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Feira erótica sonha sair da periferia e frequentar grandes pavilhões de exposição

16/10 - 19:05 - Mauricio Stycer, repórter especial do iG

O promotor de eventos Evaldo Shiroma tem um sonho. Conseguir um dia levar a feira que organiza já há onze anos a um espaço nobre de exposições, como o Center Norte, o prédio da Bienal de São Paulo ou o Centro de Exposições Imigrantes. Por enquanto, Shiroma precisa se contentar com o Mart Center, um pavilhão menos disputado, na zona norte de São Paulo. É lá que ocorre, até este domingo, a 13ª Erotika Fair, a divertida feira de produtos e eventos eróticos que ele inventou.


Acordo Ortográfico Neto de japonês, mas nada zen (“sou zen condições nenhuma”, brinca), é formado em publicidade, mas dedica-se ao mundo do erotismo desde 1997, quando organizou a primeira versão da feira. O mercado de produtos eróticos, diz ele, vive o seu melhor momento no Brasil, mas ainda há barreiras insuperáveis para o seu crescimento, a começar do preconceito. “O pessoal do Center Norte diz que o pavilhão é muito perto do shopping, onde circulam crianças. Para conseguir fazer esse evento na Bienal tenho que passar pelo crivo de conselheiros muito idosos. E o pessoal do Imigrantes nunca me respondeu”, conta.

Shiroma avalia que o mercado vem crescendo de 10% a 15% ao ano desde 1997. Segundo ele, há hoje cerca de 150 empresas dedicadas à produção ou importação de produtos eróticos, mais de 1.000 lojas e 2.000 vendedores domiciliares espalhados pelo país, cerca de 100 títulos de revistas neste segmento e cerca de 7 mil videolocadoras que comercializam filmes pornôs. Isso tudo, calcula, gera um movimento de cerca de R$ 800 milhões ao ano – uma ninharia, sublinha, perto dos US$ 2 bilhões que essa indústria fatura nos Estados Unidos todo ano.

O que levou Shiroma a entrar no mercado erótico foi a constatação, por meio de uma pesquisa, que 99% das mulheres que tinham a intenção de entrar numa sex shop não o faziam por vergonha. Isso foi em 1997. “Hoje, entre 70% e 80% do consumo de acessórios é feito por mulheres”.

Surgiram nos últimos anos várias lojas especializadas em atender o público feminino, como Maison Z, Revelateurs e Constantine, além de redes especializadas em atendimento domiciliar, à maneira do sistema utilizado por grandes produtores de cosméticos, como Avon e Natura. Apenas uma empresa, segundo Shiroma, tem hoje cerca de 800 representantes – todas do sexo feminino.

Mauricio Stycer/iG
Fulano
Evaldo Shiroma é o criador da Erotika Fair

Se na primeira feira, o promotor de eventos conseguiu atrair 12 expositores, agora já são 40. E, pela primeira vez, a feira ocorre duas vezes no mesmo ano. Normalmente realizada em abril, para estimular as vendas de produtos eróticos para o Dia dos Namorados, Shiroma agora aposta em vendas para o Natal. “Eu não daria um presente desses para a família, mas para colegas do trabalho”, diz.

Uma das atrações da 13ª Erotika Fair é o 1º Concurso de Orgasmo já realizado no país. Inspirado nos concursos de “air guitar”, em que os participantes fingem tocar guitarra, a disputa pelo melhor orgasmo fingido vai render à vencedora (ou vencedor, “pois homem também finge orgasmo”, diz) um prêmio de R$ 1 mil mais um par de passagens para o Rio de Janeiro.

Entre os expositores, a dona de maior espaço na feira é a Hot Flowers. Apesar do nome, é uma empresa brasileira, hoje a maior fabricante de acessórios eróticos do país. “A indústria brasileira já faz produtos muito bons”, diz Shiroma. “Nosso problema ainda são as embalagens. Não sabemos vender bem os produtos”.

Neste mercado peculiar, o sucesso do fabricante Feitiços Aromáticos talvez ensine que não há fronteiras para o erotismo. “Nós somos do segmento místico”, conta Robério Viana. “Meio que por acaso, fizemos um perfume, o Sedução, que se tornou um sucesso no mercado erótico”. O perfume em questão, inventado por Viana, traz um pênis em miniatura dentro do vidro, “um amuleto”, explica ele, que dá sorte à mulher que o guardar.  
 
Já Betina Hausner, fabricante da linha de sabonetes Eros Magia, chama a atenção para um outro aspecto desta indústria ainda iniciante. “Este é um mercado com muitos registros fajutos”, diz. Ou seja, é preciso conferir com atenção se os produtos que você adquirir possui o selo da Anvisa (Agência Nacional de Vigilância Sanitária). “Tem gente que falsifica”, denuncia Betina.

Vídeo: conheça as novidades da Feira Erótika em SP

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13ª Erotika Fair: De 17 a 19 de outubro, no Mart Center, Rua Chico Pontes, 1.500, Vila Guilherme, São Paulo. Horário: das 15h às 23h. No pavilhão de expositores, a entrada é franca. No pavilhão de atrações (shows etc), a entrada custa R$ 30, casal paga R$ 50 (“mas tem que beijar na boca”, explica Shirona). Cada show custa R$ 5 adicionais. Proibido para menores de 18 anos. Maiores de 65 anos não pagam.

 





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