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 <Titulo><![CDATA[Ivo Pitanguy fala sobre a importância da cirurgia plástica]]></Titulo>
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 <NomeFonte><![CDATA[Agência Estado]]></NomeFonte>
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 <Olho><![CDATA[Ivo Pitanguy fala sobre a importância da cirurgia plástica ]]></Olho>
 <Texto><![CDATA[Por Deborah Bresser<BR>Ele é pequeno, mas não é franzino. Entrar no aconchegante "esconderijo" que ele montou para seus momentos de descanso no último andar de sua clínica em Botafogo, no Rio de Janeiro, diz mais sobre ele do que mil palavras. É ali que o cirurgião plástico Ivo Pitanguy descansa entre uma cirurgia e outra. Almoça, tira um cochilo e relaxa embalado pela música clássica. O ambiente, decorado com várias obras de arte - nas paredes, no chão, nas escrivaninhas e estantes - revela seu gosto pelas artes, herdado pela mãe, Maria Stael Jardim de Campos Pitanguy. Ele inclusive foi presidente do Museu de Arte Moderna do Rio de Janeiro por 11 anos. O gosto pela medicina veio depois, após o término dos estudos secundários, por influência do pai, Antônio de Campos Pitanguy, cirurgião geral.<BR><BR>Ivo Pitanguy dedicou a vida para mostrar os valores da cirurgia plástica como instrumento para elevar a estima e o bem-estar do indivíduo com sua própria imagem. Casado há 50 anos, pai de quatro filhos, ele é um grande mestre. Mantém 10 vagas anuais em seu curso de pós-graduação e já formou cerca de cinco mil médicos. "Ensinar, criar uma escola, é responsabilidade inerente a quem acredita deter algum saber. Nada é mais revigorante do que transmiti-lo.", afirma. <BR><BR>A lição ele transmite ao vivo, para quem quiser ver. Na 25ª Jornada Carioca de Cirurgia Plástica, que aconteceu no início do mês no Rio de Janeiro, Ivo Pitanguy demonstrou algumas de suas inúmeras técnicas cirúrgicas, como redução de mamas e face-lift, em procedimentos realizados diretamente do centro cirúrgico. Também foi palestrante do 18º Congresso da Sociedade Internacional de Cirurgia Plástica (Iaps, em inglês), evento que reuniu, também no início de agosto, mais de 1.700 cirurgiões plásticos no Forte de Copacabana, na zona sul do Rio. <BR><BR>Em entrevista à Agência Estado, ele fala sobre a importância da cirurgia plástica. <BR><BR>AGÊNCIA ESTADO - A cirurgia plástica era considerada uma "frescura"?<BR><BR>IVO PITANGUY - É um pouco mais profundo do que isso. Nós tivemos de tirar a pecha de que as pessoas que nasceram deformadas deveriam continuar deformadas. Quando se fala em "frescura" é uma coisa muito especial. A pessoa que nasceu com nariz muito grande, a orelha para frente não acha isso uma "frescura". A cirurgia plástica é importantíssima para as pessoas diante do trauma, e eu sempre trabalhei para chamar a atenção para esse fato.<BR><BR>AGÊNCIA ESTADO - De que maneira?<BR><BR>IVO PITANGUY - Criando técnicas, inúmeras técnicas, em relação a várias deformidades, e também formando cirurgiões no mundo inteiro. A minha geração tinha dificuldade de que a comunidade entendesse a importância social da cirurgia plástica. Não use "frescura". No nosso País, pelo fato de termos formado muitas pessoas, e elas terem senso ético, foi-se criando uma mentalidade verdadeira da especialidade, agora é evidente que no meio de tudo isso há o perigo da banalização.<BR><BR>AGÊNCIA ESTADO - Como o senhor vê essa banalização da plástica?<BR><BR>IVO PITANGUY - Nós todos devemos evitar. Uma pessoa que quase não tem mama e quer corrigir, é natural. Por outro lado, uma pessoa que tem mama normal, quer fazer uma mama gigantesca, quer "turbinar" (essa palavra pejorativa), tudo isso foge da compreensão de uma pessoa que não tem sua feminilidade, que tem menos. Todo o sentido meu foi mostrar que o normal é o que não se nota. Se ela tem a mama bonita, a cara bonita, não tem que operar nada. Mas se tem algo que é uma deformidade e a cirurgia pode corrigir, por que não?<BR><BR>AGÊNCIA ESTADO - Mas hoje as pessoas não fazem muita cirurgia só para se enfeitar?<BR><BR>IVO PITANGUY - As pessoas estão recuperando sua auto-estima, seu equilíbrio interno. Mas, no meio de tudo isso, há a interpretação, e as más indicações, que sempre devem ser evitadas, para o bem do paciente.<BR><BR>AGÊNCIA ESTADO - Como evitar problemas? <BR><BR>IVO PITANGUY - Além de uma formação técnica, o médico tem de ter uma formação ética profunda, para compreender o ser humano. Uma pessoa que me procura, está envelhecendo e não está se sentindo bem com as rugas....se eu puder atenuar, por quê não? Ela terá uma sensação imensa de bem-estar. Agora, se for uma pessoa que já estiver em uma fase que não puder atenuar, ou se o que ela quiser atenuar for uma coisa sem importância, cabe ao médico dizer que ela não deve fazer. E não estou falando em arbítrio nem julgamento, em que é apenas o cirurgião que indica, como se ela tivesse uma apendicite aguda. Eu tenho de ter o arbítrio para salvar sua vida, não para julgar. Se você disser que tem o nariz grande, eu não digo nada. Cabe a você julgar o nariz. O médico precisa ter essa sutileza de compreender o ser humano.<BR><BR>AGÊNCIA ESTADO - As técnicas novas, como a toxina botulínica, o Botox, estão sendo usadas exageradamente, com jovens querendo ficar cada vez mais jovens?<BR><BR>IVO PITANGUY - Os processos coadjuvantes, os dermocosmetológicos, não vieram atrapalhar, vieram ajudar, fazem parte da medicina estética. O que existe é um culto à juventude que é imposto atualmente, e que passou a ser exagerado por que não é um marketing da beleza, é um marketing comercial em cima da mulher e do ser humano. Tudo isso é uma época que a gente está vivendo que é errada. E o espírito, a inteligência, está tudo sendo jogado pra lá. Se você olhar toda uma geração, o interesse humanístico na formação da pessoa é cada vez menor. Por isso, na formação do médico hoje, mais do que nunca, é importante ele voltar a ter formação humanística, da literatura, do conhecimento da vida, por que do contrário ele será uma pessoa incapaz de compreender esse ser humano de hoje que, em si, já está tão perdido.<BR><BR>AGÊNCIA ESTADO - O senhor já fez plástica?<BR><BR>IVO PITANGUY - Não, não fiz. Eu me tolero. Se você se tolera, é muito importante. Acho que a maior parte das pessoas não tem a menor necessidade de fazer plástica, tem necessidade de estar bem com sua imagem. Agora, quando não estiverem, e a cirurgia puder melhorar, por que não?<BR><BR>AGÊNCIA ESTADO - O senhor tem medo?<BR><BR>IVO PITANGUY - Não tenho medo nenhum, mas digo sempre que todo médico tem medo de médico por natureza. Mas acho que se eu tivesse qualquer deformidade muito grande, um nariz, uma orelha, teria feito, mas o envelhecer às vezes deve ser feito de maneira natural também, não deve estar sempre contrariando. Mas se a pessoa não consegue envelhecer, por que não ajudá-la a envelhecer com dignidade?<BR><BR>AGÊNCIA ESTADO - Como envelhecer bem, trabalhando com beleza? Não há muita cobrança?<BR><BR>IVO PITANGUY - Desde que a pessoa tenha outras prioridades, dê à vida outro significado, uma amplitude maior, você tem cobrança na vida de todos os lados, não é obrigado a ter todas as atividades em plenitude, pode ter uma, duas ou três...<BR><BR>AGÊNCIA ESTADO - Quais as suas "atividades em plenitude"?<BR><BR>IVO PITANGUY - A coisa é tão mais complexa, não é a cirurgia que está envolvida, está envolvido o sentido do ser humano, de natureza psicológica, natureza social. Quando a pessoa teve a sorte de ter a sua vida, em muitas camadas que foi sedimentando, camadas de amizade, de vivência, de estudo, de impressões, de interesses múltiplos, o envelhecer nunca acontece. Tem de ter um programa diante de você. O perigo do envelhecer é a pessoa enferrujar, ficar parada. Se você se propuser alguma coisa, você está vivendo.<BR><BR>AGÊNCIA ESTADO - O senhor fez oitenta anos em 5 de julho ?<BR><BR>IVO PITANGUY - Disseram, mas eu nunca soube... Nem quero saber.<BR><BR>AGÊNCIA ESTADO - Não sou eu que vou contar...<BR><BR>IVO PITANGUY - Oitenta, 120, desde que eu possa estar rindo deles, o número não importa....os anos são medidos em momentos de intensidade. Há pessoas que viveram 100 e não viveu nenhum ano, outros viveram 20 e viveram muitos. Os meus são bem vividos, principalmente por que é a única vida que eu tenho, não tenho outra.<BR><BR>AGÊNCIA ESTADO - O senhor é faixa preta de karatê. Continua treinando ?<BR><BR>IVO PITANGUY - Sempre fui esportista. Karatê eu não estou treinando, mas sou terceiro Dan (grau).<BR><BR>AGÊNCIA ESTADO - Eu sou primeiro Dan...<BR><BR>IVO PITANGUY - Então você pode avaliar o que é o terceiro.... Tive um professor japonês por 12 anos, depois do segundo Dan não se ganha graduação por prova, não é por nada, é por sua compreensão do sentido do kiai, do sentido que representa esse domínio do corpo pelo espírito, que é o mais importante.<BR><BR>AGÊNCIA ESTADO - Mas o senhor continua sendo um atleta?<BR><BR>IVO PITANGUY - Eu tenho um dojô na minha casa, onde vou meditar, tenho uma quadra tênis, onde jogo com minha mulher, sempre procuro nadar um pouco, mergulhar. Gosto de esquiar na neve, pratiquei esporte a vida toda, fui nadador nacional dos 11 aos 16 anos, o esporte dá disciplina.<BR><BR>AGÊNCIA ESTADO - O senhor pensa em se aposentar ?<BR><BR>IVO PITANGUY - Se aposentar de quê? Eu acho que quando você tem no seu trabalho uma espécie da sua distração, e tem na sua distração uma espécie quase de trabalho, você não sabe qual é um e outro, você está feliz. Eu acho que quando isso acontece é uma sorte. Não dá para dizer para todo mundo, tem gente que faz o que não gosta. Eu tive a sorte de escolher uma coisa que eu gosto, e dentro disso, tive uma vida muito ativa, muito ligada à arte. Fui onze anos presidente do Museu de Arte Moderna, tem a parte da Academia Brasileira de Letras, que eu gosto também, tem a Medicina, tenho mais de 4 mil trabalhos científicos, 8 livros, tenho uma vida muito rica de espírito. A vida tem de ser separada em campos diversos, para ter um atrativo permanente. Tem de ir variando para não esgotar.<BR><BR>AGÊNCIA ESTADO - O senhor falou que criou várias técnicas e chamou muita atenção o novo rosto da Sônia Braga...<BR><BR>IVO PITANGUY - Eu nunca falei que a operei. Mil doentes já falaram que eu os operei, mas eu pessoalmente não me dou o direito de falar. Eu nunca digo quem eu operei e quem não operei. A pessoa - se confiou em mim - tem o direito de sua privacidade. Agora, se a pessoa me honra falando bem de mim...<BR><BR>AGÊNCIA ESTADO - Entre suas técnicas, há alguma que seja sua menina dos olhos?<BR><BR>IVO PITANGUY - Ninguém tem menina dos olhos. Tem coisas pelas quais você é mais conhecido, ou mais original e que vieram a salvar problemas no mundo inteiro. Mas não posso falar eu faço isso, faço aquilo, isso é muito medíocre.<BR><BR>AGÊNCIA ESTADO - A cirurgia plástica passou do conceito de deformidade para o da estética?<BR><BR>IVO PITANGUY - Quando nós começamos, os médicos não falavam que faziam estética, não havia direito a auto-estima. A coisa mais importante que fiz foi criar, na Santa Casa, um serviço de atendimento para pessoas carentes. Isso me permitiu sentir que as pessoas são as mesmas. Uma vez que as necessidades básicas sejam vencidas, todo mundo quer estar bem com sua aparência. A cirurgia reparadora ou estética tem o mesmo valor.<BR><BR><BR>]]></Texto>

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