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 <DataGeracaoArquivo>Qui, 23 Nov 2006 11:21:06 -0200</DataGeracaoArquivo>

 <Titulo><![CDATA[Negligenciados, "soldados da borracha" brasileiros buscam recompensa]]></Titulo>
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 <NomeFonte><![CDATA[The New York Times]]></NomeFonte>
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 <Olho><![CDATA[RIO BRANCO, Brasil - Alcidino dos Santos estava a caminho do mercado para comprar verduras para sua mãe em uma manhã de 1942 quando foi parado por um funcionário do exército dizendo que estava sendo convocado para ser um "soldado da borracha". Eram necessários homens na Amazônia para a extração de borracha que seria usada no esforço de guerra dos aliados, e servir era seu dever patriótico. ]]></Olho>
 <Texto><![CDATA[<P>Alcidino, um ajudante de pedreiro de 19 anos na época, protestou dizendo que sua mãe era viúva e dependia dele financeiramente, porém não teve escolha. Ele receberia um salário de 50 centavos diários e receberia transporte gratuito de volta para casa no fim do conflito, porém deveria ir no mesmo dia.</P>
<P>Mais de 60 anos após o final da Segunda Guerra Mundial, Alcidino e centenas de outros brasileiros pobres que foram obrigados a trabalhar como soldados da borracha continuam na Amazônia, aguardando o cumprimento daquelas promessas. Idosos e frágeis, lutam contra o tempo e a indiferença para receberem o reconhecimento e a compensação que acreditam merecer.&nbsp; </P>
<P>"Fomos enganados, abandonados e esquecidos", disse Alcino, que nunca mais viu sua mãe, durante uma entrevista em sua simples casa de madeira.</P>
<P>O programa foi originado de um acordo entre os EUA e o Brasil. O ataque japonês a Pearl Harbor deixou os EUA sem a sua principal fonte de borracha, na Malásia, e o presidente Roosvelt persuadiu o ditador brasileiro Getúlio Vargas para cobrir tal furo estratégico em troca de milhões de dólares em empréstimos, créditos e equipamentos. </P>
<P>De acordo com registros do governo brasileiro, mais de 55 mil pessoas foram enviadas à Amazônia para a extração de borracha durante a guerra. Não existem números oficiais sobre mortes por doenças e ataques animais, porém historiadores estimam que cerca de metade dos trabalhadores morreram antes do Japão ser rendido em setembro de 1945.</P>
<P>Quando a guerra e o interesse americano acabaram, as pessoas que lucravam pelo acordo não estavam prontas para abrir mão de sua mão-de-obra gratuita. Os chefes seringueiros "temiam um êxodo se as notícias se espalhassem, então muitos soldados da borracha continuaram na selva, ignorantes, por anos a fio", disse Marcos Vinícius Neves, historiador e diretor de uma fundação governamental de preservação histórica. </P>
<P>Alguns foram qualificados para uma pensão que não chega a um décimo da quantia paga aos soldados brasileiros que lutaram na Europa durante a Segunda Guerra. Porém a maioria foi considerada inelegível por não conseguirem fornecer os documentos requeridos.</P>
<P>"Quando assisto às cerimônias do Dia da Independência na televisão e vejo os soldados que lutaram na Europa desfilando em seus uniformes, fico bastante triste", disse Lupércio Freire, 86 anos. "Somos soldados também".</P>
<P>&nbsp;&nbsp; </P>]]></Texto>

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