as quais o iG, e ouviram os mais variados elogios – merecidos – ao trabalho que realizam. “Nem a Capela Sistina existiria sem patrocínio”, disse Cakoff.
Serginho Groisman, mestre de cerimônias, tentou fazer graça com o tempo de existência do evento, mas a piada não deu certo. “Nem parece que a Mostra tem 32 anos... Tem corpinho de...”
O secretário de Cultura do município de São Paulo, Carlos Augusto Calil, fez a observação mais precisa sobre o papel da Mostra. “Ela criou um novo padrão de festivais no Brasil. E, apesar de balzaquiana, continua inquieta e não sofre de oficialismo, como muitos outros eventos culturais.”
João Sayad, secretário de Cultura do Estado de São Paulo, fez uma sutil menção ao atraso da cerimônia, ao falar em nome do governador José Serra – “que, como vocês sabem, gosta muito de cinema e adoraria ficar acordado até mais tarde”.
Antes do início da sessão, a reportagem do iG conversou rapidamente com Maria de Medeiros, atriz, diretora e, mais recentemente, cantora. “Tenho estado a fazer shows em toda a Europa”, conta. A portuguesa está em São Paulo para encerrar a 32ª Mostra com uma apresentação, no dia 30, no Sesc Pinheiros. “A música brasileira teve muita influência na minha geração, sobretudo a música de resistência à ditadura.”
Maria de Medeiros cita “Tanto Mar”, de Chico Buarque como influência óbvia em seu repertório, mas diz que também sofreu o impacto de Gil e Caetano. Ela se apresenta com um trio de jazz, formado por piano, contrabaixo e percussão, toca músicas brasileiras, portuguesas e canções de filmes, “um pouco de Nino Rota”, diz.
Com mais de 400 filmes, a mostra abre hoje para o público. A programação pode ser encontrada aqui, no site oficial do evento. Como de hábito, há 32 anos, a diversão é garantida.
Assista a trailers dos filmes da Mostra na TV iG
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