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 <MetaData>13:46:38 17/10/2006</MetaData>
 <DataGeracaoArquivo>Ter, 17 Out 2006 13:46:49 -0300</DataGeracaoArquivo>

 <Titulo><![CDATA[Violência desacelera economias na América Latina]]></Titulo>
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 <NomeCanal>NYT - Negócios</NomeCanal>
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 <NomeCredito>Jens Erik Gould</NomeCredito>
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 <NomeFonte><![CDATA[The New York Times]]></NomeFonte>
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 <Olho><![CDATA[CARACAS, Venezuela - Anos e anos de crescente violência não roubam a América Latina somente de investimentos privados importantes mas, em alguns casos, roubam até 8% do crescimento econômico nacional, dizem economistas e oficiais do Banco Mundial. ]]></Olho>
 <Texto><![CDATA[<P>Segundo os especialistas, as taxas de crescimento da economia, rendimentos e investimentos privados seriam maiores se não houvesse tanta insegurança com relação à violência. Ao invés de simplesmente fabricarem seus produtos, as empresas se sentem obrigadas a gastar em prevenção à violência, proteção de seus funcionários e propriedade. Muitas vezes, há uma boa razão para tal.</P>
<P>"Nossos negócios sofrem muito por causa da violência", disse Dario Vivas, presidente da empresa de gestão de lixo Cotecnica, subsidiária da Veolia Environment, da França. "Os funcionários recebem seus salários, mas chegam em casa sem nada pois foram roubados no caminho".</P>
<P>Se a taxa de homicídios no Brasil no começo dos anos 90 fosse tão baixa como a da Costa Rica - uma das mais baixas da região, 1/6 da taxa brasileira - a renda per capita seria US$200 mais alta e o PIB seria entre 3,2 e 8,4% maior no final dos anos 90, de acordo com um relatório do Banco Mundial enviado ao governo brasileiro em setembro, publicado também no The New York Times.</P>
<P>Por toda a América Latina, o custo econômico do crime é igualmente alto, igual a 14,2% do PIB da região, de acordo com o relatório de 1999 conduzido pelo Banco Interamericano de Desenvolvimento, estudo mais recente da região, apesar de alguns críticos sugerirem que a estimativa é alta demais. </P>
<P>"O dinheiro é gasto em proteger os bens ao invés de produzí-los", disse Michael Hood, economista da América Latina para o Barclays Capital. "Existe uma grande população andando pra lá e pra cá em ternos azuis ao invés de se engajarem em atividades mais produtivas".</P>
<P><BR>A violência também afeta o crescimento ao diminuir a produtividade, as taxas de graduação nas escolas e a participação no mercado de trabalho, segundo um relatório publicado no ano passado pelo Banco de Desenvolvimento. Problemas sociais como a alta taxa de desemprego entre os jovens e a deterioração da infraestrutura urbana propiciam mais violência, diz o estudo. </P>
<P>"O crime afugenta investimentos domésticos e estrangeiros", disse Andrew Morrison, economista do Banco Mundial e co-autor do relatório brasileiro. "A evidência é que as crescentes taxas de homicídios levam a custos consideráveis no crescimento da região".</P>
<P>Para ter certeza, o esperado é que a América Latina cresça cerca de 5% nesse ano, de acordo com a Barclays Capital, por conta de um fortalecimento, altos preços de commodities e taxas de juros relativamente baixas. A região se recuperou de maneira sólida dos problemas econômicos dos anos 80, período o qual os economistas chamam de "a década perdida", já que muitos países se encontravam atolados em dívidas e recessões.</P>
<P>As oito maiores economias latino-americanas cresceram 4,3% em 2005, após uma média de crescimento de 2,4% ao ano de 2000 a 2004, diz a Barclays Capital. A Argentina cresceu mais de 9% no ano passado, enquanto o Chile e o Peru cresceram mais de 6%, segundo a Comissão Econômica da ONU para a América Latina.</P>
<P>O prospecto de dívidas altas é a razão pela qual as empresas estarem mais dispostas a enfrentar riscos de segurança numa região onde a taxa de homicídio é quase o dobro da média mundial.</P>
<P>Um executivo de uma empresa Venezuelana, que pediu o anonimato pois não estava autorizado a falar com jornalistas sobre o assunto, disse que mesmo que a empresa tenha aumentado os gastos em segurança, de 1 para 8% de sua renda líquida desde 1999, ainda lucra dos altos gastos governamentais e de consumidores. </P>
<P>A Hewlett-Packard afirma que não desanimou em investir na América Latina. Entretanto, a empresa e outras multinacionais na Venezuela reforçaram suas políticas de segurança após Carlos Colina, um consultor da HP, ter sido assassinado em julho, aparentemente por seqüestradores, enquanto se dirigia ao Aeroporto Internacional de Caracas.</P>
<P>"A criminalidade é um fator importante, mas não é decisivo", disse Haroldo Level, gerente geral da Hewlett-Packard na América Latina. As atividades da empresa na região cresceram 18% em 2005, disse Level.</P>
<P>Mesmo assim, até na exportadora de petróleo Venezuela, que espera um crescimento econômico de mais de 9% pelo segundo ano consecutivo, as empresas estão cada vez mais apavoradas com assaltos aos funcionários, roubos nas instalações da empresa e o seqüestro de executivos e suas famílias.</P>
<P>Os medos das empresas são abastecidos por relatórios como o publicado pela ONU no ano passado, que apontava a Venezuela como o país líder em mortes por armas per capita de fogo no mundo. Assassinatos, seqüestros e violência de facções criminosas ocuparam recentemente as manchetes em muitos dos pesos-pesados da região. </P>
<P>Em maio, uma facção criminosa iniciou uma onda de violência em São Paulo, Brasil, onde cerca de 200 pessoas foram mortas. Em abril, manifestantes ocuparam as ruas em Carecas após seqüestradores assassinarem os três filhos de um executivo venezuelano, além de seu motorista. </P>
<P>A notícia sobre crimes fatais viaja rápido pela comunidade comercial de Caracas, assim como aconteceu após o assassinato de Colina.</P>
<P>Um proeminente executivo de Caracas, que preferiu o anonimato por questões de segurança, mudou-se com a família para Miami e agora viaja semanalmente à Venezuela, após o seqüestro de sua filha mais velha em 2000. No mesmo ano, foi roubado e espancado na rua, sua esposa foi amarrada por ladrões que assaltavam sua loja e seu cunhado foi atacado quatro vezes, disse.</P>
<P>A companhia elétrica venezuelana Electricidad de Caracas, uma divisão da AES, baseada nos EUA, perdeu quase US$1 milhão em roubos de equipamentos em 2005. "Se não houvesse a preocupação em superproteger nossas instalações contra vandalismos e roubo de energia, sem dúvida dedicaríamos tais recursos na expansão de nossos sistemas", disse Carlos Diaz, diretor de negócios da empresa.</P>
<P>Existem exceções, como a Colômbia, que ilustra os benefícios econômicos do combate ao crime. Antes notória pela violência gerada por mais de 40 anos de guerrilhas, o país cortou a taxa de homicídios em 43% e os seqüestros extorsivos em 82% desde 2002, sob o comando do presidente Álvaro Uribe, segundo Alfredo Rangel Suarez, diretor da Fundação de Segurança e Democracia de Bogotá.</P>
<P>"Como conseqüência, isso trouxe uma mudança nas expectativas econômicas do país", disse Suarez.</P>
<P>Empresas de transporte privado na Colômbia reduziram seus custos de segurança de 18 para 8% desde 2002, disse, citando um relatório inédito do Ministério da Defesa colombiano. Os investimentos externos diretos no país quadruplicaram entre 2002 e 2003, de acordo com a Comissão Econômica da ONU para a América Latina. O PIB cresceu também, numa média de 4,7% ao ano entre 2003 e 2005, após uma média de 0,5% entre 1998 e 2002, disse Hood da Barclay Capital.</P>
<P>Apesar dos sucessos, as empresas de segurança Kroll e Control Risks, que servem empresas multinacionais na América Latina, afirmam que a demanda por seus serviços vêm crescendo na região. Kroll afirma que suas vendas no México cresceram cerca de 200% no ano passado. </P>
<P><BR>A Control Risks disse que uma empresa têxtil na América Central estava gastando tanto para combater a crescente atividade de facções criminosas na região que já considerava uma mudança pra a o leste da Ásia.</P>
<P>Mas talvez o maior medo das empresas latino-americanas é o risco pessoal que os executivos e suas famílias enfrentam.</P>
<P>A Control Risks disse que pelo menos uma empresa expressou preocupação ao enviar seus executivos numa visita a São Paulo após o recente ataque de violência por grupos criminosos organizados. Em Caracas, empresários aumentam os muros e cercas elétricas de suas casas, compram cada vez mais carros blindados e contratam seguranças particulares para levarem seus filhos à escola. </P>
<P>"Cada vez mais nos sentimos expostos à seqüestros", disse Vivas da Cotecnica. "É a pior ansiedade que vivemos hoje, a preocupação de que nossos filhos estejam bem e voltarão para casa".</P>]]></Texto>

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