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 <Titulo><![CDATA[Adolescentes com HIV precisam de atenção especial]]></Titulo>
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 <NomeFonte><![CDATA[Agência Estado]]></NomeFonte>
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 <Olho><![CDATA[<P>São Paulo, 30 (AE) - As estimativas do Programa Nacional de DST e Aids, do Ministério da Saúde, indicam que no Brasil existem 600 mil pessoas infectadas pelo vírus HIV. Desse total, pelo menos 3% são crianças contaminadas através da transmissão vertical - quando a mãe passa para o filho. Embora esse tipo de incidência tenha caído (51,5% entre 1996 e 2005), o País, na semana do Dia Mundial da Luta contra a Aids (1º/12), vive um novo desafio: como lidar com essas crianças que agora estão chegando à adolescência. </P>]]></Olho>
 <Texto><![CDATA["Quando falamos em dia mundial, é preciso falar também da importância de se lutar contra preconceito e estigmas. Mesmo falando em transmissão vertical é preciso que essas pessoas vivam e tenham sua cidadania de forma plena", diz a coordenadora do programa DST/Aids do Estado de São Paulo, Maria Clara Gianna. <BR><BR>Antigamente, a expectativa de vida para um HIV positivo infantil era muito pequena, mas essa realidade foi alterada com o advento das terapias a base de medicamentos anti-retrovirais. Algumas ONGs trabalham no sentido de ajudar essas crianças e jovens e os resultados têm sido bastante positivos. <BR><BR>Na cidade de São Paulo, um exemplo desse trabalho é o Projeto Reviver, que oferece serviços como atendimento psicológico, odontológico e orientação nutricional. A entidade atende mais de 80 crianças e realiza 350 atendimentos por mês. "Precisamos de verbas para expandir o trabalho. O que temos, atende no limite o que a gente faz. Setenta por cento dos funcionários são voluntários", diz Arlete Pires Paiotti, responsável pela gestão administrativa do ambulatório do projeto. <BR><BR>Um dos pontos principais do trabalho é o atendimento psicológico, já que esses <A href="http://ultimosegundo.ig.com.br/materias/bbc/2613001-2613500/2613413/2613413_1.xml" target=_blank><STRONG>adolescentes</STRONG></A> terão uma vida um pouco diferenciada. As meninas, por exemplo, vivenciam um conflito pelo desejo da maternidade. Além disso, há a questão do preconceito, da sexualidade e o inevitável: quando contar à criança que ela é portadora do vírus HIV. "As crianças percebem a situação, mas fica um diagnóstico velado. Ela sabe que há algo diferente, mas os pais e cuidadores fogem da situação por diversos motivos", explica Nicole Motta Geller, psicóloga do Reviver. <BR><BR>Para ela, esclarecer o diagnóstico para a criança torna-se necessário quando ela mostra curiosidade sobre sua condição. A psicóloga lembra que uma criança de 6 anos, por exemplo, costumar levar, para os encontros promovidos pela entidade, questões relacionadas à vivência hospitalar ou à perda da mãe do que do próprio HIV. "O principal é fazer com que o paciente saiba lidar com a situação. O preconceito existe e está aí. Até que ponto contar para escola? Que escola é essa? Ele tem que saber lidar com as dificuldades", informa Nicole. <BR><BR>À frente da unidade de internação do Instituto de Infectologia Emílio Ribas, hospital de referência para toda a América Latina, a infectologista Marinella Della Negra afirma que os adolescentes com HIV levam uma vida normal. As exceções são aqueles que sofrem complicações relacionadas ao vírus. Para ela, os desafios são entender o problema da adolescência dentro dessa condição de vida e prepará-los para um relacionamento com parceiros. "Temos adolescentes que estão com 20 anos e estão bem, eles precisam de uma vida social, ter seu sustento. Estamos aprendendo junto com eles", relata. <BR><BR><STRONG>Sexualidade</STRONG> - Um tema bastante trabalhado com esses adolescentes é o da sexualidade. No Projeto Reviver, eles chegam com relatos de que "ficaram" na escola e tudo isso precisa ser bem trabalhado. "Nós trabalhamos o cuidar de si mesmo. Mesmo se eles se relacionarem com pessoas HIV positivo é preciso fazer uso do preservativo, há variações do vírus e pode haver uma recontaminação. Além disso, temos outras doenças sexualmente transmissíveis", alerta Nicole. <BR><BR>"No Emílio Ribas essas crianças, em sua maioria, são acompanhadas desde pequenas, então passaram pela fase da informação da situação. Uma equipe multiprofissional trabalha a aceitação do diagnóstico. As meninas sabem que medicamentos reduzem a transmissão vertical, mas que há o risco", explica Marinella. A infectologista ressalta que é importante que, além da consciência do preservativo, o portador informe seu parceiro da sua situação. <BR><BR>
<P class=MsoNormal style="MARGIN: 0cm 0cm 0pt"><SPAN style="FONT-SIZE: 10pt; FONT-FAMILY: Verdana"><STRONG>O mercado de trabalho</STRONG></SPAN></P><BR>Outro grande desafio extrapola as barreiras da medicina e vai ao encontro da questão social. A profissionalização desses jovens se faz necessárias para que eles busquem sustento e tenham uma ocupação. O Projeto Reviver já iniciou um trabalho de capacitação dos adolescentes. "Fizemos uma experiência que foi uma oficina de pães. É uma forma de trabalhar essa independência e o trabalho em equipe", relata Arlete Pires Paiotti. <BR><BR>"É preciso que as empresas, dentro de seus projetos de responsabilidade social, saibam que existe um grupo grande de adolescentes que precisam ser inseridos no mercado de trabalho. É preciso que se dê formação para esses garotos e que eles sejam absorvidos pelo mercado. Muitas vezes eles se formam mas ninguém os aceita pelo fato de ser HIV positivo", finaliza Marinella. <BR><BR>
<P class=MsoNormal style="MARGIN: 0cm 0cm 0pt"><SPAN style="FONT-SIZE: 10pt; FONT-FAMILY: Verdana"><STRONG>Mais informações</STRONG></SPAN></P><BR>Projeto Reviver<BR>Tel.: (11)6692-3165<BR>Na internet: www.projetoreviver.org.br<BR><BR>
<P class=MsoNormal style="MARGIN: 0cm 0cm 0pt"><SPAN style="FONT-SIZE: 10pt; FONT-FAMILY: Verdana"><STRONG>Brasil reduz índice de transmissão vertical</STRONG></SPAN></P><BR>Os investimentos no tratamento e prevenção da aids vêm trazendo excelentes resultados para o Brasil. O País tem seu programa elogiado e copiado mundialmente. O último Boletim Epidemiológico, divulgado pelo Programa Nacional de DST e Aids, mostrou que a transmissão vertical foi reduzida em 51,5% entre 1996 e 2005. No ano passado, 530 casos foram registrados, contra 1.091 em 1996. Em São Paulo, a Secretaria Estadual da Saúde, por meio do Programa Estadual DST/Aids, conseguiu uma redução ainda maior na transmissão vertical: 72%. <BR><BR>Segundo a coordenadora do programa DST/Aids do Estado de São Paulo, Maria Clara Gianna, trata-se de um número bastante importante que ainda pode ser aumentado. "Nossa meta é que essa transmissão seja rara". Em entrevista à reportagem, ela falou sobre a importância do pré-natal e como foi possível essa grande redução. A seguir, os principais trechos da entrevista: <BR><BR>AGÊNCIA ESTADO - Como funciona o programa?<BR>MARIA CLARA GIANNA - Iniciamos o trabalho em 1996 e desde então temos a oferta de sorologia. No pré-natal, toda gestante tem que ter acesso ao teste de HIV. Esse é o primeiro momento. Depois que constatamos, ela tem que ter acesso ao tratamento e isso não é um problema no País. Em São Paulo temos um trabalho muito grande de ofertar o teste no pré-natal e já é uma história de dez anos. Setenta e dois por cento de redução não é o suficiente. A nossa meta é que essa transmissão seja rara. <BR><BR>AE - Como é possível aumentar esse porcentual?<BR>MARIA CLARA - Aumentando a oferta de serviços, os medicamentos estão disponíveis, mas é preciso fazer mais e dá para fazer isso. Com os testes mais disponíveis e os medicamentos introduzidos rapidamente, conseguiremos uma redução ainda maior. Não falta anti-retroviral em nosso País, uma lei de 1996 garante o acesso de todas as pessoas soropositivo aos medicamentos. <BR><BR>AE - Essas crianças ficam realmente livres do HIV? Após passar por todo o protocolo existe algum risco?<BR>MARIA CLARA - O risco hoje é menor que 2%. Isso se passar por todo o processo: pré-natal, introdução do medicamento no momento certo e não amamentar com leite materno. Embora seja raro, algumas mulheres não seguem o protocolo e amamentam os filhos, mas isso tem mudado. A mãe soropositiva não pode amamentar. Ela tem que receber o leite artificial que é custeado em todo o Brasil. <BR><BR>AE - Durante a gestação a mãe é tratada com coquetéis, o bebê também recebe algo ainda dentro do útero ou somente após o nascimento?<BR>MARIA CLARA - Enquanto está no útero o bebê não recebe nada. A mãe recebe o anti-retroviral e há uma redução grande da carga viral, diminuindo as chances da transmissão. Se feito no início da gestação, as chances de não transmitir são maiores. A criança recebe a droga nas primeiras semanas de vida e fazemos um acompanhamento. Depois, se ela vier a ficar doente, volta a receber o medicamento. Acho que temos essa questão muito clara. Quando falamos em dia mundial, é preciso falar também da importância de se lutar contra preconceito e estigmas. Mesmo falando em transmissão vertical é preciso que essas pessoas vivam e tenham sua cidadania de forma plena. ]]></Texto>

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