16/08 - 15:05 - Mauricio Stycer, especial para o Último Segundo
“Favor não encostar no Hulk!”, avisa um cartaz próximo a uma das atrações do parque de diversões, ou melhor, da Bienal do Livro, em São Paulo, aberta até o próximo dia 24 de agosto. Estamos em frente à editora Panini, especializada em quadrinhos e álbuns de figurinhas, onde crianças e adolescentes fazem fila para tocar num boneco gigante do incrível Hulk.
É um programa perfeito para o fim-de-semana. São 350 expositores, representando mais de 900 editores, no Pavilhão do Anhembi. A organização estima serem 210 mil títulos à disposição do público. Muitos quilômetros de livros. Deixe o sapato em casa e calce tênis confortáveis.
Diante das centenas de estandes, os mais cheios, quase sempre, são aqueles que oferecem descontos. “Livros novos a partir de R$ 1”, apregoa, por exemplo, a Top Livros. Por esse preço, você encontra desde “Salomé”, romance de Menotti del Picchia, até “Maria Bonita”, de Afrânio Peixoto. Não gostou? Então, pelo mesmo preço, saiba que você também pode adquirir biscoitos finos como “Na banheira, com Luiza Ambiel”, ou “Do outro lado do muro – Revelações exclusivas da Casa dos Artistas”, obra de Alexandre Frota.
A Top Livros não é a única a explorar esse filão. Na Escala, também se compra livros a R$ 1 (“Recadinhos do coração” e “Viva o amor”, por exemplo) e a R$ 2 (uma coleção de volumes sobre os signos do zodíaco). Ainda insatisfeito? Então procure o estande do Ministério da Educação. O único problema é a fila, uma das maiores da Bienal. Com o apoio do FNDE (Fundo Nacional de Desenvolvimento da Educação), o ministério está distribuindo livros de qualidade para crianças.
Na disputa por público, a criatividade é requisito fundamental – como a estátua viva de um anjo na porta do estande da editora Butterfly, dedicada a livros religiosos. Ou, bem mais interessante, a maior palavra cruzada do mundo para o público preencher, instalada na Ediouro. A editora, que publica o “Guinness, Livro dos Recordes”, se esmerou. Para alegria das crianças, montou um livro gigante na entrada, entre outras atrações, fotografadas e apalpadas por todos que passam.
A Bienal marca a estréia de uma editora especializada em áudio-livros, a Plugme, do grupo Ediouro. Entre os primeiros lançamentos, o best-seller “A lição final”, de Randy Pausch, na voz do ator Paulo Betti. Outra tecnologia curiosa, à venda no evento, é a “Técnica americana de Estudo”. A empresa vende cursos, com a promessa de “ler um livro de 200 páginas em 20 minutos com 100% de compreensão e retenção”. Dependendo do número de volumes que você adquirir, pode valer a pena.
A qualquer hora, em qualquer dia da Bienal, você vai cruzar com vários autores autografando livros ou dando palestras. A programação é intensa – e de qualidade. Na manhã deste sábado, uma das principais atrações era Mauricio de Souza, o genial criador da Turma da Mônica. Uma multidão se reuniu para buscar um autógrafo, trocar uma palavra ou, simplesmente, ver o ídolo de perto. Como a menina ao meu lado: “Nossa, como ele é baixinho”, exclamou, em êxtase.
Entre tantas editoras, duas dicas: a distribuidora Paisagem e a livraria Pontes. A primeira, é a distribuidora oficial dos livros da Taschen no Brasil. Trata-se de uma editora alemã, especializada em livros com acabamento espetacular, cuja área de interesse são artes plásticas, cinema, fotografia, moda e tecnologia. A Paisagem está oferecendo ótimos livros da Taschen por R$ 29,90. É preciso garimpar, mas vale a pena.
Já a Pontes, é uma livraria de Campinas especializada em futebol. É dona do maior acervo de livros nessa área do mercado. Desde clássicos, como “O negro no futebol brasileiro”, de Mario Filho, até a história do Botafogo de Ribeirão Preto. Na Bienal, uma promoção da Pontes: quem compra a biografia de Zinedine Zidane concorre a uma chuteira profissional.

Publicidade
Jornalista Maurício Stycer é o novo colunista e repórter do iG
