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 <Titulo><![CDATA[Obesidade infantil: o melhor caminho é a prevenção]]></Titulo>
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 <Olho><![CDATA[Por Vítor Cavalcanti
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Seja em casa, na rua ou na escola, a criança, desde os primeiros anos de vida, está exposta a uma série de alimentos como doces, salgadinhos, lanches calóricos etc. Ou seja, se os pais não têm olhos atentos para hábitos alimentares saudáveis, os pequenos crescem num mundo repleto de "vilões". Especialmente se há uma predisposição genética para a obesidade. 
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 <Texto><![CDATA[Causada, porém, por diversos fatores, a obesidade está ligada ao sedentarismo, aos maus hábitos alimentares e também à questão genética. Portanto, se sua família tem facilidade em ganhar peso, é importante orientar seu filho desde cedo para que ele saiba comer bem e de forma correta. "O importante é prevenir. É preciso crescer aprendendo isso. Comer de forma adequada deve ser uma coisa natural", explica o pediatra Fábio Ancona Lopez, professor de nutrologia do Departamento de Pediatria da Universidade Federal de São Paulo (Unifesp) e vice-presidente da Sociedade Brasileira de Pediatria. <BR><BR>Um levantamento feito pela Organização Panamericana de Saúde, revelou que a obesidade infanto-juvenil no Brasil avançou 240% nos últimos 20 anos. Estima-se que entre 20% e 25% das crianças e dos adolescentes brasileiros sofram de obesidade ou sobrepeso. "A vida moderna é, sem dúvida, um grande problema. Há 70 anos, as pessoas eram magras. Isso porque comiam melhor, andavam mais", lembra Nilton Tokio Kawahara, professor de cirurgia geral na Universidade de São Paulo (USP) e coordenador do núcleo de tratamento e prevenção da obesidade do Hospital Sírio Libanês. <BR><BR>OBESIDADE NÃO TEM CURA<BR><BR>Quando os médicos citam a vida moderna como forte colaboradora da obesidade, eles incluem a questão sócio-econômica. Cada vez mais o ser humano encontra dificuldades para ganhar o suficiente de forma a suprir as necessidades básicas da família. Com isso, a mãe entra no mercado de trabalho e o paradigma de alimentação saudável é quebrado. No lugar de legumes, saladas, arroz e feijão frescos, entra um cardápio pouco balanceado, com muita fritura, por exemplo. <BR><BR>A atenção ao tema tem crescido e não é a toa. Obesidade não tem cura, dizem os médicos. A pessoa aprende ou não, ao longo da vida, a controlar a doença. Além disso, o indivíduo obeso normalmente sofre com diversas complicações, entre elas a diabete tipo 2, hipertensão e doenças cardíacas. <BR><BR>Diante do problema, muitos pais se perguntam qual a melhor forma de educar o filho neste sentido. Lopez é enfático ao dizer que a criança deve ser tratada como tal. "Não podemos tratar uma criança como adulto e o pediatra está aí para isso. A pediatria cuida do ser humano em crescimento", avisa. <BR><BR>Essa orientação é importante, já que muitos pais, na ânsia de resolver o problema do filho, partem para atitudes radicais, como tentar enquadrar a criança em dietas projetadas para adultos ou, em alguns casos, cogitarem como saída as diversas cirurgias de estômago existentes. Mas essas operações causam polêmica e não há consenso nem mesmo entre os cirurgiões bariátricos. "A cirurgia de redução de estômago é mutilante. Não é estético. Ela tira a condição de absorver nutrientes", informa Lopez, que deixa praticamente descartada a possibilidade de operar uma criança.<BR><BR>A medicina tem poucos registros de cirurgia no público infanto-juvenil. Dados da Associação Brasileira de Nutrologia mostram que, entre 1981 e 2001, foram realizadas 33 cirurgias em adolescentes norte-americanos. O Índice de Massa Corpórea (IMC) deles estava em 52. "Nesses casos, primeiro verifica-se se tem tratamento documentado, se existe prática de atividade física, acompanhamento de um endocrinologista, isso por pelo menos dois anos. Se nesse período não houver perda de peso e redução de comorbidades, parte-se para a cirurgia" explica Kawahara que continua, "mas para isso, é preciso uma avaliação psicológica, a criança pode levar um tempo para se preparar".<BR><BR>MELHOR CAMINHO<BR><BR>A forma mais correta de tratar uma criança ou adolescente é introduzindo mudanças em seus hábitos de vida. Um ponto de difícil aplicação por envolver toda a família. "Para uma criança, inicialmente é recomendado um tratamento clínico intensivo na tentativa de reverter o caso. Até porque ela está em formação e uma cirurgia pode alterar a evolução da criança", afirma Kawahara. <BR><BR>O tratamento clínico envolve uma equipe multidisciplinar, com psicólogo, nutricionista, endocrinologista e pediatra. Através dele a criança ou o adolescente passará por uma educação nutricional, onde, segundo o pediatra Lopez, não há prescrição de medicamentos. Os especialistas lembram que o papel do nutricionista é de extrema importânica, já que a ele caberá a missão de elaborar um cardápio com comidas que a criança goste. Um ponto importante é não usar de forma exagerada alimentos light, porque a criança precisa aprender a comer de tudo, inclusive os lanches das redes de fast-food. <BR><BR>O índice de sucesso nesse tipo de tratamento é pequeno, mas é a alternativa mais indicada. Isso porque não haverá intervenções no corpo. Quando a criança fica na casa dos avós é preciso também estender a estes a consciência da educação alimentar. O tratamento é constante e não se deve permitir deslizes. "Se ele tiver sucesso no tratamento enquanto criança, dificilmente terá problemas na fase adulta, porque aprendeu a comer direito. Quanto maior a adesão, maiores são as chances de sucesso", conclui Lopez. <BR><BR>Como a chave principal para combater a doença está na prevenção, o melhor é que a criança faça consultas regulares com um pediatra. Além disso, é importante que os pais tenham uma boa alimentação, porque a criança tende a seguir o exemplo que tem em casa. <BR><BR>Colhendo resultados<BR><BR>É na escola que se aprende a ler e escrever. Mas é também lá onde, muitas vezes, a criança e o adolescente adquirem hábitos alimentares pouco saudáveis. As cantinas oferecem uma gama de doces e salgados fritos capazes de quebrar qualquer tratamento para controle do peso. <BR><BR>No intuito de mudar esse cenário, desde agosto de 2004, a Sociedade Brasileira de Endocrinologia, em parceria com a Sociedade Brasileira e Pediatria e a Universidade de Brasília, implantou, em fase de teste, no Rio de Janeiro, o programa Escola Saudável. Trata-se de uma maneira de ensinar e estimular novos hábitos alimentares. <BR><BR>Em cinco colégios da rede municipal, na região da cidade de Petrópolis, o projeto avaliou 1.665 crianças. Em 973 delas foram realizadas dosagens de colesterol. Ao final da avaliação, constatou-se que 13,25% apresentavam colesterol alto e 30,9%, apresentaram problema de obesidade ou sobrepeso. A idéia é estender o programa para outras regiões do País na tentativa de reverter essa realidade. Para alguns especialistas, a obesidade no Brasil já virou uma epidemia. <BR><BR>PARA O FUTURO<BR><BR>Em estudo nos EUA desde 2000, o marcapasso gástrico promete ser uma boa solução para quem sofre de obesidade leve, ou seja, pessoas que estão entre 15 e 30 quilos acima do peso. No mundo, 700 pacientes participam do estudo, que tem apresentado bons resultados. "Os efeitos para obesidade mórbida não são muito bons. Os pacientes em teste perderam 35% do peso excedente", informa Nilton Tokio Kawahara, que promete trazer a tecnologia para o Brasil no próximo ano. <BR><BR>O marcapasso gástrico vem como boa alternativa para quem sofre com o problema, não obteve sucesso em tratamentos clínicos e nem tem indicação para cirurgia, como é o caso de muitas crianças e adolescentes. Na visão de Kawahara, o aparelho pode ser, no futuro, uma das opções para o combate à obesidade infanto-juvenil. "Ele não altera o estômago e sem dúvida tem um grande potencial para ser usado em crianças e adolescentes", conclui o especialista. <BR><BR>O aparelho, de tamanho similar ao de uma caixa de fósforo, é implantado na camada de gordura superior interna da barriga. Sua ação ocorre através dos estímulos lançados por eletrodos que vão conter, por exemplo, a ansiedade que faz com que a pessoa coma mais. Ao ser ligado, o marcapasso altera de forma automática os movimentos do estômago, fazendo com que os pacientes se sintam satisfeitos comendo pouco e iniciem o processo de perda de peso. <BR><BR>A utilização do marcapasso gástrico ainda depende de autorização de segurança do Food and Drug Administration (FDA), órgão norte-americano que regula medicamentos e alimentos nos EUA. A expectativa é que a aprovação saia no próximo mês. <BR><BR>FIQUE ATENTO - Um adulto é considerado acima do peso quando tem o Índice de Massa Corpórea (IMC) acima de 25. Índice acima de 30 já aponta obesidade, superior a 40, é obesidade mórbida. O IMC é o resultado do peso dividido pela altura. Em crianças não é usado esse tipo de medição. Os pediatras possuem uma tabela com peso e altura adequados para cada idade e podem dizer, através desses dados, qual é o quadro do paciente. ]]></Texto>

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